Os ETFs (fundos de índice) de renda fixa alcançaram um marco inédito no mercado brasileiro ao encerrar o mês de junho com patrimônio líquido de R$ 60,8 bilhões, superando pela primeira vez os R$ 55,8 bilhões registrados pelos pares de ações e outros ativos de renda variável, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Além desse recorde, o patrimônio dos fundos de índice de renda fixa mais que quadruplicou o valor registrado no mesmo período de 2025, de R$ 13,2 bilhões.
Somados os segmentos de renda fixa e renda variável, a indústria de ETFs dobrou em um ano, acumulando um patrimônio de R$ 116,6 bilhões. Esse desempenho reflete o avanço acelerado dos fundos de índice, especialmente dos produtos atrelados à renda fixa.
Embora o ambiente de juros elevados tenha favorecido esse movimento, a Anbima destaca que esse não foi o único fator responsável pela expansão.
“Os ETFs oferecem algumas vantagens que fazem deles opções atrativas em um momento de destaque da renda fixa”, afirma Soraia Barros, gerente-executiva de fundos de investimento da Anbima.
Segundo a executiva, um dos diferenciais desses produtos é a ausência do chamado come-cotas, (antecipação semestral de Imposto de Renda). Além disso, os ETFs costumam apresentar taxas de administração historicamente reduzidas e permitem ao investidor acessar uma carteira diversificada de ativos por meio da compra de uma única cota negociada na Bolsa.
Captação concentra quase 90% dos recursos na renda fixa
O crescimento do patrimônio veio acompanhado de uma forte entrada de recursos nos fundos de índice. Em junho deste ano, a captação líquida dos ETFs (resultado da diferença entre aportes e resgates) atingiu R$ 5,9 bilhões.
Desse total, R$ 5,2 bilhões foram destinados aos ETFs de renda fixa, o equivalente a 88% de toda a captação do segmento.
O avanço também é expressivo na comparação anual. Em junho de 2025, os fundos de índice registraram captação líquida de R$ 1,4 bilhão, sendo 72% desse volume direcionado aos ETFs de renda fixa. No intervalo de 12 meses, a captação total da indústria cresceu mais de 320%.
Investidores pessoas físicas ampliam participação em ETFs de renda fixa
O aumento da demanda pelos ETFs de renda fixa também impulsionou o crescimento do mercado de fundos de índice como um todo, com maior participação dos investidores pessoas físicas. Entre maio de 2024 e maio de 2026, o volume investido por pessoas físicas em ETFs de renda fixa e renda variável avançou 161%, passando de R$ 9,8 bilhões para R$ 25,6 bilhões.

Para Soraia Barros, esse “movimento dos investidores demonstra como a indústria de fundos está evoluindo, com a oferta de produtos cada vez mais eficientes e ajustados às necessidades do mercado”.
Brasil acompanha tendência observada no exterior
A expansão dos ETFs no Brasil acompanha um movimento já consolidado nos principais mercados internacionais, como Estados Unidos e Europa.
Segundo dados da consultoria ETFGI, o patrimônio global investido em ETFs atingiu US$ 23 trilhões em junho, estabelecendo um novo recorde.
O levantamento também mostra que o mercado mundial de fundos de índice registrou o 85º mês consecutivo de captação líquida positiva, sinalizando a continuidade do crescimento dessa indústria em escala global.
ETFs de renda fixa em destaque desde 2018
Os primeiros ETFs de renda fixa chegaram ao mercado brasileiro em 2018, quase 15 anos após o lançamento do primeiro ETF do país, o PIBB11, voltado à renda variável. A estreia da categoria ocorreu com o FIXA11.
Poucos meses depois, em 2019, foi lançado o IMAB11, fundo referenciado no IMA-B, índice da Anbima composto por títulos públicos indexados à inflação.
O IMAB11 foi desenvolvido em parceria entre Tesouro Nacional, Banco Mundial, Anbima e B3, com o objetivo de incentivar o mercado de ETFs lastreados em títulos emitidos pelo governo federal. Atualmente, o fundo reúne patrimônio de R$ 3,6 bilhões e conta com mais de 17 mil cotistas.
Dos 65 ETFs de renda fixa disponíveis no Brasil, 18 utilizam índices da Anbima como referência.











