Com exceção dos mercados asiáticos que registraram queda relevante pressionados por uma nova onda de realização de lucros em ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial, as bolsas globais iniciam a semana em alta, sustentados pela expectativa de uma retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano ainda nesta segunda-feira (3).
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta segunda-feira (03), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
O otimismo ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender uma nova rodada de ataques ao Irã no fim de semana, atendendo a pedidos de Teerã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. Segundo Trump, um acordo envolvendo a segurança do Estreito de Ormuz e a desnuclearização do Irã é “iminente”. Teerã, no entanto, nega que existam negociações diretas previstas com Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que não há conversas em andamento com os Estados Unidos nem reuniões agendadas entre os dois países. Segundo ele, o governo iraniano não pretende receber delegações estrangeiras nem enviar negociadores ao exterior nos próximos dias. Baghaei acrescentou que todos os negociadores permanecem no país, com exceção do chanceler Abbas Araqchi, que participa de uma peregrinação religiosa no Iraque. De acordo com o porta-voz, as únicas tratativas atualmente em curso envolvem Omã e dizem respeito à administração do Estreito de Ormuz.
Até o momento, Washington não conseguiu convencer o Irã a abrir mão do controle sobre a estratégica via marítima, fator que eleva as cotações internacionais do petróleo e pressiona os preços da gasolina nos Estados Unidos, tema de grande sensibilidade política para a Casa Branca.
Refletindo a perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio, os contratos internacionais do petróleo recuavam quase 5% na abertura dos negócios desta segunda-feira. O movimento também foi impulsionado pela decisão da Opep+ de ampliar a produção em setembro. No domingo, o cartel confirmou um aumento de 188 mil barris por dia na oferta, concluindo o processo de reversão dos cortes voluntários iniciado em 2023.
Brasil: decisão do Copom concentra atenções nesta semana
No Brasil, as atenções se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (5). A manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed) reduziu parte da pressão sobre os mercados internacionais e reforçou a expectativa de que o Comitê reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.
A precificação do mercado aponta praticamente consenso em torno desse movimento, com a curva de juros atribuindo 100% de probabilidade ao corte. O principal ponto de atenção, no entanto, será a comunicação da autoridade monetária sobre os próximos passos do ciclo de afrouxamento.
Entre os economistas, a avaliação predominante é de que uma redução nesta semana deverá ser seguida por uma pausa. No mercado financeiro, contudo, as apostas seguem divididas para a reunião de setembro, entre um novo corte de 0,25 ponto percentual e a manutenção da taxa básica. A expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização foi fortalecida pelos sinais recentes de desaceleração da inflação, com o IPCA-15 praticamente estável, indicadores benignos dos núcleos inflacionários, perda de fôlego da atividade econômica e acomodação do mercado de trabalho.
Campos Neto ressalta que, embora a inflação venha mostrando desaceleração, permanecem fatores capazes de pressionar os preços nos próximos meses, como a evolução das cotações do petróleo e dos alimentos. Ao mesmo tempo, apesar da moderação observada no mercado de trabalho, as medidas de estímulo adotadas pelo governo continuam sustentando o consumo e mantendo pressão sobre a inflação de serviços.
Manchetes desta manhã
- Multinacionais aproveitam ações baratas e aceleram a retirada de filiais da Bolsa (Valor)
- Governo avalia que lobby das big techs dificulta votação de PL dos mercados digitais antes das eleições (Folha)
- Brasil tem conta de luz mais cara que 77 países e reforma poderia diminuir custos em até 32% (Estadão)
- Trump confirma intervenção no câmbio japonês e diz que agiu por ‘amizade’ (O Globo)
- Notas fiscais emitidas hoje sem informar valor de CBS e IBS não serão rejeitadas (Valor)
Mercado global avança com expectativa de acordo entre EUA e Irã
Em Nova York, os índices futuros abriram a sessão desta segunda-feira em alta, após o presidente Donald Trump anunciar que novas negociações entre Washington e Teerã terão início hoje, reduzindo a percepção de risco geopolítico.
As bolsas europeias também operam em alta, impulsionadas pela expectativa de uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio e pela forte queda dos preços do petróleo. Na Europa, o movimento favorece o setor de viagens, com a Lufthansa avançando 2,24%, enquanto as petroleiras recuam, com a BP em baixa de 1,59%.
Já a AstraZeneca despenca 4,94% após notícias de que a farmacêutica teria discutido uma possível fusão com a americana Bristol Myers Squibb.
Os mercados da Ásia são exceção. As praças fecharam majoritariamente em queda, pressionadas por uma nova onda de vendas de ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial. O destaque negativo foi o Kospi, da Coreia do Sul, que despencou 5,12%, , após saltar 17,91% na sexta-feira.
