Os mercados globais operam majoritariamente em alta nesta terça-feira (4), sustentados pelo avanço da temporada de balanços corporativos, que continua reforçando o apetite por risco. Resultados acima das expectativas renovam a confiança dos investidores na capacidade das empresas de manter o crescimento dos lucros, favorecendo o desempenho das bolsas internacionais.
Ao mesmo tempo, os investidores acompanham com cautela os avanços das negociações entre Estados Unidos e Irã, que seguem influenciando o comportamento do mercado de petróleo.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta terça-feira (04), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
No campo geopolítico, as atenções seguem voltadas às negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que já dura cinco meses. Na segunda-feira (3), o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a nova rodada de conversas como a “última chance” para um acordo, enquanto Teerã voltou a negar que haja negociações diretas em andamento.
Nesta manhã, no entanto, o Catar informou que uma minuta de acordo já foi elaborada e circula entre as partes, acrescentando que o foco agora é buscar uma solução de curto prazo capaz de destravar as negociações entre Washington e Teerã. Apesar disso, o governo catariano ressaltou que não há previsão de encontros diretos entre os dois países.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país continuará defendendo suas fronteiras, mas reiterou que não pretende ampliar o conflito. Em tom mais duro, o conselheiro militar do Líder Supremo, Mohsen Rezaei, declarou à TV estatal iraniana que as Forças Armadas “não ficarão de braços cruzados” diante do bloqueio naval e que o Irã não aceitará, em nenhuma hipótese, a abertura de qualquer rota pelo Estreito de Ormuz que não seja a rota iraniana.
Há pouco, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz poderá ser fechado já nesta quarta-feira, destacando que a situação no Golfo permanece em elevada tensão nos últimos dias.
Copom entra em cena, com comunicado no foco do mercado
No Brasil, diretores do Banco Central reúnem-se hoje na primeira sessão para a Análise de Conjuntura do Comitê de Política Monetária (Copom), etapa que antecede a decisão sobre a taxa Selic, prevista para ser anunciada nesta quarta-feira (5), após as 18h30. A expectativa é praticamente unânime de um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa básica de juros para 14% ao ano.
Mais do que a decisão em si, os investidores acompanham o comunicado do Banco Central em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. Nas últimas semanas, a percepção do mercado mudou: se antes agosto era visto como o encerramento do ciclo de cortes, a sequência de indicadores mais favoráveis passou a manter aberta a possibilidade de uma nova redução em setembro.
A melhora do quadro inflacionário, os sinais de desaceleração da atividade econômica e a queda dos preços do petróleo levaram diversas instituições financeiras a revisar suas projeções, embora nenhuma espere que o Banco Central antecipe sua estratégia. A expectativa predominante é de um comunicado equilibrado, reconhecendo a desaceleração da inflação e da economia, mas preservando um balanço de riscos ainda assimétrico e a flexibilidade para decidir reunião a reunião.
Entre as projeções, Santander e Bank of America (BofA) já estimam um novo corte de 0,25 ponto percentual em setembro, levando a Selic para 13,75% ao ano. Apesar da melhora dos indicadores recentes, as expectativas de inflação para os próximos anos continuam acima da meta oficial, permanecendo como o principal fator de cautela para o Banco Central.
Com a decisão desta quarta-feira praticamente precificada, o mercado tentará interpretar a mensagem do Copom para avaliar se a autoridade monetária apenas manterá aberta a possibilidade de um novo corte em setembro ou começará a preparar o terreno para uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário.
Manchetes desta manhã
- Cresce o volume de recuperações judiciais de pequenas empresas (Valor)
- Lula envia ao Senado indicação de novo diretor da CVM (Folha)
- Empresas brasileiras podem movimentar R$ 500 milhões com vendas de data centers (Estadão)
- Número de pedidos negados pelo INSS cresce 70% e já chega a quase metade do total (O Globo)
- Bitcoin recua, a US$ 63.656,42, ante fase de consolidação de preços (Valor)
Mercado global avança com temporada de balanços
Em Nova York, os índices futuros ampliam os ganhos da sessão anterior, à medida que a temporada de balanços segue fortalecendo o otimismo dos investidores. O movimento é impulsionado por resultados corporativos acima das expectativas, que reforçam a confiança na capacidade das empresas de sustentar o crescimento dos lucros e mantêm o apetite por ativos de risco
As bolsas europeias operam em alta, com os investidores concentrando atenções na temporada de balanços corporativos, que segue ditando o ritmo dos mercados na região.
Entre os destaques, as ações da Bayer avançavam 4,37% após a companhia voltar a registrar lucro no segundo trimestre, beneficiada pela redução das despesas com processos judiciais. Na outra ponta, os papéis do HSBC recuavam 1,56%, mesmo após o banco divulgar lucro acima das expectativas e anunciar um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão.
Já na Ásia, os mercados encerraram o pregão majoritariamente em alta, com investidores voltando, de forma cautelosa, às ações de tecnologia após a forte correção da semana passada desencadeada pelo avanço da inteligência artificial.
