O varejo brasileiro retomou o ritmo de expansão em julho, com as vendas avançando 0,9% na comparação com junho e 4,7% na comparação anual, aponta o Índice do Varejo Stone (IVS). O desempenho ocorre em meio à combinação de mercado de trabalho aquecido e renda em alta, fatores que sustentam o consumo das famílias.
Em junho, a taxa de desemprego ficou em 5,4%, o menor nível registrado para o mês, enquanto o rendimento dos trabalhadores continuou avançando.
Na outra ponta, o custo elevado do crédito e o endividamento das famílias, que atingiu recorde na série histórica, seguem restringindo o consumo. O impacto é maior nas categorias que dependem de financiamento ou parcelamento, como móveis, eletrodomésticos e vestuário.
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, “o ciclo de redução dos juros tende a contribuir para uma melhora das condições financeiras, mas seus efeitos ainda devem levar algum tempo para se refletir de forma mais ampla na atividade”.
Cinco segmentos do varejo avançam no mês
Dos oito segmentos acompanhados pelo Índice do Varejo Stone, cinco registraram crescimento em julho ante junho. Artigos Farmacêuticos apresentaram a maior alta mensal, de 2,5%, e também cresceram 5% na comparação com julho do ano passado.
O segmento de Combustíveis e Lubrificantes teve avanço de 2,1% no mês e de 9,1% em 12 meses, maior crescimento anual entre as categorias pesquisadas. Segundo o levantamento, parte desse resultado pode estar associada à guerra no Oriente Médio e aos problemas de transporte no Estreito de Ormuz. A combinação desses fatores vem pressionando os preços e pode ter antecipado o consumo.
Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo cresceram 1,6% em julho e 7,4% na comparação anual. O segmento concentra itens básicos do consumo das famílias e segue registrando expansão mesmo diante do crédito caro e do elevado endividamento.
Vestuário tem pior desempenho
Tecidos, Vestuário e Calçados registraram queda de 4,1% em julho ante junho e de 5,6% na comparação anual. Foi o segmento com maior retração no mês e o único dos oito analisados a apresentar vendas abaixo do patamar de 2025.
O desempenho reforça a diferença entre as categorias do varejo em um cenário de crédito restritivo e elevado comprometimento da renda das famílias.
Móveis e eletrodomésticos interrompem sequência de alta
Móveis e Eletrodomésticos tiveram retração de 2,2% em julho, interrompendo dois trimestres consecutivos de crescimento. Apesar da queda mensal, o segmento ainda apresentou alta de 0,8% em relação a julho de 2025.
Por depender de forma significativa do crédito, a categoria permanece sensível às condições de financiamento. Segundo o levantamento, o avanço do ciclo de cortes de juros pode contribuir para uma melhora do setor nos próximos meses.
Sete segmentos crescem em um ano
Na comparação anual, sete dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento. Combustíveis e Lubrificantes lideraram, com alta de 9,1%, seguidos por Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, com 7,4%;
O setor de Material de Construção avançou com 5,2%; Artigos Farmacêuticos, com 5%; Livros, Jornais, Revistas e Papelaria, com 3,9%; Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, com 1,8%; e Móveis e Eletrodomésticos, com 0,8%.
Tecidos, Vestuário e Calçados registraram queda de 5,6% e foram a única categoria com resultado negativo na comparação com 2025.
Varejo cresce em 24 estados
A expansão das vendas também alcançou a maior parte dos estados. Na comparação anual, 24 unidades da federação registraram crescimento em julho.
Roraima apresentou a maior alta, de 18,2%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 9,5%; Acre, com 7,4%; Rondônia, com 6,3%; Amapá, com 5,7%; Amazonas e Pará, com 5,2% cada.
Minas Gerais teve alta de 4,8%; Alagoas e Distrito Federal, de 4,6%; Paraíba, de 4,5%; Maranhão, de 4,4%; e São Paulo, de 4,2%.
Também cresceram Pernambuco, 3,4%; Bahia e Santa Catarina, 3%; Rio Grande do Norte, 2,9%; Sergipe, 2,7%; Goiás, 2,2%; Rio de Janeiro, 1,9%; Piauí, 1,7%; Paraná, 1,4%; além de Ceará, Espírito Santo e Mato Grosso, todos com 0,5%.
Na direção oposta, o Rio Grande do Sul apresentou retração de 2,6% e Tocantins, de 1,9%.
Norte lidera entre as regiões
Entre as regiões, o Norte teve o maior crescimento anual, de 6,6%. O Centro-Oeste avançou 4,2%, seguido pelo Nordeste, com 3,1%; Sudeste, com 2,9%; e Sul, com 0,6%. Roraima, que registrou a maior alta entre os estados, foi o principal destaque dentro do desempenho do Norte.
Para Guilherme Freitas, a sustentação do mercado de trabalho e da renda ajuda a explicar a continuidade do crescimento em boa parte do país, mas as condições de crédito ainda restringem uma recuperação mais homogênea.
Segundo o especialista, a combinação desses fatores deve continuar determinando o ritmo das economias regionais nos próximos meses.











