A valorização do Ibovespa pode ganhar continuidade nas próximas semanas e levar o principal índice da Bolsa brasileira aos 180 mil pontos, caso a inflação mantenha a trajetória recente e aumente as chances de um novo corte da taxa Selic.
A avaliação é de Luiz Gustavo Budziak, CFO da Quartzo Capital, após o avanço de aproximadamente 3% do índice na última sexta-feira (10), quando voltou a operar na faixa dos 178 mil pontos, nível que não era registrado desde maio.
O movimento foi impulsionado pela divulgação de um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo das expectativas, que fortaleceu as apostas de redução dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo o IBGE, o índice avançou 0,16% em junho, após alta de 0,58% em maio, na menor variação mensal desde outubro.
“Caso o Banco Central opte por uma redução de juros na próxima reunião, uma vez que no mercado financeiro cogita-se um corte de 0,25%, podemos sim, ter uma valorização do Ibovespa”, complementa.
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Copom e inflação ainda limitam o cenário de alta do Ibovespa
Apesar do ambiente mais favorável, o especialista faz uma ressalva. Segundo ele, a ata da reunião de junho do Copom — quando ocorreu o último corte da Selic — trouxe uma comunicação considerada “confusa” sobre os próximos passos da política monetária.
Budziak destaca ainda que a inflação projetada para 2026 permanece em 4,9%, acima da meta, o que pode limitar uma valorização mais intensa dos ativos. O mesmo ocorre com as expectativas para 2027, atualmente em 4%.
Além da inflação, o economista cita outros fatores capazes de influenciar o mercado, como a recente queda do dólar e o comportamento das commodities, especialmente o petróleo, cujo preço vem subindo com a intensificação do conflito no Oriente Médio.
No cenário doméstico, ele acrescenta que a proximidade das eleições aumenta a incerteza política, fator que também pode limitar ou até reverter o movimento positivo da Bolsa nas próximas semanas.
No ambiente internacional, Budziak aponta dois fatores como principais influências para os mercados: a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos nesta terça-feira (14), que reforçou as apostas de manutenção dos juros americanos, e os desdobramentos do conflito envolvendo o Estreito de Ormuz.
Bancos lideram alta no Ibovespa, enquanto varejo exige cautela
Entre os destaques recentes da Bolsa, o especialista cita os setores financeiro e varejista. As ações do Itaú Unibanco avançaram 4,02% na sexta, enquanto o setor financeiro registrou alta de 4,12%.
Mesmo com o desempenho positivo, Budziak pondera que ainda é cedo para esperar benefícios diretos para o varejo. Segundo ele, reduções nos juros costumam produzir efeitos graduais sobre a atividade econômica, enquanto o setor ainda convive com elevado nível de endividamento.
Mercado segue dividido sobre a Selic
Para Budziak, a recente valorização do Ibovespa representa mais uma reação ao IPCA mais fraco do que uma mudança definitiva na percepção dos investidores sobre o início de um ciclo consistente de cortes da Selic.
Ele afirma que os analistas estão divididos em relação à decisão do próximo Copom, embora a maior parte do mercado espere uma redução de 0,25 ponto percentual.
“Cortes constantes de juros ainda irão depender de ajustes de contas públicas e déficit fiscal, queda de inflação, cenário político nacional e ambiente geopolítico internacional. Ou seja, temos ainda muitos desafios a serem destravados nos próximos meses”, conclui.











