Os mercados globais operam em tom positivo nesta quarta-feira (5), embalados pelo forte rali de Wall Street na sessão anterior. O renovado entusiasmo com o setor de inteligência artificial voltou a impulsionar as ações de fabricantes de chips, reforçando o apetite por ativos de risco, enquanto investidores também acompanham com expectativa um possível avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, embora as sinalizações das duas partes permaneçam divergentes.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quarta-feira (05), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou à Fox News que seu governo teve “discussões muito boas” com o Irã durante negociações realizadas ao longo de toda a terça-feira (4), alimentando a percepção de que um desfecho para o conflito, que já dura cinco meses, pode estar próximo. Trump também conversou por telefone com o emir do Catar, xeique Tamim bin Hamad Al Thani, para discutir formas de reduzir as divergências entre EUA e Irã e ampliar as chances de um acordo duradouro.
Paralelamente, o site Axios informou, com base em fontes regionais e em uma autoridade americana, que Washington e Teerã estariam próximos de um entendimento provisório, mediado por Omã, para reabrir o Estreito de Ormuz, com expectativa de anúncio ainda nesta quarta-feira. Apesar disso, a mídia estatal iraniana afirmou que qualquer acordo poderá atrasar enquanto os Estados Unidos mantiverem ameaças ao país.
Nesse cenário, os contratos futuros do petróleo voltam a avançar após a forte queda da véspera. O Brent voltou a superar os US$ 80 por barril, refletindo o impasse nas negociações envolvendo o Irã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz.
Brasil: Mercado aposta em novo corte da Selic e monitora comunicado do BC
No Brasil, o foco do mercado está na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve anunciar hoje o quarto corte consecutivo da Selic. A expectativa é praticamente unânime por uma redução de 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. As opções de Copom negociadas na B3 atribuem 95% de probabilidade a esse movimento.
A convicção do mercado foi reforçada pela recente desaceleração da inflação. O IPCA subiu apenas 0,16% em junho, após alta de 0,58% em maio, enquanto o IPCA-15 de julho avançou somente 0,06%, indicando perda adicional de fôlego dos preços. Em paralelo, o Boletim Focus registrou a quinta queda consecutiva nas projeções para o IPCA de 2026, de 5,12% para 5,03%.
As expectativas para os juros também continuaram cedendo. A mediana das projeções do Focus aponta agora para uma Selic de 13,75% ao fim do ciclo, abaixo do consenso observado há poucas semanas, quando o mercado avaliava que o Banco Central dificilmente teria espaço para reduzir a taxa para menos de 14%. O ambiente também foi favorecido pelo comportamento mais estável do câmbio, com o dólar oscilando entre R$ 5,10 e R$ 5,20, sem episódios relevantes de volatilidade.
Mais importante do que a decisão desta quarta-feira será a comunicação do Banco Central. Os investidores buscam sinais sobre a reunião de setembro: se o Copom indicará novos cortes, uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário ou manterá todas as alternativas em aberto diante das incertezas fiscais e do avanço do calendário eleitoral.
Entre as estimativas do mercado, o BTG Pactual avalia que o cenário de inflação mais benigno ainda comporta dois cortes adicionais da Selic, embora ressalte que uma deterioração relevante do ambiente econômico até setembro poderia interromper esse movimento.
Já o Itaú BBA acredita que o Banco Central deverá evitar qualquer compromisso com os próximos passos, mantendo o discurso de dependência dos dados e reforçando uma postura cautelosa diante das incertezas, da desancoragem das expectativas e dos riscos para a convergência da inflação à meta.
Manchetes desta manhã
- Alliança protocola pedido de recuperação extrajudicial (Valor)
- Companhias aéreas estão represando repasse de custos aos consumidores, diz FecomercioSP (Folha)
- Grandes petrolíferas mundiais registram lucros cada vez maiores com guerra prolongada no Irã (Estadão)
- Turbulência fiscal eleva taxa do BNDES e penaliza empresas que buscam crédito para investir (O Globo)
Mercado global avança com temporada de balanços e expectativa de acordo entre EUA e Irã
Em Nova York, os índices futuros operam mistos nesta quarta-feira (5), com a expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto o renovado otimismo com o setor de inteligência artificial fortalece as ações das fabricantes de chips e sustenta o apetite dos investidores por ativos de risco.
Já as bolsas europeias buscam a estabilidade, após renovarem máximas históricas na véspera, sustentadas pelos balanços corporativos e pelo recuo do petróleo.
Entre os destaques desta manhã, a Glencore avança 3,36% após divulgar lucro robusto e anunciar planos de listagem secundária na Austrália, enquanto a Heineken sobe 1,83% com aceleração no crescimento dos volumes. Na ponta negativa, a Novo Nordisk recua 4,91% após vendas do Wegovy em comprimidos ficarem abaixo das expectativas.
