O Nubank (ROXO34) anunciou nesta segunda-feira (20) a compra de 100% do Banco Porto Real de Investimentos em uma operação que tem como principal objetivo incorporar uma licença bancária ao seu conglomerado financeiro no Brasil. O negócio, cujo valor não foi revelado, ainda depende da aprovação do Banco Central (BC).
A aquisição atende às exigências da Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), foi aprovada em novembro de 2025 e restringe o uso de expressões como “banco” e “bank” em nomes empresariais, marcas, domínios na internet ou qualquer outra forma de identificação perante o público, por instituições que não possuam autorização para operar como banco. Com a licença, o Nubank poderá manter o termo “bank” em sua marca.
Poucos dias após a publicação da resolução, em dezembro de 2025, o Nubank informou ao mercado que buscaria obter uma licença bancária.
Na ocasião, o fundador e CEO global da companhia, David Vélez, afirmou que uma eventual aquisição teria como foco apenas a autorização regulatória, e não a carteira de clientes da instituição comprada: “Se comprarmos um banco, será algo pequeno, principalmente pela licença”, declarou o executivo no fim do ano passado.
Após a conclusão da operação, a nova autorização será incorporada às demais licenças regulatórias já detidas pela instituição no país, que incluem Instituição de Pagamento (IP), Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM).
Operação não altera serviços do Nubank
Segundo a fintech, a compra do Banco Porto Real não exigirá reforço de capital nem alterações nos índices de liquidez da companhia. A empresa também informou que a transação não modifica sua estratégia de negócios nem a forma de atendimento aos clientes.
De acordo com a instituição, “para os 115 milhões de clientes do Nubank no Brasil, nada muda: o aplicativo, os produtos, os serviços, a marca e o nome da instituição permanecem os mesmos”, informou a companhia em nota.
A CEO do Nubank para Brasil e América Latina, Livia Chanes, afirmou que a estratégia continuará baseada na inovação. “Nosso DNA de inovação segue intacto e seguimos comprometidos em aprofundar nossa relação com cada cliente, oferecendo mais soluções com a mesma simplicidade que sempre nos definiu”, disse a executiva.
Aquisição reforça expansão no Brasil
Em março deste ano, o Nubank passou a integrar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), depois de se tornar a maior instituição financeira privada do país em número de clientes, ao atingir 112 milhões de usuários. Atualmente, a empresa informa possuir mais de 115 milhões de clientes.
Para 2026, o banco anunciou investimentos de R$ 45 bilhões no mercado brasileiro, quase o dobro do montante aplicado nos dois anos anteriores.
Segundo a companhia, aproximadamente 31,5 milhões de brasileiros passaram a ter acesso a conta digital, crédito e produtos para guardar dinheiro por meio do Nubank.
Banco comprado pelo Nubank era alvo de outros interessados
Antes de fechar a aquisição do Banco Porto Real, o Nubank negociava a compra da operação brasileira do banco português Caixa Geral de Depósitos (CGD). Além da fintech, MD Capital e Garantia Capital também apresentaram propostas pela instituição.
Dados enviados ao Banco Central mostram que o Banco Caixa Geral possuía, em março deste ano, R$ 1,9 bilhão em ativos, patrimônio líquido de R$ 297,4 milhões e carteira de crédito de R$ 825 milhões, porte significativamente superior ao do Banco Porto Real.
O Banco Porto Real também esteve no radar do Grupo Fictor antes do anúncio da tentativa de compra do Banco Master. O Banco Central, porém, rejeitou aquela operação por entender que o grupo não comprovou capacidade patrimonial suficiente para concluir a aquisição.
Banco Porto Real tem R$ 32 milhões em ativos
Fundado em 1992, no município de Porto Real (RJ), o Banco Porto Real de Investimentos atua na concessão de crédito para clientes do segmento de atacado. A instituição pertence a Luiz Eduardo Tarquínio Monteiro da Costa, herdeiro da Companhia Fluminense de Refrigerantes, antiga engarrafadora da Coca-Cola no Brasil.
Segundo informações do Banco Central, a instituição encerrou o primeiro trimestre de 2026 com R$ 32,129 milhões em ativos e lucro líquido de R$ 352 mil.
No mesmo período, o banco informou patrimônio líquido de R$ 31,4 milhões e carteira de crédito de R$ 9,6 milhões.











