Os mercados globais operam sem direção única nesta quarta-feira (26), com os investidores à espera da divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) de julho nos Estados Unidos, principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed), e do balanço trimestral da Nvidia.
A forte retração dos preços do petróleo também contribui para aliviar a pressão sobre os ativos, diante dos avanços nas tratativas para a reabertura do Estreito de Ormuz e de relatos, ainda não confirmados, sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quarta-feira (26), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Irã e Omã deram novos passos nas negociações para estabelecer um acordo de navegação pelo Estreito de Ormuz. A proposta em discussão prevê a criação de um “corredor marítimo conjunto temporário”, enquanto as partes seguem negociando um entendimento permanente. A perspectiva de retomada do tráfego pela principal rota de transporte de petróleo do mundo derruba as cotações da commodity pela terceira sessão consecutiva.
A Guarda Revolucionária Islâmica informou há pouco que Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre a divisão das receitas relacionadas ao Estreito de Ormuz. Segundo a organização, porém, os Estados Unidos estariam dificultando as conversas entre os dois países, o que teria atrasado o processo. A Guarda afirmou ainda que a hidrovia não será reaberta caso Washington não aceite as condições estabelecidas por Teerã.
O chanceler de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, demonstrou expectativa de um anúncio próximo sobre a criação do corredor provisório. Após conversar com o ministro das Relações Exteriores iraniano, ele afirmou estar esperançoso de em breve anunciar um corredor temporário para o Estreito de Ormuz e medidas práticas para restabelecer a navegação segura.
As tratativas ocorrem paralelamente a sinais de que Washington busca evitar uma nova escalada militar no Oriente Médio. Segundo o site Axios, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse a aliados que os Estados Unidos não planejam realizar novos ataques contra o Irã neste momento e devem priorizar outras formas de pressão.
Ao mesmo tempo, o Departamento do Tesouro dos EUA elevou a pressão econômica sobre Teerã. Nesta semana, o órgão ameaçou aplicar punições a países que mantiverem negócios com a República Islâmica e sancionou mais de 60 entidades, pessoas e embarcações acusadas de auxiliar o Irã na obtenção de tecnologia nuclear e de mísseis. As restrições também atingem os segmentos de ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.
No cenário econômico, os Estados Unidos concentram nesta quarta-feira dois dos principais eventos da agenda. O mercado acompanha a divulgação do PCE de julho, cuja alta é estimada em 0,2%, além da segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. Para analistas do Bradesco, a revisão pode apresentar mudanças relevantes em relação à primeira leitura, especialmente nos dados de consumo e investimentos.
Brasil: IPCA-15 e pesquisa eleitoral movimentam a agenda doméstica
No Brasil, o principal indicador do dia será o IPCA-15 de agosto. A projeção do Bradesco aponta para deflação de 0,35%, resultado que deve refletir principalmente a redução das tarifas de energia elétrica provocada pelo bônus de Itaipu. Se confirmado, será o primeiro resultado mensal negativo do ano, com as passagens aéreas e a gasolina também contribuindo para a queda do índice.
O impacto da energia elétrica, contudo, deve ser temporário, com expectativa de reversão em setembro. A agenda doméstica ainda terá um componente político relevante, com a divulgação, às 9h, de uma pesquisa eleitoral da Broadcast/Indexa Pesquisas.
Manchetes desta manhã
- Para Wall Street, Trump pode pagar a conta da guerra com Canadá nas eleições (Valor)
- Recuperação extrajudicial da Braskem põe Petrobras no foco (Folha)
- Reviravolta na CVM obriga realização de OPA da Oncoclínicas (Estadão)
- Bancos brasileiros ‘seguem o dinheiro dos clientes’ e anunciam operações nos Estados Unidos (O Globo)
Mercado global monitora inflação dos EUA e acordo do Irã
Em Nova York, os índices futuros abriram em leve queda nesta quarta-feira (26), com expectativa pelos dados de inflação PCE nos Estados Unidos e pelo balanço da Nvidia.
Já as bolsas da Europa operam mistas, com o mercado monitorando o conflito no Oriente Médio e à espera da inflação dos EUA e do balanço da Nvidia.
No radar monetário, a dirigente do BCE Isabel Schnabel afirmou à Bloomberg que os juros da zona do euro precisam subir mais para conter as pressões inflacionárias persistentes provocadas pelo conflito.
