Os mercados globais operam sem direção única nesta quarta-feira (19), pressionados pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pela valorização do petróleo. O Brent avança pela quarta sessão consecutiva e supera US$ 91 por barril, à medida que a escalada das incertezas em torno do conflito no Oriente Médio amplia a cautela dos investidores e reforça os riscos para o mercado de energia.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quarta-feira (19), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
No centro das atenções está a deterioração das relações entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que não existem negociações em curso com Teerã e sinalizou a possibilidade de anunciar novas sanções ainda nesta semana. Em uma nova manifestação sobre o conflito, Trump publicou uma imagem do Estreito de Ormuz descrito como um “novo território dos Estados Unidos”, depois de ameaçar bombardear Omã caso o país interfira nos planos de Washington para a região.
A disputa em torno do Estreito de Ormuz acrescenta uma nova frente de tensão ao mercado. Trump declarou que a passagem permanece aberta à navegação, enquanto o governo iraniano sustenta que o estreito continua fechado ao tráfego. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que a reabertura da via depende do encerramento do bloqueio portuário, das sanções e das ameaças militares contra o país.
A possibilidade de uma expansão do conflito também ganhou força diante de relatos de que autoridades iranianas consideram ataques contra alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso a guerra se intensifique.
No Golfo Pérsico, os Emirados Árabes Unidos também adotaram uma postura mais dura. O governo anunciou nesta quarta-feira a suspensão, até segunda ordem, de todo o comércio, das trocas comerciais e das transações financeiras com o Irã. A medida foi tomada um dia depois de o Ministério da Defesa emiradense informar que havia detectado dois mísseis balísticos lançados do Irã em direção às águas territoriais do país. Os dois projéteis caíram no mar, sem provocar danos ou vítimas. Teerã, por sua vez, negou que os Emirados tenham sido alvo de um ataque iraniano, segundo declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei.
Além do cenário geopolítico, os investidores acompanham nesta quarta-feira a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), órgão responsável pela condução da política monetária dos Estados Unidos. O documento deve oferecer novos detalhes sobre o debate entre os dirigentes do Federal Reserve (Fed), que permanecem divididos quanto à necessidade de elevar os juros para conter a inflação.
O posicionamento do banco central também é observado em meio à pressão de Trump por uma política monetária mais flexível e taxas de juros menores para estimular a economia americana.
A discussão sobre os juros, porém, vai além das próximas decisões do Fed e alcança o custo de financiamento de longo prazo nos Estados Unidos. Ontem, o rendimento do Treasury de 30 anos atingiu o maior nível em quase 20 anos, pressionados pelo risco fiscal, pelo aumento das emissões de dívida pública e pela concorrência de um volume recorde de emissões corporativas.
Segundo especialistas, mesmo que o Fed tenha menos motivos para elevar a taxa de juros, fatores fiscais e a elevada oferta de títulos podem manter os rendimentos dos Treasuries longos em níveis elevados.
Brasil: Estrangeiros aceleram retirada de recursos e pressionam Ibovespa
No Brasil, o mercado repercute a forte retirada de capital estrangeiro da Bolsa. Investidores não residentes retiraram R$ 12,6 bilhões de ações já listadas na B3 entre 10 e 14 de agosto, segundo levantamento com dados da Bloomberg. Esta foi a maior saída registrada em uma única semana desde 2008, quando teve início a série histórica.
A maior cautela dos investidores diante das eleições e a intensificação da disputa por capital estão entre os fatores apontados para explicar o movimento. Depois de os aportes estrangeiros alcançarem o recorde de R$ 56,4 bilhões em abril deste ano, os não residentes retiraram R$ 38,2 bilhões nos quatro meses seguintes.
Em agosto, a retirada se acelerou. Foram R$ 18,1 bilhões em saídas em apenas dez sessões, contribuindo para aumentar a pressão sobre o Ibovespa, que acumula queda de 6,55% no mês. Na sessão de terça-feira (18), o índice recuou 0,27%, aos 166.335 pontos.
Com a reversão do fluxo, o saldo líquido de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira no acumulado de 2026 caiu para R$ 18,2 bilhões — praticamente o mesmo montante retirado pelos investidores não residentes somente em agosto. O movimento reforça a importância do comportamento do capital externo para a dinâmica do mercado acionário brasileiro em um momento de maior seletividade global e incerteza doméstica.
Manchetes desta manhã
- Conversão de recuperação extrajudicial em judicial cresce (Valor)
- Dois terços das empresas planejam investir mais em influência nos próximos três anos, diz pesquisa (Folha)
- Irã ameaça países do Golfo que ajudarem ou facilitarem ações militares dos EUA (Estadão)
- Custo efetivo da dívida atinge maior valor em 10 anos (O Globo)
Mercado global oscilam com alta dos Treasuries e do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram perto da estabilidade, após Wall Street registrar a terceira queda consecutiva, pressionada pela alta dos Treasuries e do petróleo.
No radar, está a ata da última reunião do FOMC, que pode trazer sinais sobre os próximos passos do Fed diante da inflação e da atividade econômica.
As bolsas da Europa operam mistas, com a alta do petróleo renovando as preocupações com a inflação no continente, que é dependente de energia importada.
A aceleração dos preços ao consumidor em julho no Reino Unido e na zona do euro amplia a cautela dos investidores, que também aguardam a ata da reunião de julho do Fed.
