O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão da última sexta-feira (27) em queda de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, pressionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio, que voltou a elevar a aversão ao risco nos mercados globais. Apesar do baixo desempenho diário, o índice avançou 3,03% na semana, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de perdas.
O movimento do dia foi marcado pela cautela dos investidores diante do avanço do conflito no Irã, que influencia os preços de energia e amplia as incertezas sobre a trajetória da economia global. O aumento do risco geopolítico tem sustentado a alta do petróleo e reforçado temores de pressão inflacionária.
A dirigente do Federal Reserve (Fed) da Filadélfia, Anna Paulson, alertou que choques geopolíticos podem afetar simultaneamente inflação e crescimento econômico, criando desafios adicionais para a condução da política monetária.
Segundo um relatório do Goldman Sachs, um choque nos preços do petróleo pode elevar a inflação global em até 0,8 ponto percentual no cenário-base. Em uma hipótese mais adversa, o impacto poderia alcançar até 2 pontos percentuais, ampliando os riscos para a economia mundial.
Entre os destaques do pregão, as ações da Petrobras avançaram 1,74% (ON) e 2,89% (PN), acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. A Vale registrou leve alta de 0,11%, limitando perdas mais acentuadas do índice.
Na ponta negativa, o setor bancário pressionou o desempenho do Ibovespa, com as ações do Banco do Brasil em queda de 1,73% e as do BTG Pactual de 3,03%.
Entre as maiores altas do dia estiveram Marfrig, com avanço de 6,07%, seguida por Assaí, que fechou com uma valorização de 5,85%. No lado oposto, o destaque negativo ficou com a Braskem, que despencou 10,84% no pregão.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 0,28% frente ao real, cotado a R$ 5,24. operadores atribuíram a queda do dólar ao fluxo de entrada de recursos, somado a movimentos técnicos característicos do fim de mês, que costumam influenciar o posicionamento dos investidores no câmbio.
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No cenário internacional, os conflitos envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã chegam ao segundo mês, sem sinais nítidos de um cessar-fogo.
Há pouco, o presidente Donald Trump renovou ameaças às instalações de energia iranianas e à ilha de Kharg com a seguinte declaração na rede Truth Social: “Os Estados Unidos da América estão em negociações sérias com um NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL, para encerrar nossas operações militares no Irã. Grandes progressos foram feitos, mas, se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente “aberto para negócios”, concluiremos nossa adorável “estadia” no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que propositalmente ainda não “tocamos“.
A elevada incerteza sobre os desdobramentos do conflito é a principal preocupação dos mercados globais, devido aos riscos inflacionários e ameaça ao crescimento econômico.
Ao mesmo tempo em que sinaliza negociações, Washington tem enviado milhares de soldados adicionais à região e adota um discurso ambíguo sobre a possibilidade de uma ofensiva terrestre.
Reportagem do The Wall Street Journal afirma que Trump avalia uma operação militar com o objetivo de capturar cerca de 450 quilos de urânio mantidos pelo Irã. Atualmente, os Estados Unidos já mantêm mais de 50 mil militares no Oriente Médio, cerca de 10 mil acima do contingente considerado habitual para a região.
O conflito também tem ampliado seu alcance. Ataques passaram a atingir infraestruturas estratégicas iranianas, incluindo instalações de energia e siderúrgicas. Paralelamente, aliados regionais de Teerã começam a se envolver diretamente na crise, como os rebeldes Houthis no Iêmen. Já Israel sinaliza a possibilidade de expandir suas operações no sul do Líbano, mirando posições do grupo Hezbollah.
Em resposta, Teerã elevou o tom e ameaçou reagir com força a qualquer tentativa de invasão terrestre, aumentando o risco de uma escalada militar de proporções regionais. Nos bastidores, autoridades americanas já admitem que, sem avanços concretos nas negociações, o conflito pode se prolongar por várias semanas.
No Brasil, o governo avalia prorrogar o subsídio ao diesel caso a pressão sobre os preços dos combustíveis persista. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a medida, inicialmente prevista para durar 60 dias, poderá ser estendida dependendo da evolução do cenário internacional.
A proposta em discussão prevê uma subvenção total de R$ 1,20 por litro na importação de diesel, dividida entre União e Estados. Do lado federal, o subsídio pode chegar a R$ 0,92 por litro, somando-se aos R$ 0,32 já anunciados anteriormente.
De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, um número “significativo” de Estados já indicou adesão ao programa, enquanto outros devem anunciar sua posição ao longo do dia.
A participação, porém, não é obrigatória, e o próprio governo reconhece que pode haver diferenças regionais nos preços do diesel caso parte dos Estados decida não aderir ao programa.
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Manchetes desta manhã
- Com choque do petróleo, preocupação com o crescimento global já aparece nos mercados (Valor)
- Reforma tributária pode mudar preços em prateleiras e sites no Brasil (Folha)
- BTG/Nexus: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 46% em eventual 2º turno da corrida presidencial (Estadão)
- Juros do cartão sobem, crédito perde ritmo e aperta famílias, diz BC (O Globo)
Mercado global
As Bolsas da Europa têm ligeira alta, com investidores atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
A persistente alta do petróleo diante do conflito mantém no radar os riscos inflacionários e seus possíveis impactos nas próximas decisões de política monetária do BCE e de outros bancos centrais da região.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em queda, pressionadas pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que completa um mês sem perspectivas de trégua e segue sustentando a alta dos preços do petróleo.
