Os mercados globais operam sem direção única nesta sexta-feira (3), em uma sessão de liquidez reduzida devido ao feriado da Independência nos Estados Unidos (EUA), que mantém fechados os mercados de ações e os Treasuries. Com Wall Street fora do radar, os investidores seguem repercutindo o payroll divulgado na véspera, que veio significativamente abaixo das expectativas e reduziu as apostas de que o Federal Reserve (Fed) ainda precise elevar os juros neste ano.
A economia americana criou 57 mil vagas de trabalho em junho, praticamente metade da mediana de 110 mil projetada pelo mercado. Apesar de o saldo de empregos continuar positivo, a geração de vagas ficou concentrada em setores menos cíclicos, enfraquecendo a tese de uma retomada mais disseminada da demanda por trabalho.
O resultado não fez com que o mercado precificasse cortes de juros pelo Fed, mas apenas reduziu a probabilidade de uma nova alta das taxas. A reação foi imediata: segundo o FedWatch, do CME Group, a chance de elevação dos juros na reunião de setembro caiu de 64,3% antes da divulgação do relatório para 50,6% logo após o payroll.
No Brasil, o governo tenta ganhar tempo e manter abertas as negociações com os Estados Unidos para evitar o avanço do tarifaço. Ao mesmo tempo, a disputa comercial começa a migrar para o campo político e eleitoral, ampliando as dificuldades da frente diplomática.
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Nesta quinta-feira (2), o Itamaraty apresentou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) uma resposta de 29 páginas rebatendo as acusações de práticas comerciais desleais e defendendo que a tarifa de 25% imposta ao Brasil não encontra respaldo na legislação americana. No documento, o governo brasileiro argumenta que o Pix é uma infraestrutura pública aberta, interoperável e não discriminatória, destaca a participação de empresas americanas no sistema de pagamentos, contesta as críticas relacionadas à proteção da propriedade intelectual e ao desmatamento e volta a defender a abertura de negociações em torno do etanol.
Paralelamente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que Brasil e USTR reconheceram a necessidade de ampliar o prazo para detalhar propostas. As equipes técnicas voltarão a se reunir no início da próxima semana e realizarão um segundo encontro antes do prazo final das negociações, marcado para 15 de julho.
Enquanto a frente diplomática busca preservar o diálogo, a disputa comercial passou a ser incorporada à campanha presidencial. O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro enviou uma carta ao USTR pedindo a suspensão do tarifaço, argumentando que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao transformar a sobretaxa em instrumento de mobilização eleitoral. O parlamentar também defendeu o Pix e sugeriu que uma eventual implementação das tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras.
A resposta do presidente Lula veio rapidamente. Em publicação nas redes sociais, o petista acusou a família Bolsonaro de “entreguismo”, classificou a iniciativa como “mais uma atitude de traidores da Pátria” e afirmou que a soberania brasileira “não está à venda”, elevando o tom político da disputa enquanto o governo tenta manter aberta a via diplomática com Washington.
Manchetes desta manhã
- Investidor estrangeiro lidera fusões e aquisições no Brasil no semestre (Valor)
- Consumo dos 10% mais ricos gera prejuízos de até US$ 5,7 trilhões por ano ao planeta, diz estudo (Folha)
- Crise dos motores deixa aviões parados, causa prejuízo bilionário e pressiona setor aéreo (Estadão)
- Brasil propõe reduzir alíquotas para produtos de setores dominados pelos EUA para evitar tarifaço (O Globo)
Mercado global opera com liquidez reduzida em dia de feriado nos EUA
As bolsas da Europa operam sem direção única nesta sexta-feira, com liquidez reduzida pelo feriado nos EUA. A revisão para cima dos PMIs de serviços da zona do euro, Alemanha e Reino Unido trouxe algum alívio, embora os indicadores ainda sigam abaixo de 50, patamar que sinaliza contração.
O apetite por risco também recebe apoio do payroll mais fraco nos EUA, que reforçou a expectativa de juros mais baixos pelo Fed.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana em alta, impulsionadas pela recuperação parcial das ações de tecnologia. Na Coreia do Sul, o Kospi liderou o movimento e avançou 5,76%, após a queda de quase 8% na véspera, com forte reação de Samsung Electronics (+8,22%) e SK Hynix (+10,88%).
Em Nova York, os índices futuros também operam mistos nesta sessão de liquidez reduzida devido ao feriado da Independência dos Estados Unidos, que mantém os mercados à vista fechados.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,31%
- FTSE 100: -0,36%
- CAC 40: -0,02%
- Nikkei 225: +1,47%
- Shanghai SE Comp: +0,37%
- Hang Seng: +1,28%
- Ouro (jun): +1,58%, a US$ por 4.190,79 onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,11%, aos 100,76 pontos
- Bitcoin: +0,86% a US$ 62.059,2
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros oscilam perto da estabilidade nesta sexta-feira, em torno de US$ 70 por barril, enquanto investidores acompanham os desdobramentos das negociações indiretas de paz entre Estados Unidos e Irã.
