A inflação sobre os preços dos alimentos e da energia elétrica voltou a pressionar o orçamento das famílias da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em maio, afetando mais fortemente as de baixa renda.
O custo de vida na região subiu 0,73% para a classe D e 0,64% para a classe E, acima da média de 0,57% apurada pelo Índice de Vida por Classe Social (CVCS), mensurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Já entre as famílias da classe C, o aumento foi de 0,58%, enquanto nas faixas de renda mais elevadas, a variação foi significativamente menor: 0,49% para a classe B e 0,44% para a classe A.
Com base nesses dados, a FecomercioSP avalia que a inflação deixou de estar concentrada em grupos específicos ou fatores sazonais e passou a atingir diferentes categorias de consumo.
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Além disso, a pressão exercida pelos gastos com habitação, somada à continuidade da alta dos alimentos e ao avanço persistente das despesas com saúde, indica que o orçamento das famílias da RMSP continuará pressionado nos próximos meses, especialmente entre aquelas de menor renda.
De acordo com o estudo, o comportamento do índice reforça que a inflação continua incidindo com mais intensidade sobre as famílias de menor poder aquisitivo, cuja estrutura de gastos é mais concentrada em itens essenciais, como energia elétrica e alimentação.
No resultado geral, o custo de vida da Região Metropolitana registrou alta de 0,57% em maio, revelando um avanço em relação a abril, quando avançou 0,44%. Nos cinco primeiros meses do ano, o indicador acumula alta de 3,12% e em 12 meses, o avanço é de 5,26%.
Inflação reforça diferença entre classes
A diferença entre as faixas de renda também aparece no acumulado de 12 meses. Enquanto o custo de vida avançou 5,85% para a classe D e 5,81% para a classe E, a inflação foi de 4,94% para a classe A e de 4,76% para a classe B.
De acordo com a FecomercioSP, essa discrepância é explicada pelo maior peso que despesas essenciais, como habitação e alimentação dentro do domicílio, exercem no orçamento das famílias de baixa renda.
Energia elétrica lidera pressão sobre famílias de baixa renda
O grupo habitação foi o principal responsável pelo avanço do índice em maio, ao registrar alta de 1,27%, a maior contribuição entre todos os grupos pesquisados.
Nesse recorte, a energia elétrica residencial segue como destaque negativo no mês, após subir 3,69%. Como o pagamento da conta de luz representa uma parcela proporcionalmente maior das despesas das famílias de menor renda, o reajuste teve impacto mais intenso sobre as classes D e E.
Também contribuíram para o aumento do grupo os serviços de mão de obra, com alta de 0,74%, e o aluguel residencial, que avançou 0,26%.
No varejo, os materiais de construção continuam apresentando reajustes próximos de 2,5%. Em 12 meses, o grupo acumula alta de 7,84%, a maior variação entre todos os componentes do CVCS.
Inflação sobre alimentos segue pesando no bolso
O grupo alimentação e bebidas respondeu pela segunda maior contribuição ao índice, com alta de 0,82% em maio. O avanço ficou concentrado na alimentação consumida dentro de casa, principalmente nos produtos in natura comercializados nos supermercados. Os maiores reajustes foram registrados pela batata-inglesa (31,2%), tomate (25,3%), cebola (11,3%) e cenoura (8,3%).
A FecomercioSP ressalta, entretanto, que esse movimento tem caráter sazonal e tende a perder intensidade nos próximos meses. Mesmo assim, alimentos básicos permaneceram pressionando o orçamento familiar.
Na alimentação fora do domicílio, a alta sobre o preço das refeições foi mais moderada, de 0,47%.
Saúde mantém pressão estrutural
As despesas com saúde subiram 0,94% em maio, refletindo aumentos disseminados entre produtos de higiene, medicamentos e serviços. Entre os produtos comercializados no varejo, destacaram-se os reajustes de perfumes (4,6%), produtos para pele (2,9%), produtos para cabelo (2,6%), higiene bucal (2,2%), sabonetes (1,7%), antigripais (1,6%) e analgésicos (1,6%).
Nos medicamentos, os psicotrópicos e anorexígenos avançaram 2,1%, enquanto os hipotensores registraram alta de 0,9%.
Os serviços de saúde também ficaram mais caros, com reajustes de 1,2% para dentistas, 1% para consultas médicas, 0,7% para psicólogos e 0,5% para planos de saúde.
Nos cinco primeiros meses do ano, o grupo acumula alta de 3,87%, reforçando, segundo a FecomercioSP, o caráter estrutural dessa pressão sobre o orçamento das famílias.
Inflação se espalha por outros grupos
O grupo despesas pessoais avançou 0,73%, impulsionado pelos aumentos em hotel (3,9%), boate e danceteria (2,7%) e despachante (2,2%), refletindo a demanda aquecida no período.
Também registraram alta os grupos de vestuário (0,44%), artigos do lar (0,42%) e comunicação (0,41%), indicando que a elevação dos preços está distribuída entre diferentes categorias de consumo.
Combustíveis aliviam transportes, mas passagens fazem contrapeso
O grupo transportes foi o único a recuar em maio, com queda de 0,21%, beneficiado pela redução dos preços dos combustíveis. O etanol caiu 7,5%, o óleo diesel recuou 1,9% e a gasolina ficou 0,6% mais barata.
Em contrapartida, os serviços de transporte e as passagens aéreas registraram alta de 7%. Segundo a FecomercioSP, o movimento sinaliza que as companhias aéreas continuam repassando aos consumidores os custos operacionais ainda impactados pela alta do querosene de aviação.











