O conselho de administração da Oncoclínicas (ONCO3) aprovou nesta segunda-feira (14) a eleição de Maurício Hasson para os cargos de diretor executivo financeiro (CFO) e diretor executivo de relações com investidores (RI), enquanto a empresa enfrenta cerca de R$ 5 bilhões em dívidas, busca uma recuperação extrajudicial e acompanha uma disputa envolvendo uma oferta pública de aquisição de ações (OPA).
O executivo acumula mais de 14 anos de experiência em posições de CFO e já trabalhou na própria Oncoclínicas entre 2015 e 2016. Antes disso, passou por bancos de investimento no Brasil e nos Estados Unidos.
A chegada de Hasson ocorre após um período de estabilização das operações da companhia depois de uma crise de desabastecimento, conforme comunicado da empresa.
Quintino inicia transição após oito anos na Oncoclínicas
Isaac Quintino, que ocupava interinamente os cargos de CFO e diretor de RI desde abril, após a renúncia de Marcel Cecchi Vieira, permanecerá na Oncoclínicas até a conclusão do processo de transição.
A saída encerra um ciclo de oito anos de Quintino na empresa. Durante esse período, o executivo participou de diferentes fases da trajetória da Oncoclínicas, incluindo o IPO, oferta inicial de ações; o follow-on, operação de distribuição de novas ações; a consolidação do mercado por meio de fusões e aquisições; as integrações decorrentes dessas operações e, mais recentemente, a retomada operacional.
Quintino também esteve envolvido no processo de estabilização da companhia após a crise de desabastecimento mencionada no comunicado.
A companhia apresenta a saída do executivo como um movimento pessoal. O comunicado não aponta desligamento forçado nem mudança no controle societário e também não informa quem ocupará as funções durante o período de transição.
O comunicado, porém, não apresenta novas projeções financeiras, metas ou alterações de governança além da eleição de Hasson. Também não foi informado se haverá mudanças na política de comunicação com investidores ou na estrutura da equipe financeira durante a transição.
Oncoclínicas tem dívida de R$ 5 bilhões e busca reestruturação
A troca no comando financeiro acontece em um momento de reestruturação da Oncoclínicas. Com dívidas de aproximadamente R$ 5 bilhões, a companhia entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em julho deste ano.
O processo ocorre paralelamente à disputa entre acionistas relacionada à obrigação de realização de uma OPA, oferta pública de aquisição de ações, determinada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em razão de uma transação realizada em 2024.
Em agosto de 2026, o colegiado da CVM decidiu por unanimidade que a gestora americana Centaurus Capital deverá realizar uma OPA depois de superar o limite de 15% de participação direta na Oncoclínicas. A decisão contrariou o entendimento da área técnica da própria autarquia, que havia se manifestado duas vezes contra a obrigatoriedade da oferta.
Estimativas de mercado citadas no texto apontam que a OPA poderá movimentar cerca de R$ 6,5 bilhões, com preço próximo de R$ 16 por ação.
Centaurus questiona obrigação da OPA em arbitragem
A disputa também envolve uma arbitragem movida pela Centaurus contra a gestora Latache, acionista minoritária da Oncoclínicas. O fundo questiona a obrigação de realização da OPA prevista no estatuto da companhia.
O colegiado da CVM que analisou o caso contou com Otto Lobo, João Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola não participou da reunião e havia se declarado impedida.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.











