Poucas cidades brasileiras conseguem reunir, em um único endereço, um capítulo da história da ciência mundial, a maior operação de logística offshore do país e uma orla litorânea de 23 km. Macaé, no norte fluminense, é oficialmente a Capital Nacional do Petróleo, apelido conquistado depois que a Petrobras instalou por lá sua principal base terrestre da Bacia de Campos nos anos 1970. Mas o pedigree histórico da cidade é anterior: em 11 de abril de 1832, o naturalista Charles Darwin passou uma noite em Macaé durante uma expedição a cavalo pelo norte fluminense que se tornaria uma das etapas mais bem documentadas da viagem do HMS Beagle.
Como Macaé virou parada de Charles Darwin em 1832?
O HMS Beagle aportou no Rio de Janeiro em 5 de abril de 1832. Darwin ficou na cidade e organizou uma excursão a cavalo pelo interior do estado, acompanhado por seis homens, entre 8 e 24 de abril daquele ano. Segundo o portal educativo Juntos na Casa da Ciência, projeto vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o naturalista percorreu 12 cidades fluminenses.
O roteiro passou por Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito, Itaboraí e Niterói. Em 11 de abril de 1832, Darwin chegou a Macaé exausto após dias de viagem e desmaiou perto da atual Praia de Imbetiba, onde hoje funciona a base da Petrobras. Suas observações da região foram incluídas no Diário do Beagle, obra que ajudou a fundamentar mais tarde a Teoria da Evolução das Espécies, publicada em 1859.

Como a cidade se tornou Capital Nacional do Petróleo?
Macaé foi oficialmente fundada em 29 de julho de 1813. Por mais de 150 anos, viveu como uma vila de pescadores e distrito agrícola voltado à cana-de-açúcar e ao café, com o Canal Campos-Macaé, de 109 km, construído a partir de 1844 para escoar a produção. A virada histórica veio na década de 1970, quando a Petrobras iniciou operações na Bacia de Campos.
No fim de 1976, a exploração comercial começou com o poço 1-RJS-9-A, que deu origem ao Campo de Garoupa, situado em lâmina d’água de 100 metros. A produção comercial começou em agosto de 1977, pelo poço 3-EM-1-RJS, no Campo de Enchova, com vazão inicial de 10 mil barris por dia. A instalação da base de apoio da estatal transformou a cidade em um dos maiores polos logísticos offshore do mundo, e mais de quatro mil empresas se estabeleceram no município ao longo das décadas seguintes.
Por que Macaé tem a segunda maior rede hoteleira do Rio?
Segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo, Macaé tem hoje o segundo maior parque hoteleiro do estado do Rio de Janeiro, com cerca de 10 mil leitos, atrás apenas da capital. A infraestrutura foi originalmente construída para atender ao turismo de negócios ligado à indústria do petróleo, com destaque para o evento Brasil Offshore, que reúne as maiores petroleiras do país e recebe delegações internacionais.
Nos últimos anos, a cidade diversifica sua vocação. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para cada R$ 1 investido em turismo de lazer, Macaé retorna R$ 13 em geração de renda. Os 23 km de litoral, com praias urbanas e trechos preservados, começam a atrair um público além do corporativo. A gastronomia local também ganhou reconhecimento, com casas históricas como o restaurante Durval, aberto em 1984.

Quais praias e trilhas vale conhecer em Macaé?
A cidade combina orla urbana, cachoeiras serranas e o distrito de Sana, referência para o ecoturismo do norte fluminense. Vale reservar pelo menos três dias.
- Praia de Imbetiba: onde Darwin passou a noite em 1832 e hoje funciona a base da Petrobras. Cais histórico com vista para os navios de apoio offshore.
- Praia do Pecado: uma das mais bonitas da cidade, com falésias e boa infraestrutura para banhistas.
- Praia dos Cavaleiros: extensa faixa urbana com calçadão e pontos de surfe.
- Cachoeira das Sete Quedas: formação em escadaria no Vale do Peito de Pombo, em Sana. Trilha leve com poços para banho.
- Distrito de Sana: vila serrana a 45 km do centro, com pousadas rústicas e circuito de cachoeiras.
- Ilha do Francês: acessada de barco a partir do centro, com águas calmas e vida marinha preservada.
Este vídeo do canal Pascoal Neto | Vlogs diários, com 30,5 mil visualizações, apresenta um roteiro de um dia explorando as principais praias e pontos turísticos de Macaé (RJ), conhecida como a capital do petróleo.
Como é o clima de Macaé ao longo do ano?
Macaé tem clima tropical litorâneo, com temperaturas altas o ano inteiro e chuvas concentradas entre novembro e março. O verão é a alta temporada para a orla, enquanto Sana e as áreas serranas ficam mais agradáveis no outono e no inverno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar ao longo do ano.
Como chegar em Macaé?
Macaé fica a 180 km do centro do Rio de Janeiro. O acesso mais comum é feito pela Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) ou pela BR-101, com viagem média de duas horas e meia de carro. O aeroporto local é o Aeroporto de Macaé, com voos executivos e alguns comerciais regionais, focado no apoio à indústria petrolífera. Os aeroportos com maior malha de voos são o Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão e o Aeroporto Santos Dumont, ambos no Rio de Janeiro. Há linhas regulares de ônibus com várias saídas diárias da Rodoviária Novo Rio.
Conheça a cidade onde Darwin dormiu e a Petrobras nasceu no mar
Macaé é o tipo de destino em que camadas históricas muito diferentes convivem em um mesmo território. Uma vila de pescadores fundada em 1813. Uma noite de descanso de um naturalista britânico em 1832 que ajudaria a mudar a ciência. Um canal de 109 km construído para escoar açúcar e café no século XIX. Uma base offshore que transformou a cidade na Capital Nacional do Petróleo. E, para além disso, 23 km de litoral, um distrito serrano com cachoeiras em escadaria e a segunda maior rede hoteleira do Rio.