Na Ásia, se recuperaram nesta quarta-feira, apoiadas pela forte queda do petróleo, que trouxe alívio às preocupações com a inflação. O movimento também ajudou a estabilizar as ações de tecnologia após duas sessões de perdas, enquanto investidores aguardam o balanço da Nvidia.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,04%
- FTSE 100: -0,09%
- CAC 40: +0,53%
- Nikkei 225: +0,62%
- Shanghai SE Comp: +0,59%
- Hang Seng: +0,56%
- Ouro (jun): -0,38%, a US$ por 4.676,76 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,12%, aos 99,03 pontos
- Bitcoin: -0,67% a US$ 78.453,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam pela terceira sessão consecutiva, pressionado pela expectativa de retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz. Irã e Omã avançaram nas discussões para criar um “corredor marítimo conjunto temporário” e seguem negociando uma solução permanente para a navegação.
Relatos informais de aumento do fluxo de embarcações pela rota omanense também ajudam a pressionar as cotações.
O Brent/outubro cai 2,96%, cotado a US$ 85,96 e o WTI/outubro cede 2,63%, a US$ 80,19. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,49% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 107,12/ton.
Cenário internacional – EUA avançam em acordo nuclear com Arábia Saudita enquanto mercado monitora petróleo
Na agenda desta quarta-feira, às 11h30, o Departamento de Energia dos EUA divulga os estoques semanais de petróleo. Na noite de terça-feira, o Instituto Americano do Petróleo (API) estimou aumento de 4,2 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto.
Às 12h45, o presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin, participa de um evento na Carolina do Norte.
No Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encaminhou na segunda-feira (24) ao Congresso americano uma proposta de acordo de cooperação em energia nuclear civil com a Arábia Saudita. O envio abre um período obrigatório de revisão e pode permitir que Riad tenha acesso à tecnologia nuclear dos EUA.
Segundo um funcionário do governo, as negociações são conduzidas pelo Departamento de Energia americano e estão condicionadas à adesão da Arábia Saudita aos Acordos de Abraão. Trump já havia estabelecido essa exigência em uma publicação nas redes sociais no mês passado, quando afirmou que não haveria enriquecimento de material nuclear pelo país.
O acordo, fechado em julho e com validade de 30 anos, prevê a exportação de tecnologia nuclear civil americana e a construção de reatores na Arábia Saudita. O pacto, porém, foi alvo de críticas por não estabelecer uma proibição permanente ao enriquecimento de urânio.
Brasil: restrições a apostas atingem beneficiários de programas sociais
No Brasil, beneficiários de programas sociais e de programas de renegociação de dívidas estão impedidos de abrir ou manter contas em plataformas de apostas autorizadas a operar no país. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), vinculado ao Ministério da Fazenda, desenvolveu uma ferramenta que identifica esses usuários e bloqueia ou encerra suas contas.
A medida alcança beneficiários de programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Desenrola e Fies e atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de preservar recursos destinados à proteção social e à recuperação financeira das famílias.
No setor de telecomunicações, o Ministério das Comunicações afirmou que a decretação da falência da Oi não deve provocar uma interrupção imediata dos serviços prestados pela companhia. Segundo a pasta, as operações poderão ser assumidas por outras empresas do setor.
Em nota divulgada nesta terça-feira, após a Justiça decretar a falência da operadora, o ministério ressaltou que ainda não é possível dimensionar os impactos da decisão sobre a continuidade dos serviços oferecidos aos clientes da Oi.
Destaques do mercado corporativo
- Oncoclínicas: a CVM autorizou, por unanimidade, a OPA que pode movimentar até R$ 6 bilhões após reconhecer que a reorganização envolvendo a Centaurus acionou a cláusula estatutária de oferta acima de 15% do capital.
- Hapvida: destinou até R$ 250 milhões à recompra de debêntures e liquidação de hedge, reduzindo a dívida bruta em R$ 322,6 milhões.
- Amil: o Bradesco negou ter fechado acordo para financiar os fundos Advent e Bain na aquisição da companhia.
- Braskem: confirmou que seu plano de recuperação extrajudicial prevê eventual aporte de capital e conversão de dívida em capital caso determinadas métricas não sejam atingidas.
- Casas Bahia: a Procuradoria do Trabalho deve se reunir com a companhia após demissões coletivas, enquanto a Justiça manteve a obrigação de recontratar entre 1,9 mil e 3 mil trabalhadores.
- Petz Cobasi: esclareceu que a estimativa de faturamento de R$ 8 bilhões em 2026 não é guidance e resulta apenas da anualização da receita do primeiro semestre.
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