Na Ásia, os mercados tiveram uma sessão positiva, acompanhando o otimismo de Wall Street após novos recordes. O movimento foi liderado pelas ações dos setores de tecnologia e semicondutores, com destaque para Japão, Coreia do Sul e China, em meio à renovação das apostas em IA e às expectativas de um acordo entre EUA e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O avanço ocorreu mesmo diante de relatos de que o governo Trump prepara novas restrições às importações de transceptores ópticos chineses usados em centros de dados de IA.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,41%
- FTSE 100: -0,36%
- CAC 40: +0,01%
- Nikkei 225: +3,66%
- Shanghai SE Comp: +1,47%
- Hang Seng: +0,24%
- Ouro (jun): +2,40%, a US$ por 4.252,30 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,13%, aos 99,74 pontos
- Bitcoin: +0,80% a US$ 64.413,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltam a subir nesta quarta-feira, após a forte queda da véspera, com o mercado acompanhando os avanços das negociações entre EUA e Irã.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que um acordo pode ser alcançado ainda hoje, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que as tratativas para reabrir o Estreito de Ormuz avançam, embora ainda não haja consenso. Enquanto isso, o tráfego de petroleiros na região segue reduzido.
O Brent/outubro sobe1,74%, cotado a US$ 80,74, enquanto o WTI/setembro avança 0,95%, a US$ 76,49. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,93% em Dalian, na China, cotado a US$ 104,69/ton.
Cenário internacional
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham mais um dia de indicadores do mercado de trabalho após o relatório Jolts mostrar uma queda na abertura de vagas acima do esperado. O destaque desta quarta-feira é a pesquisa ADP, que apontou a criação de 44 mil vagas de trabalho em julho, desacelerando em relação às 98 mil de junho e ficando abaixo da expectativa do mercado, que projetava 70 mil novos postos.
A agenda também inclui a divulgação dos índices de atividade do setor de serviços (PMI) da S&P Global e do ISM, dados que devem oferecer novos sinais sobre o ritmo da economia americana.
A temporada de balanços ganha intensidade, com Disney, Uber e Eli Lilly divulgando seus resultados antes da abertura de Wall Street. Após o fechamento dos mercados, será a vez de e.l.f. Beauty e DoorDash apresentarem seus números trimestrais.
Na Europa, a atividade econômica no setor privado da zona do euro teve forte recuperação em julho, puxada pelo retorno da expansão no setor de serviços e por um desempenho mais firme da indústria de transformação. O PMI de Serviços da S&P Global subiu para 51,7 em julho, ante 49,4 em junho, superando a marca neutra de 50 e revertendo uma sequência de três meses de contração, na taxa de crescimento mais rápida desde fevereiro.
Brasil: PMIs, atuação do BC e tensão diplomática no radar
No Brasil, a agenda econômica começa com a divulgação dos PMIs composto e de serviços da S&P Global, às 10h. Antes da decisão do Copom, o Banco Central ainda realiza, às 11h30, leilão de até 50 mil contratos de swap cambial e publica, às 14h30, o fluxo cambial semanal e o Índice de Commodities Brasil (IC-Br).
No cenário político, aumentaram as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. A Casa Branca confirmou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmando que a medida é uma resposta à decisão do governo brasileiro de negar vistos a dois diplomatas americanos e à demora na concessão do agrément para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília.
Segundo o Departamento de Estado, a decisão não representa uma expulsão da diplomata e poderá ser revertida caso o Brasil aprove a indicação de Perez. Em nota, o governo americano afirmou ter dado ao Brasil “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, classificou a medida como uma ação de reciprocidade e informou que novas providências continuam sendo avaliadas.
O Palácio do Planalto reagiu elevando o tom. Em comunicado, a Secretaria de Comunicação (Secom) repudiou a revogação do visto, classificou a decisão como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil” e acusou os Estados Unidos de tentar interferir na eleição presidencial de outubro.
Também nesta terça-feira (4), o Itamaraty rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina ao nível de encarregado de negócios após uma nova série de declarações do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanecerá fora do país enquanto Milei mantiver os ataques ao governo brasileiro. A decisão foi comunicada oficialmente ao embaixador argentino em Brasília por meio de uma nota de protesto, após Milei voltar a se referir a Lula como “presidiário”, “ladrão” e “corrupto” durante entrevista concedida depois de participar, no último fim de semana, do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Destaques do mercado corporativo
- Oncoclínicas: a Justiça aceitou o pedido de recuperação extrajudicial e concedeu proteção contra credores por seis meses.
- Eneva: recebeu autorização para iniciar a operação comercial da UTE Azulão I no Amazonas.
- Totvs: cancelará ações em tesouraria e aprovou novo programa de recompra.
- Jalles Machado: obteve financiamento de R$ 300 milhões do BNDES para apoiar a produção de açúcar orgânico.
- Motiva: renovação do acordo de acionistas dependerá da venda da participação do Grupo Mover ao Bradesco BBI.
- Latam: ampliou lucro e receita e iniciará operação com aeronaves Embraer E195-E2.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta quarta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouvir clicando abaixo:











