A dívida pública voltou a crescer em abril e atingiu R$ 10,4 trilhões, o equivalente a 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29). O resultado representa o maior nível desde julho de 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando a relação entre dívida e PIB chegou a 80,3%.
O cálculo considera os compromissos financeiros do governo federal, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e também dos governos estaduais e municipais.
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A dívida líquida do setor público, indicador que desconta os ativos do governo, também apresentou crescimento em abril.
O saldo passou para R$ 8,8 trilhões, equivalente a 66,8% do PIB, com avanço de 0,6 ponto percentual na comparação com março.
Juros pressionam avanço da dívida pública
Segundo o Banco Central, a variação mensal da dívida bruta foi influenciada principalmente pelos juros nominais apropriados, que adicionaram 0,9 ponto percentual ao indicador.
Por outro lado, a variação do PIB nominal contribuiu para reduzir a relação dívida/PIB em 1,5 ponto percentual. A valorização cambial também teve impacto negativo de 0,2 ponto percentual sobre o indicador.
Dívida líquida sobe para R$ 8,8 trilhões
A dívida líquida do setor público, indicador que desconta os ativos do governo, também apresentou crescimento em abril.
O saldo passou para R$ 8,8 trilhões, equivalente a 66,8% do PIB, com avanço de 0,6 ponto percentual na comparação com março.
Alta da dívida pública segue tendência dos últimos anos
O crescimento do endividamento mantém uma tendência observada nos últimos anos. Em 2025, a dívida pública federal avançou 18%, registrando a maior alta desde 2015.
O aumento também superou o observado em 2020, durante a pandemia, quando o avanço foi de 17,9%.
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Setor público tem o segundo maior superávit da história para abril
O Banco Central também divulgou nesta sexta-feira o resultado fiscal do setor público consolidado, que apresentou superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril, o segundo maior resultado da história para o mês. O resultado primário considera receitas e despesas do governo, mas exclui o pagamento de juros da dívida.
No mesmo mês de 2025, o setor público havia registrado superávit de R$ 14,1 bilhões. O superávit ocorre quando as receitas obtidas pelo governo com tributos e impostos superam as despesas públicas. No caso das empresas estatais, o cálculo leva em consideração as receitas geradas pela venda de produtos e serviços.
Os dados do setor público consolidado incluem União, estados, municípios e empresas estatais, excluindo Petrobras e instituições financeiras estatais.
Governo central sustenta saldo positivo
O desempenho positivo de abril foi puxado pelo superávit de R$ 26,07 bilhões do governo central. Estados e municípios também registraram resultado positivo, com superávit de R$ 329 milhões, enquanto as empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,78 bilhão no período.
Apesar do resultado positivo no mês, o acumulado de 2026 segue no vermelho. Nos quatro primeiros meses do ano, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 126,63 bilhões.
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Despesas com juros da dívida pública supera R$ 1 trilhão
Ao incluir as despesas com juros da dívida, o setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 60,13 bilhões em abril.
No mesmo mês do ano anterior, o déficit nominal havia sido de R$ 55,53 bilhões. A conta de juros do setor público somou R$ 84,76 bilhões apenas em abril.
No acumulado de 2026, o déficit nominal alcançou R$ 1,22 trilhão, o equivalente a 9,41% do PIB. Já as despesas com juros totalizaram R$ 1,095 trilhão no período, o correspondente a 8,43% do PIB.











