Os mercados globais têm desempenho misto nesta sexta-feira (28), em uma sessão dominada pela expectativa em torno do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no simpósio anual de Jackson Hole. Os investidores buscam indicações sobre as condições que poderiam levar o banco central americano a mexer nos juros e, principalmente, sobre a trajetória da política monetária nos Estados Unidos.
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O encontro, que reúne banqueiros centrais, economistas e autoridades responsáveis por decisões econômicas, chega ao segundo dia. A principal atração será o primeiro discurso de Warsh como membro votante permanente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
A fala ocorre em meio à tentativa do mercado de identificar quais critérios poderão sustentar uma eventual alta dos juros em setembro. O PCE, indicador de inflação acompanhado pelo Fed, veio acima do esperado e preservou as apostas em aperto monetário, enquanto a reunião dividida da autoridade monetária e os dados mais recentes apontam desaceleração tanto da inflação quanto do mercado de trabalho — ainda sem oferecer conforto suficiente ao Fed.
O discurso de Warsh, marcado para as 11h, ganha importância justamente por poder indicar como o Fed avalia o comportamento dos preços, o ritmo da atividade econômica e os próximos passos da política monetária. Uma postura mais dura tende a favorecer o dólar e pressionar as bolsas e os mercados emergentes. Por outro lado, uma sinalização mais favorável à flexibilização pode melhorar o ambiente para os ativos de risco.
Durante mais de duas décadas, o discurso de abertura de Jackson Hole foi utilizado pelo comando do Fed para oferecer pistas sobre o futuro dos juros. Warsh, porém, pode quebrar essa tradição. Desde que assumiu a presidência da instituição, há três meses, ele deixou de antecipar com clareza os próximos movimentos do banco central americano.
O contraste ficou evidente nas falas de outras autoridades do Fed nesta quinta-feira (27). Beth Hammack foi direta ao defender que “É hora de agir”. Para ela, a política monetária não está restritiva e adiar uma resposta tornará o combate à inflação mais custoso. Hammack projeta inflação em torno de 3% ao fim deste ano e, “na melhor das hipóteses”, próxima de 2,5% em 2027.
Já Susan Collins adotou um tom mais cauteloso, mas também deixou aberta a possibilidade de apoiar uma alta dos juros caso a desinflação não apresente continuidade. Segundo ela, esse movimento pode se mostrar adequado já nas próximas reuniões.
A dúvida, agora, é se Warsh seguirá o caminho de seus colegas ou manterá a estratégia de não antecipar decisões. “Não espero que nenhum sinal saia do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole”, disse Jan Groen, economista-chefe dos EUA na firma financeira global Societé Générale. “E se eu estiver certo, acho que o mercado não vai gostar”, concluiu.
A preocupação dos investidores com a ausência de orientação sobre os próximos passos do Fed já se refletiu nos mercados. Após a coletiva de imprensa que sucedeu a reunião da instituição no mês passado, quando Warsh evitou comentar o futuro dos juros, os rendimentos dos títulos americanos de longo prazo dispararam, em um possível sinal de receio de que o banco central não esteja fazendo o suficiente para conter uma inflação ainda persistentemente elevada.
Brasil: Justiça suspende imposto sobre exportação de petróleo
No Brasil, o mercado acompanha os desdobramentos da disputa em torno do Imposto de Exportação sobre petróleo bruto. O juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal do Distrito Federal, suspendeu nesta quinta-feira a cobrança instituída pelo governo federal.
Ao conceder a liminar, de caráter provisório, o magistrado entendeu que o ato do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) que criou o imposto reproduziu o conteúdo de uma medida provisória que não foi aprovada, o que, segundo sua decisão, viola o princípio da separação dos Poderes.
A decisão foi tomada no mesmo dia em que o Gecex, órgão vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), decidiu estender por mais 60 dias a vigência do tributo criado para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro e financiar os custos relacionados ao subsídio da gasolina e do diesel.
A alíquota de 12% permanece prevista para vigorar até 9 de setembro. Desde março, quando passou a ser cobrada, a medida já havia gerado arrecadação de R$ 7,982 bilhões até julho.
As empresas do setor petrolífero vinham tentando derrubar a cobrança, sob o argumento de que o imposto reduz a atratividade dos investimentos no setor e prejudica a competitividade do petróleo brasileiro no mercado externo.
Manchetes desta manhã
- Japão fez intervenção recorde no câmbio no último mês (Valor)
- Lula cobra aprovação rápida de lei de minerais críticos após avanço de estrangeiros em 4 projetos de terras raras (Folha)
- CVM dá 60 dias à Centaurus para OPA pela Oncoclínicas; Selic aumenta a conta (Estadão)
- Oposição começa a se mexer contra compra da Avibras pelos irmãos Batista, da JBS (O Globo)
Mercado global aguarda com expectativa pelo discurso de Kevin Warsh
Em Nova York, os índices futuros operam mistos nesta sexta-feira (28), na expectativa pelo discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em Jackson Hole.
As bolsas da Europa operam em alta, também com investidores aguardando pelo discurso do presidente do Fed.
