Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira (6), refletindo a realização de lucros nas ações de tecnologia da Ásia após a forte valorização da véspera e a repercussão da temporada de balanços corporativos. Ao mesmo tempo, os investidores seguem atentos aos avanços das negociações entre Estados Unidos e Irã, que continuam no centro das atenções e influenciam o comportamento dos ativos.
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No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo avançam após o Irã anunciar que chegou a um entendimento com Omã sobre uma proposta de rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, aumentando as expectativas de normalização do fluxo global de energia. De acordo com a Reuters, a proposta para encerrar os cinco meses de conflito prevê conceder ao Irã o controle sobre os navios que ingressam no Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. Uma das fontes ouvidas pela agência afirmou que já houve uma concessão nesse sentido, embora ainda permaneçam indefinidos os detalhes sobre como esse controle seria exercido.
Segundo um alto funcionário iraniano, Teerã defende a cobrança de taxas entre 5% e 7% sobre o valor das cargas transportadas pelo estreito. Omã negocia uma tarifa próxima de 3%, enquanto os Estados Unidos rejeitam qualquer tipo de cobrança. O texto em discussão também prevê que o Irã tenha autoridade sobre as embarcações que entram no Golfo, mas ainda há divergências sobre o papel do país em relação aos navios que seguem no sentido contrário.
Apesar do avanço nas negociações, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que a via não será automaticamente reaberta, enquanto o porta-voz Esmaeil Baqaei informou que Irã e Omã já concordaram com as coordenadas geográficas da rota proposta e trabalham em uma declaração conjunta, desde que “terceiros não obstruam o processo”.
Baqaei também alertou que, mesmo com um acordo, a travessia continuará sujeita a riscos. Segundo ele, os fatores que tornam o Estreito de Ormuz inseguro permanecem ligados à atuação dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump evitou sinalizar avanços concretos e afirmou apenas que irá “ver o que acontece” nas negociações.
A avaliação é de que um acordo amplo entre Washington e Teerã, capaz de aliviar as pressões inflacionárias e reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, ainda permanece distante. O vice-presidente JD Vance reconheceu, em entrevista à Fox News, que as conversas são complexas, descrevendo os iranianos como negociadores difíceis e afirmando que o processo deverá levar tempo.
Brasil: Mercado repercute corte da Selic e tom cauteloso do BC
No Brasil, o mercado repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. Com o corte amplamente precificado, as atenções se voltaram ao comunicado do Banco Central, que, embora tenha mantido a porta aberta para novos ajustes, não ofereceu sinalizações claras sobre os próximos passos da política monetária.
A autoridade monetária destacou que a trajetória dos preços do petróleo, a evolução dos juros nos Estados Unidos e o comportamento da inflação continuarão sendo determinantes para futuras decisões. O Banco Central também reconheceu a desaceleração gradual da atividade econômica e da inflação, mas preservou um discurso cauteloso ao destacar a resiliência do mercado de trabalho, a desancoragem das expectativas inflacionárias e a assimetria altista do balanço de riscos.
A leitura predominante entre analistas é de que o ciclo de flexibilização segue em curso, mas dependerá integralmente da evolução dos indicadores econômicos. Na avaliação do Itaú, o Copom “corrigiu o ruído” do comunicado anterior ao restabelecer a assimetria altista no balanço de riscos e deixar completamente em aberto a decisão de setembro.
Já o Santander afirma que o Banco Central simplificou sua comunicação, mantendo o mesmo arcabouço adotado em junho, sem a necessidade de justificar o atual ciclo de calibragem, diante da queda da projeção de inflação para o novo horizonte relevante, o primeiro trimestre de 2028, para 3,2%.
Manchetes desta manhã
- China abre investigação de segurança cibernética contra Palo Alto Networks (Valor)
- Lula diz que falará com Trump em meio a crise diplomática entre Brasil e EUA (Folha)
- Banco Central corta os juros sem indicar como levará adiante sua política (Estadão)
- Terras-raras podem adicionar R$ 192 bi ao PIB do Brasil e gerar 750 mil empregos (O Globo)
Mercado global oscila com fraqueza no setor de tecnologia e expectativa de acordo entre EUA e Irã
Em Nova York, os índices futuros abriram mistos, refletindo a pressão sobre as ações de tecnologia e a postura cautelosa dos investidores antes da divulgação do payroll dos EUA, na sexta-feira (7).
