Os mercados operam mistos nesta quinta-feira (30), em uma sessão marcada pelo avanço dos índices futuros de Wall Street, sustentados pelo balanço acima do esperado da Microsoft e pela expectativa dos resultados de Amazon e Apple. Os investidores ainda assimilam a decisão do Federal Reserve (Fed) pela manutenção dos juros e monitoram a nova escalada da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos contra alvos militares no Irã.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quinta-feira (30), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram, durante a madrugada desta quinta-feira, uma operação de aproximadamente duas horas contra dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no Irã, incluindo centros de comando militar e instalações de drones.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), a ação teve como objetivo reduzir as ameaças representadas pelo Irã e seus aliados às tropas americanas, à navegação comercial e aos países do Golfo. A ofensiva foi uma resposta aos ataques com mísseis balísticos disparados por Teerã contra forças americanas no Oriente Médio no início da semana.
O Irã confirmou na quarta-feira (29) ter lançado os mísseis, enquanto a Jordânia informou ter interceptado cinco projéteis iranianos em seu espaço aéreo. Em resposta aos ataques americanos, a Guarda Revolucionária afirmou que “punirá o agressor” ainda nesta quinta-feira e advertiu que países que apoiarem os Estados Unidos também poderão ser alvo de retaliações. Segundo a mídia estatal iraniana, a principal base americana na Jordânia é um dos possíveis alvos da resposta militar.
Ao mesmo tempo, a agência iraniana ILNA informou que seguem as negociações com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais importantes para o transporte global de petróleo.
A escalada do conflito também atingiu o Mediterrâneo. Dois navios de gás natural liquefeito (GNL) foram atingidos por projéteis praticamente no mesmo horário, na costa do Egito, e pegaram fogo. Uma empresa de segurança marítima informou que as embarcações teriam sido atingidas por drones, embora até o momento nenhum grupo tenha reivindicado a autoria dos ataques.
O Ministério do Petróleo do Egito confirmou apenas a ocorrência de um incêndio no porto, sem mencionar ataques por drones. Trata-se dos primeiros ataques contra navios em águas egípcias desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro. Os episódios reforçam o temor de que o conflito se espalhe para outros países da região. Na semana passada, os houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita.
A Guarda Revolucionária afirmou ainda que dois petroleiros, acompanhados por aeronaves americanas, tentaram utilizar durante a noite a rota sul do Estreito de Ormuz. Segundo comunicado divulgado pela AFP, uma das embarcações sofreu um grande incêndio, levando ambas a retornarem rapidamente. O Irã classificou essa rota, próxima à costa de Omã e considerada protegida pelos Estados Unidos, como “insegura”.
Desde o fim do cessar-fogo, Teerã intensificou ataques contra embarcações que utilizam essa passagem marítima. Como consequência, grande parte dos navios, especialmente petroleiros, passou a navegar em “modo escuro”, com os transponders desligados para dificultar sua localização. “O Estreito de Ormuz é nosso território, e a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica o controla firmemente”, afirmou o IRGC.
A escalada também reacende preocupações sobre a segurança de outras rotas estratégicas para o comércio global, como o Mar Vermelho, o Mar Negro e o Mar de Azov. Empresas de navegação já revisam rotas, elevam gastos com seguros e ampliam estoques de segurança diante do aumento dos riscos logísticos, que também se estendem ao Canal do Panamá.
Apesar do agravamento das tensões no Oriente Médio, os contratos futuros do petróleo operam em queda, em um pregão marcado por forte volatilidade. Os investidores voltam suas atenções para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), marcada para domingo. A expectativa é de que o grupo anuncie um aumento de aproximadamente 188 mil barris por dia na produção a partir de setembro.
Analistas destacam que a principal variável para o comportamento dos preços segue sendo a política de oferta da Opep+ e o grau de cumprimento das cotas pelos países integrantes do cartel.
Mercado de trabalho concentra atenções no Brasil
No Brasil, a agenda econômica é dominada pelos indicadores do mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE.
O resultado ficou abaixo dos 5,6% registrados no trimestre encerrado em maio e dos 5,8% observados no mesmo período de 2025. Apesar da melhora do indicador, 14,659 milhões de pessoas ainda enfrentavam algum tipo de insuficiência de trabalho no país.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho recuou de 14,3% para 12,9%, refletindo a redução da desocupação, da subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e da força de trabalho potencial — pessoas que não buscavam emprego, mas estavam disponíveis para trabalhar.
Os investidores também acompanham a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes a junho, em busca de novos sinais sobre a trajetória do mercado de trabalho brasileiro.
Manchetes desta manhã
- Guerra e crise no agro derrubam demanda por fertilizantes no país (Valor)
- Concessões de empréstimos no Brasil sobem 6,5% em junho, diz BC (Folha)
- Após semanas de restrições, Irã libera passagem de navio pelo Estreito de Ormuz (Estadão)
- Inadimplência segue em patamar recorde mesmo com renegociações do Desenrola 2.0, mostra BC (O Globo)
Mercado global
As bolsas europeias abriram a sessão com desempenho misto, na expectativa pela decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE), com previsão de manutenção da taxa básica em 3,75%, após o Fed também deixar os juros inalterados na véspera.