No cenário econômico, as ações francesas buscam recuperação após as perdas da véspera. Entre os destaques, Société Générale, BNP Paribas e Crédit Agricole avançam 1,66%, 0,74% e 0,55%, respectivamente.
Já os mercados da Ásia encerraram a semana com desempenho misto, diante da perda de força do rali das ações de tecnologia antes do discurso de Kevin Warsh. As empresas de tecnologia seguem sensíveis às perspectivas para os juros dos Estados Unidos, especialmente após a recente turbulência no mercado de títulos ter aumentado a pressão sobre as ações do segmento.
O Kospi recuou 1,79%, pressionado pelas perdas entre fabricantes de semicondutores, em meio à preocupação com as avaliações elevadas do setor.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,07%
- FTSE 100: +0,17%
- CAC 40: +0,92%
- Nikkei 225: +0,41%
- Shanghai SE Comp: -0,11%
- Hang Seng: +0,08%
- Ouro (jun): -0,21%, a US$ por 4.654,32 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,07%, aos 99,21 pontos
- Bitcoin: +0,33% a US$ 79.543,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam sem direção única, em uma sessão volátil, após a alta da véspera, enquanto o mercado acompanha o novo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
A recusa de Washington em retomar os termos do acordo firmado em junho e o tráfego ainda reduzido pelo Estreito de Ormuz mantêm as incertezas sobre o abastecimento no radar dos investidores.
O Brent/outubro tem leve alta de 0,02%, cotado a US$ 89,72, enquanto o WTI/outubro cai 0,43%, a US$ 83,17. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,91% em Dalian, na China, cotado a US$ 107,59/ton.
Cenário internacional: Trump busca conter alta da gasolina em meio à guerra com Irã
O presidente Donald Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e varejistas de combustíveis para destacar as medidas de seu governo destinadas a reduzir os preços da gasolina. A iniciativa ocorre em um momento de crescente pressão sobre os consumidores americanos, afetados pelos efeitos da guerra contra o Irã, e às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
O conflito tem se tornado um fator adicional de desgaste para o governo. A alta dos preços dos combustíveis ameaça comprometer uma das principais promessas da campanha de Trump em 2024: a redução do custo de vida nos Estados Unidos. Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que a aprovação do presidente caiu para 33%, enquanto apenas 31% dos americanos aprovam a guerra contra o Irã.
No campo geopolítico, o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira que uma retomada das negociações diplomáticas com os Estados Unidos não está descartada. A possibilidade, no entanto, depende de Washington reconhecer que a pressão não é uma estratégia eficaz, segundo o ministro.
Araghchi também condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao encerramento de todas as guerras em andamento no Oriente Médio. A declaração foi feita após negociações, realizadas na quinta-feira, com autoridades do Catar para discutir a criação de uma rota segura de trânsito pelo estreito.
Na Europa, os dados econômicos trouxeram um contraponto ao ambiente de incerteza provocado pela guerra. A confiança de empresários e consumidores da Zona do Euro avançou em agosto, apesar das dúvidas sobre a duração e a intensidade do conflito entre Estados Unidos e Irã. O indicador de confiança econômica da Comissão Europeia subiu de 97,1 em julho para 98,4 neste mês.
Brasil: CMN reduz juros para minerais críticos enquanto DPU aciona Braskem
No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu para 3% ao ano as taxas de juros das linhas do Plano Brasil Soberano voltadas a investimentos de empresas dos setores industrial e tecnológico ligados à cadeia de minerais críticos e estratégicos.
A decisão foi tomada em reunião extraordinária realizada na quinta-feira. As taxas, que anteriormente variavam entre 6,5% e 8% ao ano, conforme a finalidade do financiamento, foram reduzidas para 3% nas operações destinadas à aquisição de bens de capital e à realização de investimentos no segmento.
Ainda no cenário corporativo e jurídico, a Defensoria Pública da União (DPU) abriu processo contra a Braskem e a União, atribuindo prejuízos de R$ 5 bilhões ao patrimônio mineral em razão da paralisação das atividades de extração de sal-gema em Maceió.
Segundo a DPU, há indícios “de que a empresa praticou lavra ambiciosa, modalidade de exploração que desrespeita os planos de lavra e compromete o aproveitamento econômico da jazida”.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: o STF formou maioria de 6 votos a 4 para permitir a incidência de IRPJ e CSLL sobre lucros de subsidiárias no exterior.
- Petrobras: o Gecex-Camex aprovou a prorrogação, por mais 60 dias a partir de 8 de setembro, do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
- MBRF: aprovou emissão privada de R$ 825 milhões em debêntures, com possibilidade de lote adicional que pode elevar o montante a R$ 1,03 bilhão, com os títulos vinculados a CRAs.
- Natura: acionistas dispensaram a obrigação de OPA pela Lotus, veículo da Advent, e aprovaram a ampliação do conselho para até dez integrantes.
- GPA: contestou na Justiça o parecer do MPSP contrário à homologação de seu plano de recuperação extrajudicial e defendeu que os credores envolvidos atendem aos critérios legais de tratamento homogêneo.
- BRB: decisão de Luiz Fux determinou a prorrogação, por 90 dias, do contrato com o TJ da Bahia para administração de depósitos judiciais, vínculo considerado relevante para a liquidez do banco.
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