Na contramão, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,48%, impulsionado pela alta de 5% da Alibaba, após a apresentação de um novo modelo de IA, e pelo ganho superior a 2% da Tencent.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,58%
- FTSE 100: +0,06%
- CAC 40: +1,26%
- Nikkei 225: -0,94%
- Shanghai SE Comp: -0,59%
- Hang Seng: +0,48%
- Ouro (jun): +0,05%, a US$ por 4.109,01 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,16%, aos 99,75 pontos
- Bitcoin: -0,77% a US$ 62.628,1
Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros despencam, pressionados pelo avanço das expectativas de uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio. O movimento ganhou força após Trump anunciar uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã nesta segunda-feira e revelar que desistiu de um grande ataque militar após apelos de aliados. O mercado também repercute a decisão da Opep+ de elevar a produção em 188 mil barris por dia a partir de setembro, reforçando a perspectiva de maior oferta global.
O Brent/outubro cede 5,17%, cotado a US$ 83,46 e o WTI/setembro cai 6,22%, a US$ 79,40. - Minério de ferro: fechou em forte queda de 2,85% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 103,35/ton, pressionado pelas preocupações com a fraqueza estrutural da demanda na China.
Segundo análise do ANZ Research, há poucas perspectivas de recuperação do consumo de aço no país, a menos que Pequim adote estímulos mais robustos para impulsionar a economia. Em um cenário de demanda doméstica fraca e estoques elevados, a instituição avalia que os preços da commodity devem permanecer sob pressão.
Cenário internacional
Nos EUA, líderes do Senado chegaram a um acordo para manter o governo federal financiado até 11 de dezembro, reduzindo o risco de shutdown durante a campanha para as eleições de meio de mandato. A proposta deve ser votada ainda nesta semana, antes do recesso parlamentar de agosto, antecipando as negociações para evitar um novo impasse às vésperas do encerramento do ano fiscal, em 30 de setembro.
No mercado cambial, EUA e Japão admitiram ter realizado uma intervenção coordenada para fortalecer o iene, na primeira operação conjunta com esse objetivo desde que o G7 atuou para enfraquecer o iene após o terremoto de 2011. Segundo o Ministério das Finanças japonês, a medida buscou conter a volatilidade excessiva da moeda. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que novas intervenções poderão ser adotadas caso os movimentos do câmbio permaneçam desordenados.
A agenda econômica internacional também será movimentada. Nesta segunda-feira, investidores acompanham os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria na zona do euro e nos Estados Unidos. Na quarta-feira, serão divulgados os PMIs e o ISM de serviços dos EUA, além dos estoques semanais de petróleo do Departamento de Energia (DoE).
No mesmo dia, a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, participa de evento acompanhado de perto pelo mercado em busca de sinais sobre a política monetária. Na quinta-feira, será a vez de Alberto Musalem, do Fed de St. Louis, enquanto Tom Barkin, do Fed de Richmond, fala na sexta-feira.
Na Europa, a agenda inclui as leituras finais dos PMIs industrial, de serviços e composto, hoje e na quarta-feira. Na quinta-feira, saem as vendas no varejo da zona do euro, enquanto a sexta-feira reserva a divulgação das encomendas à indústria e da produção industrial da Alemanha.
Brasil: reforma tributária entra em nova etapa com CBS e IBS
No Brasil, a semana começa a divulgação do tradicional Boletim Focus, o último antes da decisão de política monetária do Copom, marcada para quarta-feira (5). O mercado acompanhará, na terça-feira, os dados da produção industrial de junho, cuja mediana das projeções coletadas pelo Broadcast aponta para queda de 0,6%, após recuo de 0,2% em maio.
Hoje foi divulgado o IPC-S da quarta semana de julho, que registrou queda de 0,08%, acumulando alta de 3,86% em 12 meses. Cinco das oito classes de despesas que compõem o índice apresentaram desaceleração.
No campo tributário, entra em vigor uma nova obrigação acessória relacionada à reforma tributária. Empresas de setores como transporte, energia e varejo passam a informar de forma detalhada a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Caso as informações não sejam enviadas, a Receita Federal notificará os contribuintes para regularização em até 60 dias, com previsão de aplicação de multas em caso de descumprimento.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: reajustou em 1,9% o preço do querosene de aviação, revertendo parcialmente os fortes cortes realizados nos dois meses anteriores.
- Itaú: concluiu a venda da operação de varejo para pessoas físicas na Colômbia ao Banco de Bogotá, envolvendo carteira de crédito e depósitos bilionários.
- Santander Brasil: o conselho aprovou a exoneração de Maria Elena Lanciego Perez do cargo de diretora vice-presidente executiva.
- CSN: teve o rating rebaixado pela Fitch para CCC+, diante da elevada alavancagem e dos riscos de refinanciamento.
- AXIA: concluiu, em conjunto com a Isa Energia, o descruzamento de participações societárias em projetos de transmissão.
- Telefônica Brasil: provou a incorporação da Fibrasil, sem emissão de novas ações ou aumento de capital.
- Natura: recebeu pedido de acionistas para convocação de AGEs visando discutir dispensa de OPA e mudanças no conselho.
- JHSF: aprovou a 19ª emissão de debêntures, com captação potencial de até R$ 1 bilhão.
- AstraZeneca: avalia uma fusão com a Bristol Myers Squibb que pode criar uma companhia avaliada em cerca de US$ 400 bilhões.
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