Em Nova York, os índices futuros avançam nesta segunda-feira (30), com investidores avaliando as tensões no Oriente Médio e o risco de escalada do conflito.
O S&P 500 mostra recuperação após fechar a última semana no menor nível desde agosto, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,44%
- FTSE 100: +0,88%
- CAC 40: +0,41%
- Nikkei 225: -2,79%
- Hang Seng: -0,81%
- Shanghai SE Comp: -0,24%
- Ouro (abr): +0,94%, a US$ 4.534,9 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,15%, aos 100,301 pontos
- Bitcoin: +1,72% a US$ 67.479,00
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Commodities
- Petróleo: a escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã segue impulsionando os preços do petróleo no mercado internacional. Nesta segunda-feira, o contrato do Brent chegou a atingir a máxima de US$ 116,89 por barril, refletindo o temor de interrupções na oferta da commodity.
No acumulado de março, a cotação do Brent já registra valorização próxima de 60%, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Diante desse cenário, analistas avaliam que em um cenário de restrição mais severa da oferta, o preço da commodity poderia alcançar US$ 150 em abril.
O Brent/maio valoriza 2%, cotado a US$ 114,82 e o WTI/maio avança 1,34%, a US$ 100,98. - Minério de ferro: fechou em leve alta de 0,06% em Dalian, na China, cotado a US$ 117,68/ton e na Bolsa de Singapura, o contrato para maio subiu 0,26%, a US$106,25/ton.
Investidores seguem avaliando o impacto dos preços elevados da energia sobre a indústria, ao mesmo tempo em que monitoram sinais de retomada da demanda por aço na China, contrapostos ao ainda elevado nível de estoques nos portos chineses.
Cenário internacional
Nos EUA, a semana começa com os investidores atentos a uma agenda econômica carregada de indicadores relevantes, com destaque para os dados do mercado de trabalho. O principal evento será a divulgação do payroll na sexta-feira. Apesar da importância do indicador, o dado será divulgado em um dia de feriado nos principais mercados, com bolsas fechadas nos EUA, na Europa e no Brasil, o que tende a reduzir a liquidez global.
Antes disso, a agenda americana reserva outros termômetros relevantes da atividade econômica. Na quarta-feira será publicado o relatório da ADP, que traz estimativas de criação de vagas no setor privado em março. Ao longo da semana também serão divulgados índices de gerentes de compras (PMIs) e leituras de atividade do Institute for Supply Management, indicadores acompanhados de perto para medir o ritmo da economia.
Na Zona do Euro, os dados já divulgados nesta manhã reforçaram sinais de perda de fôlego da atividade. O índice de sentimento econômico recuou de 98,2 pontos em fevereiro para 96,6 em março, com quedas expressivas em economias relevantes como França, Espanha, Holanda e Itália.
Ainda no exterior, os investidores acompanham o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, previsto para as 11h30. A fala ocorre em um momento de incerteza sobre como o Banco Central irá equilibrar o combate à inflação com os sinais de desaceleração da economia.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda também traz indicadores relevantes para o mercado. Nesta segunda-feira será divulgado o IGP-M de março, índice amplamente utilizado como referência para reajustes de contratos.
Os investidores também acompanham as declarações do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, que participa de evento em São Paulo às 9h.
Ao longo do dia, o Banco Central publica ainda as estatísticas de crédito referentes a fevereiro, enquanto o Tesouro Nacional divulga o resultado primário do governo central no mesmo mês. O relatório reúne os números do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, excluindo os gastos com o pagamento da dívida pública.
Já na quinta-feira, o foco se volta para a divulgação da produção industrial de fevereiro, indicador que ajuda a medir o ritmo de recuperação da atividade econômica no país.
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Destaques do mercado corporativo
- Itaú Unibanco: aprovou a incorporação da Itaucard pela holding, em uma reorganização societária voltada à simplificação da estrutura do grupo e ganho de eficiência operacional, sem alteração no capital social ou emissão de novas ações.
- BB Seguridade: aprovou o cancelamento de 58,6 milhões de ações mantidas em tesouraria, equivalentes a cerca de 2,9% do capital, medida que tende a aumentar o lucro por ação e reforçar a política de retorno ao acionista.
- Assaí: o conselho aprovou um programa de recompra de até 11,3 milhões de ações, ou cerca de 0,8% do capital, válido por 12 meses, sinalizando confiança da administração no valor intrínseco da companhia.
- Neoenergia: informou que deixará o Latibex, na bolsa espanhola, passando a negociar seus papéis exclusivamente na B3, decisão que concentra a liquidez no mercado brasileiro e simplifica sua presença nos mercados de capitais.
- Rumo: a Moody’s colocou o rating da companhia em revisão para possível rebaixamento, citando riscos de contágio financeiro associados à estrutura da controladora Cosan.











