Os mercados globais operam em tom misto nesta quinta-feira (16), pressionados pela nova rodada de perdas das ações de semicondutores na Europa e na Ásia, e pela expectativa por indicadores dos Estados Unido (EUA). As bolsas asiáticas encerraram o pregão sob pressão, enquanto os papéis de fabricantes de chips prolongam as perdas também nos mercados europeus. O movimento reflete as dúvidas dos investidores sobre a continuidade do rali das empresas impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.
No front geopolítico, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a escalar no Golfo Pérsico. As forças americanas intensificaram os ataques contra o território iraniano durante a madrugada desta quinta-feira, atingindo alvos no norte do país e também a capital Teerã, que ainda não havia sido bombardeada nesta nova rodada de hostilidades. O Irã respondeu com o lançamento de drones e mísseis contra aliados dos Estados Unidos na região. Teerã advertiu que poderá ampliar a retaliação, mas, ao mesmo tempo, sinalizou disposição para retomar as negociações.
A ofensiva marcou a quinta noite consecutiva de ataques americanos contra o Irã e ocorreu após o restabelecimento do bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a Casa Branca, a medida pretende reabrir o Estreito de Ormuz, fechado por Teerã no último sábado depois do colapso de uma frágil trégua acertada pelos dois países em meados de junho.
O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Mohammad Akraminia, afirmou hoje que o Estreito de Ormuz é uma “linha vermelha” para Teerã e que o país manterá controle firme sobre a passagem. Akraminia acrescentou que, caso os EUA cumpram a ameaça do presidente Donald Trump de bombardear as instalações de energia iranianas, as Forças Armadas do país atacarão “toda a infraestrutura remanescente” na região. Segundo o general, a resposta será mais severa, mais ampla e mais destrutiva do que os ataques realizados anteriormente.
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Apesar da sequência de hostilidades no Golfo Pérsico, o petróleo operava próximo da estabilidade nesta manhã. A acomodação ocorre depois de três sessões consecutivas de alta e de uma valorização acumulada de quase 12% nesta semana. Por volta das 8h, o contrato do petróleo Brent com vencimento em setembro, referência para os preços internacionais, recuava 0,22%, negociado a US$ 84,96 por barril na Intercontinental Exchange, a ICE.
No Brasil, o mercado repercute a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na noite desta quarta-feira (15). O novo tarifaço começará a valer no próximo dia 22.
Apesar da medida, boa parte dos produtos mais importantes da pauta exportadora brasileira não será atingida pela nova cobrança. O impacto poderá ser parcialmente mitigado pela lista de exceções, que contempla 864 produtos. Entre os itens preservados estão petróleo, café, carne bovina, suco de laranja e componentes para aeronaves. Produtos como açaí e água de coco também ficaram de fora da tarifa adicional. A relação reúne mercadorias consideradas sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto de uma tarifa sobre os preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente para abastecer o mercado dos Estados Unidos.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) informou que ainda divulgará a relação dos produtos efetivamente atingidos pelas tarifas. O órgão também afirmou que o Brasil concedeu benefícios ao México e à Índia, enquanto os Estados Unidos não receberam o mesmo tratamento.
A decisão resulta de uma investigação comercial conduzida pelo USTR durante um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo permite ao governo americano investigar e combater possíveis barreiras comerciais adotadas por outros países.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o governo brasileiro classificou a tarifa americana como “ilegal” e sinalizou que iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica. O comunicado afirma ainda que a cobrança de 25% não possui justificativa e acusa os Estados Unidos de ignorarem as negociações. A nota também atribui parte da escalada da disputa comercial à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo a Amcham Brasil, o novo tarifaço deverá afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras da indústria e do agronegócio. A entidade também classificou a decisão como um resultado “muito negativo” para a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Manchetes desta manhã
- Caso Master: Liquidante listou crédito de R$ 5,5 mi do Master a presidente da Febraban (Valor)
- Após tarifaço, EUA negam querer acabar com o Pix (Folha)
- Senado impõe pauta-bomba e sai para recesso sem votar projetos prioritários para governo Lula (Estadão)
- Orçamento de 2027 deve prever aporte bilionário nos Correios (O Globo)
Mercado global oscila com perdas no setor de tecnologia e escalada no Oriente Médio
A maioria das bolsas asiáticas fechou em queda, com a forte desvalorização das ações de fabricantes de chips americanas, o que aumentou as dúvidas sobre a continuidade do rali impulsionado pela IA.
A Coreia do Sul liderou as perdas: o Kospi caiu 6,37%, com as ações da Samsung Electronics recuando 8,77% e da SK Hynix despencando 11,53%, levando a Bolsa a suspender temporariamente os negócios. O mercado também reagiu à decisão do Banco da Coreia (BoK), que elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 2,75%, na primeira alta em três anos e meio.
Na Europa, os mercados também são pressionados pelo tombo das ações de semicondutores, em meio às fortes perdas registradas na Coreia do Sul. Os investidores também monitoram os desdobramentos da tensão entre Estados Unidos e Irã e seus impactos sobre o petróleo.