No radar do mercado também permanecem os desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã, que seguem influenciando o sentimento global dos investidores.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em forte queda, lideradas pela Coreia do Sul. O Kospi despencou 4,58%, registrando o pior desempenho da região, pressionado pela realização de lucros no setor de semicondutores após resultados corporativos decepcionantes nos Estados Unidos.
As ações da AMD, Sandisk e Western Digital recuaram após balanços e projeções, enquanto a SpaceX também perdeu força ao destacar o elevado ritmo de investimentos em inteligência artificial.
Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,49%, pressionado pelo setor de seguros após relatos de que autoridades chinesas iniciaram a cobrança de impostos sobre os rendimentos de investimentos vinculados a apólices de seguros offshore.
As bolsas europeias operam em alta, com investidores repercutindo a temporada de balanços e o otimismo em torno de um possível acordo de paz entre EUA e Irã. O Stoxx 600 amplia a sequência de máximas históricas registrada nas duas sessões anteriores, embora as perdas no setor de tecnologia limitem o avanço dos mercados.
Entre os destaques, as ações da Deutsche Telekom saltam 6,53%, após a companhia ampliar em 3 bilhões de euros seu programa de recompra de ações para 2026, elevando o montante total para até 5 bilhões de euros.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,14%
- FTSE 100: +0,07%
- CAC 40: +0,58%
- Nikkei 225: -0,93%
- Shanghai SE Comp: +0,57%
- Hang Seng: -1,49%
- Ouro (jun): +0,49%, a US$ por 4.326,22 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,07%, aos 99,77 pontos
- Bitcoin: +0,29% a US$ 64.514,4
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros são impulsionados pela expectativa de progresso nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, uma proposta de acordo envolvendo Irã e Omã prevê conceder a Teerã o controle sobre os navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. A medida é considerada uma das concessões mais significativas oferecidas ao país após cinco meses de guerra.
O Brent/outubro sobe 1,27%, cotado a US$ 80,46 e o WTI/setembro avança 1,02%, a US$ 75,99. - Minério de ferro: fechou em alta de 2,57% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,53/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica ganha destaque com a divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30, indicador que estará no radar dos investidores após a criação de vagas no setor privado ficar abaixo das expectativas em julho e na véspera da divulgação do payroll.
A pesquisa ADP mostrou abertura de 44 mil postos de trabalho no mês passado, bem abaixo da projeção de 75 mil. No fim do dia, às 17h30, o presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, participa de um evento e pode oferecer novas sinalizações sobre os próximos passos da política monetária americana.
No cenário internacional, a China elevou o tom na disputa comercial com os Estados Unidos ao anunciar seu mais amplo pacote de contramedidas desde a trégua firmada em outubro.
Às vésperas da esperada visita do presidente Xi Jinping a Washington, Pequim proibiu empresas chinesas de manter negócios com sete companhias e organizações americanas, endureceu os controles sobre as exportações de drones e tecnologias relacionadas destinadas aos EUA e suspendeu a cooperação com órgãos americanos de certificação e conformidade, incluindo inspeções obrigatórias em fábricas chinesas.
Resultados da Petrobras dominam agenda corporativa
No Brasil, o foco do mercado se concentra na temporada de balanços do segundo trimestre, com destaque para os resultados da Petrobras (PETR3; PETR4), que serão divulgados após o fechamento do mercado. Segundo a XP Investimentos, além do aumento da produção, a valorização do petróleo durante a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã — que levou o Brent a superar US$ 100 por barril — deve impulsionar o desempenho da companhia.
A agenda corporativa também reserva a divulgação dos balanços de Magazine Luiza (MGLU3), Assaí (ASAI3), Lojas Renner (LREN3) e Hypera (HYPE3), ampliando o volume de indicadores capazes de movimentar os ativos na Bolsa.
Na agenda das autoridades, às 10h, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista à GloboNews.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: contestou a cobrança de R$ 17,8 bilhões em royalties pela ANM e acompanhará o julgamento do STF sobre tributação de lucros no exterior.
- Santander: contratou Daniel Bassan, ex-UBS, para comandar a vice-presidência do banco de investimento no Brasil.
- BTG Pactual: aprovou pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 0,2589 por ação, com distribuição prevista para 14 de agosto.
- BRB: voltará a discutir no STF o acordo de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões concedido pelo FGC.
- Axia: Encerra nesta quinta-feira a negociação de seus ADRs na Bolsa de Nova York.
- Braskem: teve o rating rebaixado pela Moody’s, que manteve perspectiva negativa para a companhia.
- JBS: firmou nova linha de crédito rotativo de até US$ 2,65 bilhões para fortalecer sua posição de caixa.