Na Ásia, os mercados fechou em forte queda, liderada por Coreia do Sul (-5,80%) e Japão (-3,16%), em meio à nova onda de vendas de semicondutores, à alta dos rendimentos dos títulos e do petróleo. A elevação dos juros dos Treasuries reduz a atratividade de ações de tecnologia com valuations elevados.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,02%
- FTSE 100: -0,10%
- CAC 40: +0,36%
- Nikkei 225: -3,16%
- Shanghai SE Comp: -2,40%
- Hang Seng: +0,09%
- Ouro (jun): +0,11%, a US$ por 4.425,55 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,27%, aos 99,39 pontos
- Bitcoin: +0,42% a US$ 64.490,1
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros avançam pela quarta sessão consecutiva, com o Brent acima de US$ 91 por barril, diante do aumento das incertezas sobre o conflito no Oriente Médio. A redução do tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz também amplia as preocupações sobre possíveis interrupções no abastecimento global.
O Brent/outubro ganha 0,91%, negociado a US$ 91,85, enquanto o WTI/setembro sobe 1,01%, a US$ 85,80. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,78% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 105,66.
Cenário internacional destaca inflação e tarifas comerciais
Na agenda internacional, além da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), os investidores acompanham nesta quarta-feira a divulgação, às 11h30, dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos. A expectativa é de redução de 1,6 milhão de barris nos estoques de petróleo bruto, de 1,5 milhão de barris nos de gasolina e de 300 mil barris nos estoques de destilados.
Na Europa, a agenda começa com a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) do Reino Unido, além do CPI final da zona do euro, que confirmou inflação de 2,9% em 12 meses. O resultado ficou em linha tanto com a leitura preliminar quanto com o consenso do mercado, após a alta de 2,8% registrada em junho. Na comparação mensal, o índice avançou 0,2% em julho.
O núcleo da inflação, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, acelerou de 2,4% para 2,5% na comparação anual, acima da expectativa de estabilidade. O dado adiciona um elemento importante ao debate sobre a trajetória da política monetária europeia, ao mostrar uma pressão maior nos preços subjacentes.
Na China, os investidores aguardam para a noite a decisão do Banco Popular da China (PBoC) sobre as taxas das Loan Prime Rates (LPRs) de um e cinco anos, referências para diferentes modalidades de crédito na economia chinesa.
No campo comercial, os Estados Unidos voltaram a movimentar as negociações com o Canadá. O presidente Donald Trump anunciou na noite de terça-feira a suspensão por três dias da tarifa de 50% sobre produtos canadenses, que entraria em vigor amanhã. Segundo Trump, a medida foi adiada enquanto os dois países finalizam documentos relacionados a um acordo, sem que o presidente americano tenha apresentado detalhes sobre os termos negociados.
Washington pressiona Ottawa a retirar medidas de retaliação adotadas no ano passado, enquanto o Canadá busca reduzir as tarifas americanas incidentes sobre automóveis. As negociações também podem envolver concessões canadenses no setor de laticínios.
No Brasil, o governo acompanha risco do fim da “taxa das blusinhas”
No Brasil, a agenda econômica é mais enxuta. Às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou a segunda prévia do IGP-M de agosto, enquanto o Banco Central informa, às 14h30, os dados do fluxo cambial semanal. Antes disso, às 8h30, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin participam do Fórum Esfera Brasil.
No campo tributário e comercial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, em vídeo gravado e distribuído por sua campanha à reeleição, acreditar que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuarão para evitar a retomada da cobrança associada à chamada “taxa das blusinhas”. A medida provisória que eliminou a cobrança está prevista para perder a validade em 8 de setembro, caso não seja prorrogada ou convertida em lei.
No mercado de apostas, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, determinou a suspensão de sites relacionados a seis empresas após identificar descumprimento das regras do mercado regulado. Entre as plataformas atingidas estão Pixbet, Ganheibet, Betdasorte, Zeroum, Sportvip, Energia, Kbet, Megaposta, Betvip, Papigames, Multibet, Ricobet e BRXBet.
As determinações impedem as empresas de receber novas apostas. Os sites poderão continuar acessíveis apenas para permitir que os clientes retirem recursos mantidos nas plataformas. A SPA também determinou o cancelamento das apostas em andamento e a devolução imediata dos valores apostados aos usuários. O descumprimento das medidas está sujeito a multa diária de R$ 200 mil.
Destaques do mercado corporativo
- JBS: apresentou proposta não vinculante para adquirir os cerca de 18% da Pilgrim’s que ainda não possui, oferecendo 2,086 ações classe A da JBS por ação da companhia americana.
- Braskem: acompanha a recuperação judicial da Braskem Idesa nos EUA; a tutela cautelar que suspende execuções de credores vence em 23 de agosto.
- Itaú: recebeu autorização preliminar do regulador americano OCC para criar o Itaú Bank nos EUA, ainda dependendo do cumprimento de exigências para aprovação definitiva.
- Santander: Daniel Barriuso Rojo e Gilson Finkelsztain foram eleitos para o conselho de administração, com posse condicionada à homologação pelo Banco Central.
- Casas Bahia: BB e Bradesco avaliam participar de um empréstimo DIP de até R$ 1 bilhão; a companhia possui R$ 4,8 bilhões em dívidas no mercado de capitais, sendo cerca de 75,8% com vencimento em 2050.
- Cosan: notificou a NYSE sobre a deslistagem de seus ADSs, com último dia de negociação em Nova York previsto para 18 de setembro; as ações continuarão listadas na B3.
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