Uma nova rodada de conversas está prevista para ocorrer após o funeral do ex-líder supremo iraniano Ali Khamenei.
O Brent/setembro opera em leve queda de 0,08%, cotado a US$ 71,74 e o WTI/agosto recua 0,32%, a US$ 68,47. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,74% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 108,23/tonelada.
Os contratos futuros recuam pressionados pelos estoques recordes nos portos da China, que seguem pesando sobre as perspectivas para a commodity.
A estatal chinesa China Mineral Resources Group (CMRG) orientou verbalmente algumas siderúrgicas a interromper, a partir de 15 de julho, o recebimento dos minérios de menor teor Super Special Fines e Fortune Fines, produzidos pela Fortescue. A medida ofereceu algum suporte aos preços, mas o mercado continua cético quanto à capacidade das restrições de oferta de promover uma valorização mais duradoura do minério de ferro.
Cenário internacional – Trump pressiona Banco Central dos EUA
Nos EUA, após o payroll mais fraco reduzir as apostas de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a pressão sobre o Banco Central americano. Em entrevista à CNBC, afirmou que o presidente do Fed, Kevin Warsh, enfrenta um conselho “hostil” e anunciou que iniciará um processo para tentar destituir a diretora Lisa Cook.
Na mesma entrevista, Trump declarou acreditar que o Irã aceitou “tudo o que precisávamos” para um acordo e reiterou que não busca uma mudança de regime em Teerã. Apesar do discurso, a tensão no Oriente Médio continua elevada. O comando militar iraniano advertiu que petroleiros deverão seguir apenas as rotas autorizadas por Teerã no Estreito de Ormuz, sob risco de uma “resposta imediata e enérgica”, e afirmou que qualquer intervenção dos Estados Unidos na região provocará uma reação “rápida e decisiva”.
Mesmo com a retórica mais dura, o mercado segue priorizando os sinais de normalização da oferta de petróleo. A Arábia Saudita mais que dobrou os embarques da commodity pelo Estreito de Ormuz desde o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã, enquanto Teerã e Omã mantêm negociações para definir uma nova arquitetura de segurança marítima na região. O principal impasse continua sendo a exigência iraniana de cobrar pedágio pela passagem no estreito, medida rejeitada pelos Estados Unidos.
Na Ásia, investidores estrangeiros compraram um volume recorde de US$ 60 bilhões em ações japonesas no primeiro semestre de 2026, impulsionados pelos ganhos de eficiência de capital das empresas e pelo forte desempenho das companhias ligadas aos setores de semicondutores e inteligência artificial.
Cenário nacional
No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a Resolução 245, que reforça os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro ao ampliar as exigências de diligência para investidores não residentes (INRs) oriundos de países classificados como de maior risco pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).
Também no mercado doméstico, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o plano de reestruturação da CVM apresentado pela União. Segundo o magistrado, a medida permitirá retirar a autarquia da “paralisia”. O plano prevê recomposição do quadro de servidores, aceleração do julgamento de processos e fortalecimento da fiscalização do mercado de capitais.
Na agenda do dia, após o foco do mercado se voltar ao payroll americano na véspera, os investidores acompanham uma bateria de indicadores brasileiros. Às 9h, o IBGE divulga a produção industrial de maio, com expectativa de alta de 0,2%, após avanço de 0,7% em abril. Às 10h, a S&P Global publica os PMIs composto e de serviços do Brasil. Já às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulga a balança comercial de junho.
Também pela manhã, às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, no Palácio do Planalto, de um evento para anunciar novas entregas do programa Minha Casa, Minha Vida.
Destaques do mercado corporativo
- Usiminas: a Moody’s reafirmou o rating Ba2, com perspectiva estável, destacando a sólida posição no mercado brasileiro de aços planos e a forte liquidez.
- Bradesco: aprovou R$ 3,5 bilhões em juros sobre capital próprio, com pagamento até 29 de janeiro de 2027 e ações negociadas ex-direitos em 6 de julho.
- Natura: aprovou programa de recompra de até 28,6 milhões de ações e teve o rating BB+ reafirmado pela Fitch, com perspectiva estável.
- GPA: concluiu a venda de sua participação de 66,7% na Stix para a RD Saúde por R$ 23 milhões.
- Frigoríficos: o Ministério da Agricultura publicou novas regras para o controle do uso de antimicrobianos nas exportações destinadas à União Europeia e ao Reino Unido.
- Qualicorp: concluiu a aquisição das participações minoritárias na Plural e na Oxcorp, passando a deter 100% do capital das duas empresas.











