O mercado de trabalho dos Estados Unidos vem se mostrando mais forte do que previam as apostas recentes. O payroll, relatório oficial de emprego do país, registrou a criação de 162 mil vagas em agosto, superando em cerca de três vezes a projeção do mercado, de 53 mil postos de trabalho. O resultado reforça as perspectivas de um possível aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed) na próxima reunião de política monetária, ainda em setembro.
A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, mesma leitura de julho e em linha com a projeção dos economistas consultados pela Reuters.
Outro ponto de destaque foi a revisão dos dados de julho. O número de empregos, que inicialmente indicava perda de 23 mil postos, passou a mostrar alta de 21 mil vagas.
Salários avançam e mercado de trabalho mantém força
O relatório também mostrou aumento na remuneração. O salário médio por hora dos trabalhadores subiu 10 centavos, ou 0,3%, para US$ 37,75. A jornada média semanal avançou 0,1 hora, alcançando 34,4 horas.
Na comparação com agosto de 2025, o ganho médio por hora aumentou 3,1%, acima da expectativa de alta de 3%. Em julho, o avanço anual foi de 3,2%.
O conjunto dos indicadores mostra que o mercado de trabalho americano ainda não perdeu força de forma significativa, apesar das expectativas de desaceleração.
Indústria e setor privado também superam estimativas
A indústria também apresentou resultado acima do esperado. O payroll de manufatura registrou saldo positivo de 16 mil vagas em agosto, contra projeção de 5 mil, enquanto o número de julho foi revisado de 5 mil para 14 mil empregos.
No setor privado, foram criadas 127 mil vagas, ante expectativa de 45 mil. Em julho, o resultado passou de 30 mil para 71 mil postos após revisão.
Entre os principais setores, serviços de alimentação e bebidas adicionaram 59 mil empregos. A educação pública local abriu 42 mil vagas, enquanto a construção civil criou 22 mil postos. Na contramão, o setor de informação eliminou 23 mil empregos.
No governo, o saldo passou a ser positivo em agosto, com 35 mil novas vagas, depois de uma perda de 50 mil postos em julho, número revisado de uma queda de 53 mil.
A taxa de desemprego U6, conhecida como “taxa de desemprego real” e que amplia a medida tradicional do desemprego, recuou de 7,9% para 7,7%.
Mesmo com a criação de vagas, a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, enquanto o número de desempregados subiu ligeiramente para 7 milhões.
Payroll fortalece dólar e pressiona juros
A reação ao relatório apareceu nos mercados financeiros logo após a divulgação dos números. Por volta das 9h45, o dólar à vista subia 0,46% frente ao real, a R$ 5,12, enquanto o dólar futuro para outubro avançava 0,48%, a R$ 5,15.
O DXY, índice que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,37%, aos 99,278 pontos.
O payroll também pressionou a curva de rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, movimento que repercutiu nos juros futuros brasileiros.
Por volta das 9h50, o DI de janeiro de 2027 passou de 13,565% para 13,575%. O contrato para janeiro de 2028 avançou de 13,595% para 13,62%, enquanto o DI de janeiro de 2029 subiu de 13,885% para 13,93%. Já o vencimento de janeiro de 2031 passou de 14,14% para 14,165%.
Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dois anos subiu de 4,351% para 4,412%, enquanto a da T-note de dez anos avançou de 4,773% para 4,798%.











