O mercado de capitais brasileiro manteve o ritmo de expansão em 2026 e movimentou R$ 283 bilhões em ofertas encerradas entre janeiro e maio, alta anual de 14,1%. O avanço foi puxado principalmente pelo crescimento das emissões de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), títulos híbridos e ações, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
A atividade também ganhou força em número de operações. Foram 1.156 ofertas concluídas nos cinco primeiros meses do ano, alta de 11,3% na comparação anual.
Apenas no mês de maio, as captações somaram R$ 47 bilhões, distribuídos em 238 operações. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume financeiro cresceu 7,3%, enquanto a quantidade de ofertas aumentou 14,4%.
O resultado reflete a continuidade da demanda por ativos de renda fixa e crédito privado em um ambiente de juros ainda elevados, cenário que tem levado investidores a selecionar com mais rigor os ativos em suas carteiras.
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A renda fixa concentrou a maior parte das captações do mês, com R$ 39,9 bilhões. Os instrumentos híbridos aparecem em seguida, com R$ 6,9 bilhões, enquanto a renda variável movimentou R$ 203,5 milhões.
Segundo Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, “os dados de emissões locais e externas reforçam a percepção de um mercado de capitais mais completo e com capacidade de atender diversos cenários de apetite a risco por meio de diferentes estratégias de captação, evidenciando a maturidade do mercado como um todo”.
Debêntures seguem à frente dos FIDCs, mas sofrem baixa
As debêntures seguiram como o principal instrumento de captação do mercado, somando R$ 146,3 bilhões entre janeiro e maio. Apesar da liderança, o montante representa recuo de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Os recursos levantados por meio desses títulos corporativos foram destinados principalmente a investimentos em infraestrutura, que responderam por 43,1% do total. Na sequência aparecem a gestão ordinária das companhias, com 19,2%, e o pagamento de dívidas, com 15,2%.
O prazo médio das debêntures ficou em 8 anos, ligeiramente inferior aos 8,4 anos observados no mesmo intervalo do ano anterior.
FIDCs superam debêntures em número de operações
Os FIDCs registraram o segundo maior volume de captação do período. As ofertas alcançaram R$ 41,7 bilhões, crescimento de 36,5% em relação aos cinco primeiros meses de 2025.
Em quantidade de operações, porém, os fundos assumiram a liderança. Foram 406 emissões de FIDCs, ante 237 operações de debêntures. A modalidade é considerada uma das principais portas de entrada para empresas que buscam acessar o mercado de capitais por meio da antecipação de recebíveis.
Outro destaque veio das notas comerciais. Criado para facilitar o acesso de companhias de menor porte ao mercado por meio de emissões menos burocráticas, o instrumento movimentou R$ 17,1 bilhões no período, alta de 44,9% na comparação anual.
FIIs e Fiagros disparam entre instrumentos híbridos
Entre os instrumentos híbridos, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) captaram R$ 31 bilhões, valor 136,9% superior ao registrado nos cinco primeiros meses de 2025.
Os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais) somaram R$ 5,8 bilhões em emissões, avanço de 226,9%. O crescimento foi impulsionado pelas ofertas concluídas em maio, que totalizaram R$ 1,8 bilhão.
Por outro lado, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) registraram emissões de R$ 15,7 bilhões, queda de 15,2% na comparação anual. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) movimentaram R$ 5,4 bilhões, retração de 56,4%.
As Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-Fs), alternativa aos certificados de recebíveis para financiamento do agronegócio, alcançaram R$ 6 bilhões em ofertas. O montante é 35,8% superior a todo o volume registrado ao longo de 2025.
Follow-ons impulsionam mercado de ações
Na renda variável, os follow-ons — ofertas subsequentes de ações realizadas por empresas já listadas na Bolsa — movimentaram R$ 13,8 bilhões entre janeiro e maio.
O valor é quase quatro vezes superior aos R$ 3,5 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, evidenciando uma retomada desse tipo de captação no mercado acionário.
A Anbima destaca que o IPO (oferta pública inicial de ações) da Compass não foi contabilizado nesse volume porque a operação foi encerrada apenas em junho.
Captações externas avançam e chegam a US$ 20,2 bilhões
No mercado internacional, as emissões de renda fixa alcançaram US$ 20,2 bilhões entre janeiro e maio, resultado 46,2% superior ao observado no mesmo intervalo de 2025.
De acordo com a Anbima, a República foi responsável por mais da metade do volume emitido, com participação de 53,6%. As empresas responderam por 36,3% das captações, enquanto as instituições financeiras concentraram 10,2% do total.
Os números reforçam o aumento da utilização do mercado de capitais tanto no Brasil quanto no exterior, com diferentes instrumentos sendo utilizados para atender perfis distintos de risco e necessidades de financiamento.











