Os mercados globais operam em tom negativo nesta quarta-feira (2), enquanto a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã prolonga a aversão ao risco. O conflito tem sustentado a alta do petróleo, reacendido preocupações com inflação e juros e contribuído para a pressão sobre o mercado acionário americano por três pregões seguidos.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quarta-feira (2), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
O cenário se agravou após os Estados Unidos concluírem, na terça-feira, uma nova rodada de ataques contra o Irã — a primeira desde os bombardeios de domingo (30), que marcaram o início do que o governo de Donald Trump classificou como um “D-Day econômico” contra os apoiadores de Teerã. Em resposta, o Irã atacou alvos regionais, com as ofensivas sendo interceptadas pela Jordânia e pelo Bahrein.
A Guarda Revolucionária iraniana também informou que dois navios petroleiros atingiram minas navais durante a travessia pelo Estreito de Ormuz, ampliando as preocupações com o fluxo de petróleo pela região. Do lado americano, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou ter atingido sistemas iranianos de defesa aérea, comunicação e radar.
Além da ofensiva militar, Washington prepara uma nova rodada de sanções contra bancos ligados ao regime iraniano. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos pretendem acelerar o estrangulamento econômico de Teerã e disse acreditar que o regime poderá entrar em colapso, abrindo caminho para um eventual acordo.
A combinação entre o conflito, a valorização da energia e o risco de uma nova pressão inflacionária também atinge o mercado global de juros. Os títulos soberanos são vendidos em diferentes regiões, elevando os custos de captação para máximas de várias décadas e reforçando a expectativa de que os bancos centrais dos Estados Unidos, do Japão e da zona do euro elevem as taxas de juros ainda neste mês.
Nesta quarta-feira, os títulos globais permanecem em queda, em um movimento que reflete não apenas os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia, mas também as crescentes inquietações com o avanço acelerado da dívida pública.
Nos Estados Unidos, o rendimento da Treasury de 10 anos, referência para os custos de financiamento em escala global, atingiu o maior nível em três anos e se aproxima da marca de 5%, elevando o risco de novas turbulências nos mercados acionários, já pressionados pela crescente aversão ao risco.
Já na Europa, o rendimento do título alemão de 10 anos, o bund, avançava 4 pontos-base, para 3,375%, o maior nível desde 2011. No Reino Unido, o gilt de 10 anos renovava o maior patamar desde 2008, a 5,25%.
No Japão, o rendimento do título soberano de 10 anos chegou a 3,016%, após superar a marca de 3% pela primeira vez em três décadas. O movimento reforça as expectativas de que o Banco do Japão eleve os juros como forma de dar sustentação ao iene.
Brasil: Senado aprova incentivos para data centers; projeto segue para sanção
No Brasil, o foco se volta também para o avanço da agenda de infraestrutura digital. O Senado aprovou o projeto que cria incentivos para a instalação e expansão de data centers no país, destravando uma proposta que havia sido aprovada pela Câmara em fevereiro e permanecia parada entre os senadores.
Pelo Redata, as empresas do setor poderão contar com suspensão e posterior redução a zero de tributos como IPI, PIS/Pasep, Cofins e Imposto de Importação sobre a aquisição e importação de equipamentos de tecnologia da informação e comunicação destinados à instalação ou ampliação de data centers. O regime também prevê redução do Imposto de Importação quando não houver produção nacional equivalente.
Para acessar os benefícios, as empresas deverão contratar a totalidade de sua demanda de energia elétrica por meio de contratos de suprimento ou autoprodução baseados em fontes renováveis ou de baixa emissão. Os senadores incluíram a expressão “baixa emissão” no texto, permitindo que os data centers também possam contratar energia gerada a partir do gás natural.
O regime será destinado a empresas que implementarem projetos de instalação ou expansão de centros de processamento de dados no Brasil, incluindo estruturas voltadas à computação em nuvem, ao processamento de alto desempenho e ao treinamento de modelos de inteligência artificial.
A proposta foi destravada após uma reunião, na semana passada, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com a aprovação pelos senadores, o texto segue agora para sanção presidencial.
Manchetes desta manhã
- Endividamento e comprometimento de renda nas alturas acendem alerta no BC (Valor)
- Chevron assina acordo para investir US$ 7 bi na Venezuela e dobrar produção de petróleo até 2031 (Folha)
- Governistas descartam efeito de caso Moraes e mantêm votações de fim da 6×1 e blusinhas nesta quarta (Estadão)
- Receitas previstas na proposta de Orçamento de 2027 estão superestimadas, dizem especialistas (O Globo)
Mercado global é pressionado pela alta do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda, pressionados pela alta do petróleo, que avançou pelo 3º dia consecutivo, chegando a cerca de US$ 95 o barril, maior nível desde julho, em meio à escalada do conflito entre EUA e Irã.
As bolsas europeias também operam em queda, diante do avanço do petróleo e dos temores de novas pressões inflacionárias com a escalada militar no Oriente Médio.