O principal destaque negativo ficou com Hong Kong, que recuou 0,60%, após a Alibaba (+0,48%) apresentar seu maior modelo de IA até agora. Segundo a companhia, o Qwen3.8-Max superou o Fable 5, da Anthropic, e o Kimi K3, da Moonshot, em diversos testes de desempenho, além de oferecer custos significativamente menores.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,21%
- FTSE 100: +0,36%
- CAC 40: +0,09%
- Nikkei 225: +0,32%
- Shanghai SE Comp: +0,33%
- Hang Seng: -0,60%
- Ouro (jun): +1,13%, a US$ por 4.136,72 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,06%, aos 99,90 pontos
- Bitcoin: +2,02% a US$ 63.954,2
Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros diminuíram o ritmo de alta, enquanto investidores acompanham novos sinais sobre a crise no Oriente Médio. O foco segue nas declarações de Trump, que afirmou que as negociações com o Irã estão avançando, após ter suspendido novos ataques no fim de semana.
O governo iraniano negou a existência de tratativas diretas, mas confirmou conversas mediadas por Omã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Brent/outubro sobe 0,31%, cotado a US$ 84,03 e o WTI/setembro recua 0,14%, a US$ 80,23. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,43% em Dalian, na China, cotado a 699,50 US$ 103,58/ton.
Cenário internacional – EUA enfrentam nova pressão sobre tarifas comerciais
Nos EUA, o governo de Donald Trump enfrenta nova pressão judicial. Uma coalizão formada por 25 estados governados por democratas acionou a Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos, alegando que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor tarifas generalizadas sobre produtos de 60 parceiros comerciais.
A ação contesta alíquotas entre 10% e 12,5% que atingem a maior parte das importações desses países — responsáveis por 99,4% das compras externas americanas — e pede a suspensão das medidas, a declaração de ilegalidade das tarifas e o reembolso dos valores já recolhidos.
O processo amplia a ofensiva iniciada por pequenas empresas, que também recorreram à Justiça para barrar as tarifas. Embora essas contestações já tenham obtido vitórias judiciais, Trump manteve a implementação de novas barreiras comerciais.
Na agenda econômica dos Estados Unidos, o principal destaque desta terça-feira é a divulgação da pesquisa JOLTS, que mede a abertura de vagas e a rotatividade no mercado de trabalho. O indicador inaugura a bateria de dados de emprego da semana e pode influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
No radar corporativo, após os resultados robustos de Microsoft e Amazon impulsionarem o setor de tecnologia, a atenção se volta para a estreia da SpaceX na temporada de balanços como empresa de capital aberto. A companhia divulga seus números após o fechamento dos mercados, em um momento de forte escrutínio sobre os investimentos em inteligência artificial.
Desde o IPO, as ações acumulam queda de cerca de 20% e recuam mais de 50% em relação à máxima histórica, tornando o balanço um importante termômetro para o humor do setor.
Na Ásia, o governo japonês avançou com a proposta da primeira-ministra Sanae Takaichi de reduzir o imposto sobre alimentos, medida que, se aprovada, representará o primeiro corte desse tributo desde sua criação, em 1989. A iniciativa pode reduzir a arrecadação em cerca de 4,4 trilhões de ienes por ano, justamente em um cenário de alta dos custos de financiamento e do serviço da dívida pública.
A proposta enfrenta resistência dentro do próprio partido da premiê, enquanto a elevação dos rendimentos dos títulos soberanos japoneses pode estimular investidores domésticos a manterem recursos no país, mas também restringe o espaço fiscal do governo.
Brasil: Indústria desacelera e temporada de balanços ganha força
No Brasil, os investidores repercutem a desaceleração da atividade industrial, que em junho na comparação com maio caiu 1,8%, considerando os ajustes sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2025, porém, o setor registrou crescimento de 1,7%, acelerando frente à alta de 0,2% observada em maio.
Também ganhou destaque o forte interesse pelo primeiro leilão destinado à contratação de sistemas de armazenamento de energia no país. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram cadastrados 6.091 projetos, que somam 296.807 megawatts (MW) de potência — um recorde para certames do setor. Para a estatal, o elevado volume de inscrições reforça o papel estratégico das baterias para a expansão e a segurança do sistema elétrico brasileiro.
Na agenda corporativa, a temporada de balanços do segundo trimestre segue intensa no Brasil, com a divulgação dos resultados de Itaú Unibanco (ITUB4), PRIO (PRIO3), C&A (CEAB3), Tenda (TEND3), RD Saúde (RADL3) e Gerdau (GOAU4).
Destaques do mercado corporativo
- Santander: a Brookfield negocia a aquisição da torre do banco no Complexo JK por aproximadamente R$ 2,3 bilhões.
- CSN Cimentos: Huaxin, Votorantim/Cementir e Polimix seguem na disputa pela companhia, em operação estimada em R$ 12 bilhões.
- Enel: área técnica manteve recomendação de caducidade da concessão da distribuidora em São Paulo.
- Cogna: a Vasta aprovou a reorganização societária com incorporação pela Somos e saída dos acionistas minoritários.
- Movida: emissão de R$ 1,14 bilhão em debêntures será destinada à gestão de passivos e pré-pagamento de dívidas.
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