No campo econômico, a zona do euro registrou déficit comercial de 5 bilhões de euros em maio, após superávit de 800 milhões de euros em abril, enquanto a produção industrial do Reino Unido recuou 0,5% no mês, resultado pior que o esperado.
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda, após o rali da véspera provocado pelo alívio da inflação nos Estados Unidos. Agora, os investidores voltam as atenções para os dados de vendas no varejo e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, que podem calibrar as expectativas sobre a força da economia americana.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,17%
- FTSE 100: -0,35%
- CAC 40: -0,88%
- Nikkei 225: -2,79%
- Shanghai SE Comp: -1,85%
- Hang Seng: +1,33%
- Ouro (jun): -0,67%, a US$ por 4.024,50 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,05%, aos 100,57 pontos
- Bitcoin: -1,59% a US$ 64.129,2
Commodities
- Petróleo: após três sessões consecutivas de forte valorização, os preços do petróleo operam próximos da estabilidade nesta quinta-feira, mesmo com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e novos ataques na região. Segundo o Wall Street Journal, o presidente Donald Trump avalia ampliar as ações militares contra Teerã.
O Brent/setembro recua 0,45%, cotado a US$ 84,57, após acumular quase 12% de alta nos últimos três pregões, enquanto o WTI/agosto cede 0,18%, para US$ 79,46. - Minério de ferro: fechou estável em Dalian, na China, cotado a US$ 112,23 a tonelada, ainda marcado pela fraqueza simultânea da oferta e da demanda.
Segundo analistas da Nanhua Futures, faltam catalisadores de curto prazo capazes de sustentar uma direção mais clara para os preços. A corretora avalia, porém, que o cenário pode ganhar volatilidade diante das baixas avaliações dos metais ferrosos, da alta do petróleo e dos possíveis impactos da greve na BHP sobre o fornecimento da commodity.
Cenário internacional destaca agenda econômica dos EUA
Ao longo desta quinta-feira, os mercados acompanham uma agenda carregada de indicadores econômicos e balanços corporativos capazes de movimentar os ativos globais. Nos Estados Unidos, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego, os estoques empresariais, os dados de moradias pendentes e as vendas no varejo de junho, cuja expectativa é de alta de 0,2%.
A temporada de balanços também ganha força. O principal destaque é o resultado da TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, que deve fornecer novas indicações sobre o ritmo dos investimentos globais em inteligência artificial. Antes da abertura dos mercados americanos, divulgam seus números GE Aerospace e UnitedHealth. Após o fechamento, será a vez de Netflix e Alcoa.
Cenário nacional
No Brasil, depois da surpresa negativa do setor de serviços — que recuou 0,4% em maio, reforçando a percepção de desaceleração gradual da economia —, as atenções se voltam para a Pesquisa Mensal do Comércio. Às 9h, o IBGE divulga as vendas do varejo de maio. A expectativa do mercado é de recuperação, com avanço de 0,7% no varejo restrito e de 0,8% no varejo ampliado, devolvendo parte das perdas registradas em abril.
No cenário doméstico, o governo publicou, no fim da noite desta quarta-feira, uma medida provisória para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores rurais e cooperativas. O acordo foi costurado entre o Ministério da Fazenda, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o Congresso Nacional e busca evitar que o elevado endividamento do setor comprometa as próximas safras, além de esvaziar o projeto de lei aprovado pelo Senado, considerado mais oneroso pela equipe econômica.
A medida provisória cria duas modalidades de crédito destinadas a produtores que registraram perdas entre 2019 e 2025 em decorrência de eventos climáticos ou da oscilação dos preços agrícolas. O financiamento poderá ser pago em oito anos, com dois anos de carência e sem exigência de entrada, prazo que poderá chegar a dez anos nos casos mais graves. As taxas de juros variarão entre 5% e 11% ao ano para produtores com maiores perdas e entre 6% e 12% ao ano para os demais beneficiários.
O texto também autoriza a criação de um fundo garantidor para operações de crédito rural, permite o reaproveitamento das garantias já existentes e prorroga por até 30 dias o vencimento das parcelas elegíveis enquanto o programa é implementado pelas instituições financeiras.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o impacto fiscal da medida deverá ficar abaixo de R$ 4 bilhões, limite considerado viável pelo governo para atender às demandas do setor sem comprometer as contas públicas.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: recebeu autorização da Aneel para operar uma usina solar de 13,5 MW no Complexo Boaventura (RJ), em regime de autoprodução, com concessão de 35 anos.
- Brava Energia: CVM aceitou recurso da Ecopetrol na OPA de controle, exigindo aditamento da oferta e nova data para o leilão.
- Light: homologou aumento de capital de R$ 1,5 bilhão e protocolou pedido para encerrar sua recuperação judicial.
- Copel: elevou sua meta de alavancagem para 2,9 vezes e ampliou para até 48 meses o prazo de convergência da estrutura de capital.
- Alupar: a Phronesis Investimentos aumentou participação para 5,45% das ações preferenciais exclusivamente para investimento.
- Iguatemi: atualizou os valores de duas parcelas de dividendos remanescentes, com pagamentos previstos para julho e outubro.
- Ânima Educação: acionistas controladores elevaram a participação conjunta para 36,97% do capital, sem alteração do controle.











