Os mercados globais iniciam esta terça-feira (18) sob cautela, diante da combinação entre a forte alta dos juros de longo prazo e a valorização do petróleo. O movimento reforça as preocupações com a inflação e penaliza especialmente as ações de tecnologia, enquanto a tensão entre Estados Unidos e Irã aumenta após Donald Trump ameaçar bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com Teerã.
No mercado de commodities, o petróleo Brent sobe pelo terceiro dia seguido e se aproxima dos US$ 91 por barril, em meio às incertezas sobre a evolução do conflito entre Washington e Teerã e à indefinição sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), aumentando a pressão sobre os mercados de renda fixa.
A venda de títulos soberanos ganhou força globalmente, levando os custos de captação de longo prazo de Estados Unidos, Japão e Alemanha aos maiores níveis em anos. O retorno do Treasury americano de dez anos avançou 0,4 ponto-base, para 4,7259%. No Japão, o yield do título de dez anos subiu 2,5 pontos-base, a 2,945%, atingindo o maior nível em três décadas.
A alta do petróleo ganhou novo impulso depois que um alto funcionário iraniano afirmou à Reuters que Teerã adotará uma postura militar “totalmente ofensiva” caso as negociações diplomáticas com os Estados Unidos fracassem. A tensão aumenta ainda mais com a decisão de Washington de não estender o cessar-fogo temporário, encerrado na segunda-feira.
No centro desse impasse está o Estreito de Ormuz, cuja reabertura segue condicionada às exigências de Teerã. O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nesta terça-feira que a passagem permanecerá fechada até que os Estados Unidos cumpram os termos de um acordo provisório firmado com o Irã em junho.
Entre as condições apresentadas estão a suspensão do bloqueio aos portos iranianos, o fim das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados de Teerã e o encerramento de ameaças e operações militares em todas as frentes, segundo Qalibaf. Com isso, o rumo das negociações permanece como um dos principais fatores de risco para os mercados, especialmente pelos possíveis reflexos sobre energia, inflação e juros.
Brasil: recuperação judicial da Casas Bahia movimenta varejo e ações
No Brasil, o foco se volta para os desdobramentos da recuperação judicial da Casas Bahia. No pedido apresentado à Justiça de São Paulo neste domingo (16), a companhia afirmou atravessar a “pior crise financeira desde a fundação”, em uma situação ainda mais complexa do que a enfrentada em 2024, quando recorreu a uma recuperação extrajudicial.
A dimensão da crise já repercute no mercado e levanta discussões sobre os impactos para o varejo, principalmente nos segmentos de eletrodomésticos e eletrônicos. Embora os efeitos não sejam imediatos, analistas avaliam que uma eventual redução das operações e o fechamento de lojas da Casas Bahia podem redistribuir parte da demanda entre os concorrentes, sobretudo aqueles com maior exposição ao varejo físico.
Nesse cenário, o Magazine Luiza surge entre as companhias listadas com potencial para ampliar sua participação de mercado. Amazon e Mercado Livre também podem capturar parte das vendas, enquanto redes não listadas, como Fast Shop e Tele Rio, igualmente disputam a demanda deixada pela concorrente.
Essa expectativa já se refletiu nos ativos do Magazine Luiza. Após o anúncio da recuperação judicial da Casas Bahia no domingo, as ações da companhia avançaram 8,44% no pregão de segunda-feira, encerrando a sessão a R$ 4,24. Para analistas, a valorização incorpora a perspectiva de que o enfraquecimento da rival favoreça um ganho de participação no mercado.
Manchetes desta manhã
- Braskem Idesa entra com pedido de recuperação judicial nos EUA (Valor)
- Itaú recebe aval preliminar para abrir banco próprio nos Estados Unidos (Folha)
- Ecopetrol conclui aquisição e assume controle da Brava Energia (Estadão)
- Instagram e Facebook enfrentam a partir de hoje julgamento de US$ 1,4 trilhão nos EUA (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto diante da alta do petróleo e juros de longo prazo
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda, pressionados pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas sobre o cessar-fogo entre EUA e Irã, que expirou na segunda-feira.
As bolsas da Europa o petróleo e dos rendimentos dos títulos da região, em meio aos temores de inflação e às incertezas no Oriente Médio.
Na Alemanha, o sentimento econômico dos investidores avançou acima do esperado em agosto, sustentado pela forte temporada de balanços corporativos.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, pressionadas pelo Brent acima de US$ 91 e pela alta dos juros, que reacendeu temores de inflação. O Treasury de 30 anos atingiu o maior rendimento desde 2007, enquanto o título japonês de 10 anos chegou perto de 2,95%, máxima em três décadas.
