Sob pressão da inflação com os resultados do IPCA-15 de abril, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta terça-feira (28) em queda de 0,51%, aos 188.618,69 pontos, marcando a quinta sessão consecutiva de perda.
Apesar do resultado abaixo do esperado, especialistas avaliam que a composição da prévia da inflação oficial (que subiu 0,89% em abril, após alta de 0,44% em março) continua pressionada.
Enquanto de um lado a inflação pesou sobre o desempenho do índice, as ações da Petrobras ajudaram a limitar perdas maiores, com valorização de 0,72% (ON) e 0,32% (PN), na esteira da valorização do petróleo no mercado internacional. Já a Vale fechou em queda de 1,3%, em meio à expectativa pela divulgação do balanço da mineradora do 1º trimestre.
No setor financeiro o desempenho foi misto, com destaque negativo para o Santander, cujas ações recuaram 0,84%, enquanto o Itaú fechou em alta de 0,25%. No ranking geral, Metalúrgica Gerdau (+4,55%), Gerdau (+4,16%) e Cosan (+3,6%) lideraram as altas do dia e na ponta oposta Hapvida fechou em baixa de 8,44%.
No câmbio, o dólar fechou estável, cotado a R$ 4,98, em meio à volatilidade sustentada pela retomada do apetite por moedas latino-americanas, além de fatores técnicos, como a rolagem de posições no mercado futuro.
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No cenário internacional, esta superquarta é de expectativa pela decisão sobre os juros do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e pelo Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil. Os anúncios devem vir pressionados pelos preços do petróleo, que compõem o cenário de fundo junto com uma possibilidade de escalada das tensões no Oriente Médio, influenciando as projeções de choque inflacionário.
O Federal Reserve deve manter os juros inalterados, enquanto o Copom caminha para um novo corte de 0,25 ponto na Selic, em um ambiente que mistura inflação ainda pressionada, atividade resiliente e crescente incerteza externa.
Nos EUA, mais do que as decisões em si, o mercado volta suas atenções para o tom da comunicação, especialmente a entrevista de Jerome Powell. O choque recente nos preços de energia e o agravamento das tensões geopolíticas reduziram o espaço para qualquer sinal de flexibilização no curto prazo. A leitura predominante é que a guerra no Oriente Médio deslocou o balanço de riscos em direção à inflação, forçando o Fed a adotar uma postura mais cautelosa e fortemente dependente de dados — o que, na prática, prolonga o ciclo de juros elevados.
O discurso de Powell ganha peso adicional por ocorrer às vésperas de sua substituição, o que tende a reforçar uma comunicação mais dura. Nesse contexto, a estratégia de “esperar para ver” deve prevalecer, enquanto o risco inflacionário segue em aberto e condicionado à evolução do conflito. Como consequência, o mercado já começa a rever o timing de cortes nos Estados Unidos, empurrando as expectativas para mais adiante.
No Brasil, o Copom deve anunciar, após as 18h30, um corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 14,5% — movimento amplamente precificado desde que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicou o início de um processo de calibração diante do nível elevado dos juros.
Apesar de o IPCA-15 de abril ter vindo levemente abaixo do piso das projeções, a composição do índice mostrou maior pressão, com avanço dos núcleos, aumento da difusão e alta nos bens industriais. O conjunto de dados reforça a necessidade de uma condução mais conservadora da política monetária.
Com a alta do petróleo e um ambiente externo mais desafiador, o espaço para acelerar o ritmo de cortes permanece limitado. O cenário consolida a expectativa de um ciclo mais gradual no Brasil, cada vez mais condicionado à evolução dos dados e ao cenário internacional.
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Manchetes desta manhã
- Trump pressiona Irã a assinar acordo e indica que manterá bloqueio naval (Valor)
- Preço do petróleo sobe mais de 3% e é o maior em três semanas após novas ameaças de Trump ao Irã (Folha)
- Pentágono firma acordo para defesa americana aumentar uso de IA da Google (Estadão)
- Câmara instala hoje comissão especial do fim da escala 6×1 (O Globo)
- Santander fecha trimestre com lucro menor e aumento da inadimplência (Valor)
Mercado global na expectativa por decisão sobre os juros dos EUA
As bolsas da Europa operam em queda, pressionadas pela análise de balanços corporativos, com destaque para a queda do Deutsche Bank mesmo após lucro recorde, enquanto o Santander avança com resultado positivo.
Investidores também monitoram decisões de juros de Fed, BCE e BoE, além das incertezas no Oriente Médio, que seguem sustentando o petróleo.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta em meio às tensões contínuas entre EUA e Irã, que mantêm o petróleo elevado, no cenário de expectativa pela decisão de juros do Fed e pela divulgação dos balanços das Sete Magníficas.
Ainda assim, o sentimento perdeu força após reportagem do WSJ indicar que a OpenAI não atingiu suas metas, reacendendo questionamentos sobre a sustentabilidade dos elevados investimentos em IA.
