O mercado de loteamentos em São Paulo começou 2026 com queda nos lançamentos e nas vendas, cenário que contrasta com a alta nos preços. No primeiro trimestre foram lançados 7.297 lotes, uma redução de 19% na comparação anual, enquanto as vendas somaram 10.315 unidades, recuo de 21%, aponta a pesquisa AELO/BRAIN/Secovi-SP.
Ao mesmo tempo, nesse período havia 52.199 lotes em comercialização, com disponibilidade de 24,3%. O preço médio atingiu R$ 703 por metro quadrado nos loteamentos abertos e R$ 1.261 nos fechados, ambos em alta no trimestre.
Entre os lançamentos, 66,7% eram de loteamentos abertos e 33,3% de fechados. No estoque, a participação era de 62,9% e 37,1%, respectivamente.
O movimento coloca no centro do debate a relação entre oferta de terra urbanizada, preço, demanda por moradia e planejamento das cidades.
Campinas e Sorocaba lideram no mercado de lotes
A Região Metropolitana de Campinas concentrou 38% dos lançamentos pesquisados, com 2.765 lotes em 11 empreendimentos. Também respondeu por 30% das vendas, com 3.102 unidades, e por aproximadamente R$ 999 milhões em VGV (Valor Geral de Vendas), equivalente a 37% do total regionalizado.
O PIB regional é projetado em R$ 827,2 bilhões em 2026 e R$ 941,9 bilhões em 2030. Para a AELO, o desafio é conciliar crescimento econômico, expansão urbana, infraestrutura, mobilidade e produção de lotes urbanizados.
Sorocaba aparece como segundo principal mercado. Foram 1.192 lotes lançados, 16% do total, e 1.541 vendidos, 15% das vendas. O ticket médio ficou em R$ 130,3 mil no lote aberto e R$ 266,5 mil no fechado. O preço por metro quadrado foi de R$ 654 e R$ 820, respectivamente.
O PIB da cidade está projetado em R$ 209,4 bilhões em 2026 e R$ 240,7 bilhões em 2030.
Preços dos lotes mostram forte diferença entre regiões
São José dos Campos apresentou o maior preço médio por metro quadrado entre os loteamentos abertos pesquisados, de R$ 1.069, com ticket médio de R$ 175,6 mil. Nos fechados, os valores foram de R$ 1.207/m² e R$ 334,1 mil. O PIB regional projetado é de R$ 244,7 bilhões em 2026 e R$ 267,4 bilhões em 2030.
Na Grande São Paulo, o lote aberto teve ticket médio de R$ 170,3 mil e preço de R$ 1.068/m². No fechado, os valores chegaram a R$ 375,2 mil e R$ 1.948/m², o maior preço por metro quadrado nessa modalidade entre as regiões pesquisadas. O PIB da região está projetado em aproximadamente R$ 1,88 trilhão em 2026.
Ribeirão Preto apresentou o maior ticket médio entre os loteamentos fechados: R$ 483,9 mil. No aberto, foi de R$ 133,2 mil. Os preços por metro quadrado ficaram em R$ 657 e R$ 1.533, respectivamente. O PIB regional projetado é de R$ 111 bilhões em 2026 e R$ 125,9 bilhões em 2030.
Franca também está entre os mercados de maior valor no segmento fechado, com ticket de R$ 472,9 mil e preço de R$ 1.333/m². No aberto, os números são R$ 125,9 mil e R$ 490/m². O PIB regional previsto para 2026 é de R$ 56,8 bilhões.
A região discute mudança na lei de zoneamento na bacia do Rio Canoas, que sofre com loteamentos clandestinos e impactos ambientais e sociais relacionados à falta de fiscalização.
São José do Rio Preto combina demanda e oferta
São José do Rio Preto registrou 1.036 lançamentos, 14% do total pesquisado nas regiões com lançamentos, e 1.359 vendas, ou 13%. O VGV vendido chegou a aproximadamente R$ 592 milhões.
O ticket médio foi de R$ 104,8 mil no lote aberto e R$ 304,8 mil no fechado, enquanto o PIB regional está projetado em R$ 111,9 bilhões em 2026 e R$ 126,2 bilhões em 2030.
A AELO propõe ampliar o acesso à terra urbanizada, combinar crédito habitacional com oferta de lotes e fortalecer a infraestrutura das cidades médias.
Bauru chama atenção pelo estoque
Bauru apresenta disponibilidade superior a 35% do estoque em relação ao total lançado, acima da média estadual de 24,3%. O ticket médio é de R$ 109,7 mil no lote aberto e R$ 314,3 mil no fechado, enquanto o PIB regional projetado para 2026 é de R$ 95,4 bilhões.
Para a AELO, o desafio não é simplesmente aumentar lançamentos, mas adequar localização, infraestrutura e preço à demanda regional. Crédito e melhoria nos processos de aprovação são apontados como formas de movimentar o estoque.
Lotes no interior combinam preços e políticas habitacionais
Na Região Central, Araraquara registrou 983 lotes lançados e 607 vendidos no primeiro trimestre. O ticket médio foi de aproximadamente R$ 135,5 mil no aberto e R$ 305,6 mil no fechado. O PIB regional projetado é de R$ 86,5 bilhões em 2026 e R$ 95,9 bilhões em 2030. A AELO defende que a expansão de Araraquara e São Carlos seja acompanhada por infraestrutura, mobilidade e serviços públicos.
Em Presidente Prudente, foram 396 lotes vendidos. O ticket médio chegou a R$ 116,6 mil no aberto e R$ 229,6 mil no fechado. O PIB regional projetado para 2026 é de aproximadamente R$ 57 bilhões. Em junho, o governo paulista anunciou R$ 45,6 milhões para moradias e melhorias urbanas em Pirapozinho e Presidente Prudente.
Em Marília, o ticket foi de R$ 111,2 mil no aberto e R$ 288,8 mil no fechado. O preço do metro quadrado do lote aberto ficou em R$ 614, abaixo da média estadual de R$ 703. O PIB regional projetado é de R$ 73,3 bilhões. A AELO vê espaço para políticas de crédito e subsídio que aproximem o preço da terra da capacidade de pagamento das famílias.
Araçatuba registrou ticket de R$ 136,6 mil no lote aberto, com preço de R$ 540/m², e R$ 176,4 mil no fechado. O PIB regional previsto é de R$ 54,3 bilhões em 2026. Em julho, o governo autorizou 360 novas moradias em quatro municípios da região.
Em Barretos, o lote aberto tem um dos menores preços do Estado, de R$ 448/m², com ticket de R$ 112,1 mil. O fechado alcança R$ 327 mil. O PIB regional projetado é de R$ 34,9 bilhões em 2026.
Para a AELO, esses mercados mostram a necessidade de políticas habitacionais regionalizadas, considerando diferenças de renda, preço da terra e demanda.
Itapeva, por outro lado, apresenta lote aberto com preço de R$ 764/m² e ticket de R$ 173,6 mil, acima da média estadual de R$ 703/m². No fechado, o ticket não foi informado no levantamento apresentado. O PIB regional está projetado em R$ 39,7 bilhões em 2026 e R$ 46,7 bilhões em 2030.
Em janeiro, foram entregues 355 moradias em Taquarituba e Buri, com investimento de R$ 67,4 milhões. Para a AELO, a região ilustra o desafio de combinar desenvolvimento econômico, infraestrutura e acesso à terra.