A temporada de balanços também movimenta os mercados, com destaque para Schneider Electric, que salta 8,6% após elevar suas projeções para o ano, a L’Oréal avança 2,4% com vendas acima das expectativas no segundo trimestre, enquanto a Adidas despenca 18%, apesar de revisar para cima sua estimativa de vendas para 2026.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, com a Coreia do Sul revertendo os ganhos iniciais em uma sessão marcada pela volatilidade. Apesar do forte resultado da Samsung e dos balanços positivos das gigantes de tecnologia dos EUA, persistiram as dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em IA.
As ações da Samsung encerraram o dia em alta de 2%, enquanto o índice Kospi recuou 1,23%, após devolver uma valorização de quase 5% registrada na abertura.
Em Nova York, os índices futuros operam em alta, impulsionados pelo sólido balanço da Microsoft, que fortaleceu a percepção de que os investimentos bilionários em inteligência artificial começam a se traduzir em resultados e com expectativa pelos resultados de Amazon e Apple, previstos para após o fechamento.
O mercado também assimila a decisão do Federal Reserve de manter os juros inalterados e acompanha a renovação das tensões no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,48%
- FTSE 100: +0,31%
- CAC 40: +1%
- Nikkei 225: +0,71%
- Shanghai SE Comp: -0,62%
- Hang Seng: +0,20%
- Ouro (jun): +0,90%, a US$ por 4.072,75 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,18%, aos 100,64 pontos
- Bitcoin: +0,99% a US$ 64.898,4
Commodities- petróleo recua apesar da nova ofensiva dos EUA contra o Irã
- Petróleo: os contratos futuros do recuam, após o salto registrado na véspera, mas seguem em sessão volátil diante da escalada das tensões no Oriente Médio. O mercado monitora os confrontos entre EUA e Irã e também aguarda a reunião da Opep+, no domingo, quando o grupo deve aprovar um novo aumento da produção para setembro.
O Brent/setembro recua 0,39%, cotado a US$ 90,39 e o WTI/setembro perde 0,81%, a US$ 83,78. - Minério de ferro: fechou em queda de 3,31% em Dalian, na China, cotado a US$ 105,83 a tonelada.
Cenário internacional destaca agenda econômica nos EUA e juros na Europa
A agenda econômica desta quinta-feira concentra indicadores capazes de influenciar as expectativas para a política monetária global. Nos Estados Unidos, os investidores acompanham a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, além dos dados de renda e gastos pessoais e do índice de preços de gastos com consumo (PCE) de junho, principal medida de inflação monitorada pelo Federal Reserve (Fed).
Na avaliação do Bradesco, os números serão determinantes para medir o ritmo da atividade econômica e a persistência das pressões inflacionárias, fatores que podem redefinir as apostas para os próximos passos do banco central americano.
Na Europa, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros em 3,75%, em decisão amplamente esperada pelo mercado. O Comitê de Política Monetária aprovou a manutenção por seis votos a três, enquanto Huw Pill, Megan Greene e Catherine Mann defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
A autoridade monetária reiterou que está pronta para agir caso a inflação volte a ganhar força, ao mesmo tempo em que busca administrar a volatilidade provocada pelas recentes oscilações nos preços da energia.
Brasil: mercado acompanha Tesouro, CMN e agenda política
No Brasil, a agenda também é intensa. Às 15h, o Tesouro Nacional concede entrevista coletiva para detalhar o resultado primário do Governo Central. Mais tarde, às 18h, ocorre a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), acompanhada de perto pelos agentes financeiros em busca de eventuais sinalizações sobre a condução da política econômica.
Na sequência, às 18h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do podcast Inteligência Ltda., entrevista que também estará no radar do mercado diante da possibilidade de declarações sobre temas econômicos e fiscais.
No campo político, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pagamento de multa de R$ 15 mil por propaganda eleitoral antecipada no estado. A decisão, assinada pelo juiz Ronnie Hebert Barros Soares, acolheu parcialmente ação apresentada pelo partido Missão e respaldada pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo.
Entre os programas do governo em andamento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que já aprovou R$ 20 bilhões em financiamentos por meio da linha BNDES Mais Mobilidade, destinada à renovação da frota de veículos pesados e à modernização do transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros.
O volume corresponde a 95% dos R$ 21 bilhões previstos para o programa. Apesar da forte demanda, o banco informou que o prazo para protocolar novas operações permanece aberto até 28 de agosto de 2026.
A temporada de resultados corporativos ganha força nesta quinta-feira. Antes da abertura dos mercados, divulgam seus balanços Ambev (ABEV3), Mastercard e Usiminas (USIM5). Após o fechamento, os holofotes estarão voltados para os números de Vale (VALE3), Apple, Amazon e Multiplan (MULT3), que devem influenciar o comportamento dos mercados na reta final da semana.
Destaques do mercado corporativo
- Bradesco: aprovou aumento de capital de até R$ 10 bilhões e antecipou o pagamento de juros sobre capital próprio para setembro.
- Petrobras: adiou para o fim de agosto a conclusão da perfuração do poço na Foz do Amazonas.
- Taesa: recebeu autorização do ONS para energizar reforço da concessão ATE, ampliando sua RAP em cerca de R$ 19 milhões.
- Cogna: passou a ser a principal recomendação de compra do Bradesco BBI para o setor de educação.
- Ânima: teve a recomendação rebaixada para neutra pelo Bradesco BBI.
- Casas Bahia: Itaú BBA retomou a cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 1.
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