Em Nova York, os índices futuros abriram em ritmo de alta, com investidores adotando uma postura mais cautelosa neste dia-chave para os mercados, que inclui a decisão sobre juros do Federal Reserve (Fed) e a divulgação de balanços de gigantes de tecnologia.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,07%
- FTSE 100: -0,83%
- CAC 40: -0,54%
- Nikkei 225: fechado por feriado nacional
- Hang Seng: +1,68%
- Shanghai SE Comp: +0,71%
- Ouro (jun) -0,86%, a US$ 4.568,99 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,10%, aos 98,735 pontos
- Bitcoin: +1,05% a US$ 77.152,6
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Commodities
- Petróleo: contratos futuros avançam nesta quarta-feira, com o Brent se aproximando de US$ 115 por barril, diante da falta de perspectiva de acordo no Oriente Médio.
O movimento é impulsionado pela possibilidade de bloqueio naval dos EUA contra o Irã, enquanto mantém o impasse nas negociações de paz. O mercado também avalia o anúncio sobre a saída dos Emirados Árabes da OPEP e da OPEP+ a partir de 1º de maio.
O Brent/junho valoriza 2,94%, cotado a US$ 114,53, enquanto o WTI/junho avança 3,18%, a US$ 103,11. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,9% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 115,1/ton.
Os preços são impulsionados pela alta dos combustíveis em meio à guerra no Irã. O comitê do Partido Comunista da China afirmou que o país adotará medidas para enfrentar choques externos e reforçar a segurança energética.
Apesar disso, a Galaxy Futures destaca que a demanda por aço segue fraca e deve continuar assim no primeiro semestre, pressionada por uma base de comparação elevada em 2025.
Cenário internacional
Nos EUA, antes do Fed o mercado acompanha a divulgação de indicadores relevantes, como as encomendas de bens duráveis de março, com projeção de alta de 0,5%, e os estoques de petróleo, que devem registrar queda de 100 mil barris. No mesmo intervalo, o Banco do Canadá anuncia sua decisão de juros, às 10h45.
O foco, no entanto, está em Washington. O Fed divulga sua decisão às 15h, com consenso apontando para manutenção da taxa na faixa de 3,5% a 3,75%. Meia hora depois, o presidente Jerome Powell concede entrevista — momento considerado crucial para entender os próximos passos da autoridade monetária em um ambiente de elevada incerteza geopolítica e pressão inflacionária vinda do petróleo.
No pano de fundo, a sucessão no comando do Fed adiciona ruído ao mercado. O Comitê de Bancos do Senado vota nesta manhã a indicação de Kevin Warsh para a presidência da instituição, em meio à reta final do mandato de Powell, que se encerra em 15 de maio.
Enquanto isso, no front geopolítico, o impasse entre Estados Unidos e Irã mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado, sustentando o choque no mercado de energia, com o petróleo chegando a US$ 115 o barril. As negociações avançam lentamente: Donald Trump rejeitou a proposta inicial de Teerã, enquanto mediadores no Paquistão aguardam uma nova versão.
Apesar de reconhecer que o Irã busca reabrir o estreito rapidamente diante do impacto econômico, Washington condiciona qualquer avanço a concessões mais amplas — especialmente em relação ao programa nuclear, principal entrave para um acordo.
Cenário nacional
No Brasil, o destaque absoluto é a decisão do Copom, às 18h30. A expectativa, amplamente consolidada, é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,5%. A leitura predominante é que o Banco Central deve preservar a flexibilidade, evitando sinalizações firmes sobre o ritmo dos próximos movimentos.
Antes disso, às 14h30, saem o Caged de março e o resultado do Governo Central. A projeção é de criação de 159.939 vagas formais e déficit de R$ 73,8 bilhões, pressionado pelo pagamento de precatórios.
No campo político, a agenda em Brasília também é intensa. A CCJ do Senado sabatina Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em uma votação considerada apertada — ele precisa de ao menos 41 votos no plenário.
O governo intensificou a articulação nos bastidores, com a exoneração do ministro Wellington Dias para reforçar a base no Senado, além da aceleração na liberação de emendas e negociação de cargos.
Na Câmara, será instalada a Comissão Especial da PEC que propõe o fim da escala 6×1. O deputado Alencar Santana (PT-SP) deve presidir o colegiado, enquanto Léo Prates (Republicanos-BA) será o relator. A proposta já entra em fase de debate com sinalização de transição para adaptação do mercado de trabalho, e a intenção do presidente da Casa, Hugo Motta, é levar o texto à votação até 28 de maio.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: pode reajustar gasolina nos próximos dias, disse a presidente Magda Chambriard, caso PL que libera uso de receitas do petróleo para compensar desonerações seja aprovado em breve.
- braskem: a Petrobras e a Novonor indicaram nomes para a nova composição do conselho de administração da petroquímica, cuja eleição ocorrerá hoje em assembleia geral ordinária.
- Itaú: ex-BC Diogo Guillen assumirá como economista-chefe a partir de 01/7, após cumprir quarentena. O banco também aprovou incorporação do Itaucard, com patrimônio avaliado em R$ 51,9 milhões, em reorganização societária que ainda depende de aval do Banco Central.
- Banrisul: aprovou aumento de capital de R$ 400 milhões e política de dividendos de 40% do lucro líquido ajustado para 2026. O banco também pagará R$ 28,9 milhões em dividendos complementares. Exem 05/05.
- BRB: o governo do DF pediu garantia da União para empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para capitalizar o banco após perdas com o Master. O FGC declarou que o caso Master teve impacto negativo de R$57,4 bilhões para o fundo.











