O Banco Popular da China (PBoC) manteve nesta quinta-feira (20) as principais taxas de juros para empréstimos do país, estendendo para 15 meses consecutivos o período sem alterações na política monetária. A decisão ocorre em meio a sinais de perda de ritmo da atividade econômica e indica que Pequim, por enquanto, prefere preservar as condições atuais de crédito a promover um novo corte nas taxas de referência.
A Loan Prime Rate (LPR), taxa usada como referência para empréstimos bancários, permaneceu em 3% para operações de um ano. Já a taxa para financiamentos de cinco anos ficou em 3,5%.
A manutenção ocorre apesar de uma sequência de indicadores apontar para uma economia menos dinâmica no início do terceiro trimestre. Dados de julho sobre produção industrial, vendas no varejo e concessão de crédito mostraram que a demanda interna continua enfrentando dificuldades.
A economia da China avançou 4,3% no segundo trimestre, abaixo da faixa de 4,5% a 5% estabelecida por Pequim como meta de crescimento para o ano. Os indicadores mais recentes referentes ao terceiro trimestre também continuam mostrando perda de força da atividade.
Crédito recua e amplia pressão por estímulos
Um dos principais sinais de fraqueza veio do mercado de crédito. Os novos empréstimos denominados em yuan registraram, em julho, uma contração recorde e ficaram abaixo das expectativas. O desempenho foi influenciado por fatores sazonais e, principalmente, pela menor demanda das famílias por crédito.
O cenário de consumo e investimentos em ritmo mais lento aumenta a possibilidade de uma eventual flexibilização monetária. Um corte de juros reduziria o custo dos financiamentos e poderia estimular a demanda.
Ao mesmo tempo, a capacidade de sustentação das exportações pode levar o governo a escolher uma estratégia diferente, baseada em estímulos fiscais graduais.
China prioriza liquidez e gastos em infraestrutura
Nos últimos meses, Pequim tem evitado reduzir as taxas tradicionais de juros. Em seu lugar, a estratégia tem dado espaço a medidas estruturais e instrumentos de liquidez de curto prazo, que permitem aliviar as condições de financiamento sem necessariamente alterar as taxas de referência.
Entre essas iniciativas está a implementação, no mês passado, de operações de recompra reversa overnight.
Na reunião do Politburo realizada em julho, os líderes chineses também se comprometeram a apoiar a economia por meio da aceleração dos gastos fiscais em projetos de infraestrutura que já estavam previstos no orçamento para o restante do ano.
A estratégia indica preferência pela execução de investimentos já programados, em vez da criação de novas medidas de estímulo de grande porte.
PBoC mantém flexibilidade, mas não sinaliza corte
Na semana passada, o Banco Central chinês afirmou que pretende manter uma postura monetária adequadamente flexível e adotar medidas práticas e eficazes conforme a necessidade. A autoridade, porém, não sinalizou de forma explícita uma redução das taxas de juros de referência.
Também não houve indicação de corte na taxa de compulsório dos bancos, parcela dos recursos que as instituições financeiras são obrigadas a manter sob determinadas regras e que, portanto, não pode ser livremente direcionada para empréstimos.











