Um ano após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a tarifa adicional de 50% sobre produtos, o país perdeu participação nas exportações, em um movimento que, segundo a ApexBrasil, antecede o tarifaço, mas ganhou força nos últimos 12 meses.
Dados da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) mostram que as exportações brasileiras aos EUA caíram ao menor patamar desde 1997, somando US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre. Assim, a participação total norte-americana recuou para 9,4%.
Segundo a Apex, em duas décadas, a participação caiu de 19% em 2005 para 11% em 2025, e a média de estados que tinham os EUA como principal parceiro comercial despencou de 17 para seis, com a China ocupando o espaço.
Apesar disso, junho marcou uma retomada (+3,7%) após dez meses consecutivos de queda nas exportações brasileiras aos Estados Unidos, provocada pelas tarifas implementadas em agosto de 2025.
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A Amcham ressalta, porém, que o volume embarcado continuou em queda, indicando que a recuperação ainda não ocorreu de forma disseminada. Além disso, os produtos sujeitos às sobretaxas permaneceram registrando retração nas vendas ao mercado americano.
China e União Europeia ganham espaço nas exportações brasileiras
Enquanto as vendas aos Estados Unidos perderam força, o Brasil ampliou embarques para outros mercados. As exportações para a China cresceram 21,9%, enquanto os embarques destinados à União Europeia avançaram 12,8%.
Segundo o levantamento da Amcham Brasil, o movimento reforça a estratégia de diversificação de mercados adotada por empresas brasileiras após a imposição das tarifas e amplia a dependência da economia brasileira em relação ao mercado chinês.
Os dados também surgem em um momento de expectativa em torno da decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia ampliar tarifas adicionais sobre produtos brasileiros a partir do próximo dia 15 de julho, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os números evidenciam o impacto das medidas sobre o fluxo comercial entre os dois países: “O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301”, afirmou em nota.
Ele acrescenta que, caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos.
Setores continuam sujeitos às tarifas
Dados do Painel de Medidas Tarifárias dos EUA, divulgado nesta semana pela ApexBrasil, mostram que o tarifaço continua afetando uma parcela relevante das exportações brasileiras.
Segundo a agência, produtos que representam 25% do valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos permanecem sujeitos a sobretaxas entre 12,5% e 25%.
Outros 20% das exportações continuam enquadrados na Seção 232, dispositivo da legislação americana que permite restrições comerciais por razões de segurança nacional e alcança setores como ferro, aço, cobre, alumínio, automóveis e autopeças.
O painel também mostra que alguns segmentos apresentam elevada concentração de produtos atingidos pelas tarifas, entre eles, couros (14%) e revestimentos cerâmicos (18%).
A ApexBrasil destaca ainda produtos cuja dependência do mercado americano permanece elevada, como: mel (84% das exportações destinadas aos EUA), sebo bovino (96%), filés de tilápia (94%) e madeiras de coníferas (98%).
Como resposta ao tarifaço, a agência informa ter promovido mais de 80 ações de promoção comercial no último ano. Segundo a ApexBrasil, 72% das empresas apoiadas conseguiram acessar pelo menos um novo mercado de exportação.