A alta dos juros de longo prazo também ampliou a pressão sobre ações de tecnologia, que sustentaram parte da recente recuperação dos mercados asiáticos. Japão e Coreia do Sul lideraram as perdas, em meio ao fim do cessar-fogo entre EUA e Irã.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,45%
- FTSE 100: +0,08%
- CAC 40: -0,45%
- Nikkei 225: -2,54%
- Shanghai SE Comp: +0,19%
- Hang Seng: +0,07%
- Ouro (jun): -0,41%, a US$ por 4.455,26 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,06%, aos 99,63 pontos
- Bitcoin: +1,19% a US$ 64.296
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam mistos nesta terça-feira (18), mas o Brent permanece acima de US$ 90 por barril, com a menor expectativa de uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio elevando os riscos para o fornecimento da commodity.
A tensão aumentou após o Irã adotar tom mais ofensivo e os EUA descartarem a extensão do cessar-fogo de 60 dias, encerrado na segunda-feira. Donald Trump afirmou não ter pressa para fechar um acordo com Teerã e ameaçou bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações de paz.
O Brent/outubro recua 0,19%, cotado a US$ 90,70 e o WTI/setembro sobe 0,40%, a US$ 84,84 - Minério de ferro: fechou em alta de 0,85% em Dalian, na China, cotado a US$ 105,9/ton
Cenário internacional- EUA divulgam produção industrial em meio a expectativas sobre o Fed
Os investidores monitoram nesta terça-feira a divulgação da produção industrial dos Estados Unidos de julho, às 10h15. O indicador será acompanhado em busca de sinais sobre a força da atividade econômica e de possíveis impactos nas expectativas para a trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed).
No calendário corporativo americano, a Home Depot, gigante do varejo de materiais para construção e reforma, apresentaou seu balanço antes da abertura dos mercados, colocando os resultados da companhia no radar dos investidores.
Na Europa, o mercado de trabalho do Reino Unido mostra sinais de perda de dinamismo. A taxa de desemprego permaneceu em 4,9% no trimestre encerrado em junho, segundo o Gabinete de Estatísticas Nacionais (ONS). No mesmo período, os salários do setor privado, acompanhados pelo Banco da Inglaterra (BoE) como indicador da pressão inflacionária doméstica, cresceram 2,8%, no ritmo mais fraco desde outubro de 2020.
O enfraquecimento também aparece em outros indicadores. As vagas de emprego recuaram para 707 mil, menor nível desde 2021, enquanto a folha de pagamento registrou a sexta queda mensal consecutiva.
Brasil – Agenda de Galípolo e greve no IBGE movimentam cenário doméstico
No Brasil, o destaque da agenda econômica fica com a divulgação do IPC-Fipe referente à segunda semana de agosto. Entre os compromissos do Banco Central, o presidente Gabriel Galípolo se reúne pela manhã com executivos do KfW Development Bank e, posteriormente, com representantes da Visa.
À tarde, Galípolo participa de uma audiência com representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e de grandes instituições financeiras, entre elas Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Nubank. Os encontros serão realizados na sede do BC, em São Paulo.
O mercado também acompanha a mobilização de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que iniciaram uma greve em oposição a medidas da direção do órgão, presidido por Marcio Pochmann.
A paralisação já conta com adesão em unidades da Bahia e do Rio de Janeiro, segundo a associação sindical que representa os trabalhadores do instituto, a Assibge, responsável pelo anúncio feito na segunda-feira (17). Até o momento, não há indicação de alterações no calendário de divulgação das pesquisas. Apesar da mobilização, o IBGE mantém o funcionamento normal.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: assinou com a Halliburton um contrato para projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono (CCS) em reservatório salino, em Quissamã (RJ).
- Itaú: recebeu autorização preliminar do regulador americano OCC para criar o Itaú Bank nos EUA, ampliando sua estrutura de atendimento no país.
- Banco do Brasil: Tarciana Medeiros e o vice-presidente de RI, Marco Geovanne Tobias, são alvos de processo da CVM relacionado à divulgação de informações sobre ações do banco; o BB afirma atuar com transparência.
- BRB: remanejou Hugo Andreolly para a diretoria de Varejo e elegeu Marianna Marques Garnier para comandar Negócios Digitais, ainda sujeita aos trâmites de governança e do BC.
- Eneva: notificou a ANP sobre indícios de gás natural no bloco AM-T-85, no Amazonas, onde já mantém produção destinada à geração termelétrica.
- Axia: concluiu nova etapa de sua reorganização acionária, com conversão e resgate de 10,259 milhões de ações PNC em ON; nova etapa está prevista para 24 de agosto.
- Brava: concluiu operação que transferiu o controle para a Ecopetrol, que passou a deter 51% do capital social.