Entre os destaques, os rendimentos dos títulos soberanos da zona do euro voltaram a subir e a Lottomatica despencava 9,77% há pouco e teve as negociações temporariamente suspensas após anunciar a aquisição da espanhola Cirsa.
Na Ásia, os mercados fecharam em forte queda, pressionadas pela alta do petróleo e pelo avanço dos rendimentos dos títulos globais. No Japão, o Nikkei despencou 2,85%, enquanto os juros dos títulos de 10 anos subiram 3%, ampliando a pressão sobre ações de crescimento, mais sensíveis às taxas de juros.
O movimento ganhou força após o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, sinalizar que o banco central segue avaliando novos aumentos dos juros, reforçando as expectativas de uma possível alta em setembro.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,17%
- FTSE 100: -0,33%
- CAC 40: -0,32%
- Nikkei 225: -2,9%
- Shanghai SE Comp: -0,97%
- Hang Seng: -0,07%
- Ouro (jun): -0,18%, a US$ por 4.388,46 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,09%, aos 99,76 pontos
- Bitcoin: -1,62% a US$ 76.779,1
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros ampliam os ganhos pela 3ª sessão consecutiva, com o Brent acima de US$ 95 por barril, em meio à escalada do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio.
Novos ataques americanos contra alvos iranianos foram seguidos por retaliações de Teerã contra Jordânia, Bahrein e Kuwait.
O Brent/novembro avança 0,43%, cotado a US$ 95,06, enquanto o WTI/outubro sobe 0,11%, a US$ 90,32. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,11% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,21.
Cenário internacional – China eleva tensão comercial no G20
A agenda desta quarta-feira concentra uma série de indicadores relevantes no Brasil e nos Estados Unidos, em uma sessão marcada ainda pelo avanço das discussões comerciais entre as maiores economias do mundo e por decisões que podem movimentar o ambiente político e econômico doméstico.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho ganha destaque com a divulgação do relatório da ADP sobre o emprego no setor privado. O levantamento mostrou a criação de 38 mil vagas em agosto, abaixo das 44 mil registradas em julho e das 47 mil esperadas pelo consenso.
Às 11h, serão conhecidas as encomendas à indústria de julho, com expectativa de alta de 0,7%, após retração de 0,3% em junho. Às 11h30, os investidores voltam as atenções para os estoques de petróleo dos Estados Unidos, especialmente com o Brent novamente negociado acima de US$ 90 por barril. A projeção aponta para redução de 300 mil barris nos estoques de petróleo bruto, de 1,7 milhão de barris nos de gasolina e de 1,9 milhão nos de destilados.
Às 15h, o Fed divulga a nova edição do Livro Bege, que reúne informações sobre atividade econômica, inflação e condições do mercado de trabalho nas diferentes regiões americanas.
No front comercial, a China ficou isolada no G20 ao não aderir a um comunicado que classificou como insustentável o fluxo de exportações baratas provenientes de “economias que não seguem regras de mercado”. A declaração foi atribuída ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que apontou o superávit em conta corrente chinês como o maior e mais insustentável do mundo.
Bessent falou após a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, realizada na Carolina do Norte, e também afirmou que a China deve contribuir para a solução da crise envolvendo o Irã.
Brasil enfrenta agenda política movimentada
No Brasil, o principal indicador econômico do dia é a produção industrial de julho. O IBGE informou avanço de 0,2% na comparação mensal, após queda de 1,8% em junho. Na comparação anual, porém, a indústria recuou 0,5%, depois de registrar crescimento de 1,7% no mesmo período anterior.
No setor financeiro, o Banco Central publica a ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef). Às 14h30, a autoridade monetária divulga os dados semanais do fluxo cambial, indicador acompanhado pelo mercado para avaliar a entrada e saída de recursos do país.
No campo político, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Às 10h15, a Quaest divulga uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República.
Na Câmara, a partir das 11h, os deputados votam a indicação de Rodrigo Pacheco para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Mais tarde, às 16h30, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, se reúne com representantes da BGC Liquidez.
Ao longo do dia, Câmara e Senado também analisam a medida provisória (MP) que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”, mantendo a agenda econômica e política doméstica no radar dos investidores.
Destaques do mercado corporativo
- B3: teve dois autos de infração que somavam R$ 2,2 bilhões definitivamente cancelados pelo Carf e propôs um acordo ao Cade para viabilizar a aquisição de 60% da CRDC.
- BRB: a B3 determinou que as ações do banco deixem a negociação contínua e passem a ser negociadas exclusivamente por meio de leilões durante toda a sessão, devido ao atraso na divulgação dos balanços.
- Raízen: concluiu a venda de operações na Argentina à Mercuria por US$ 1,42 bilhão e da Usina Caarapó à Adecoagro por R$ 760 milhões.
- Ambipar: o STJ suspendeu a assembleia de credores até decidir se a recuperação judicial permanecerá no Rio de Janeiro ou será transferida para São Paulo, enquanto a companhia pediu reconsideração da medida.
- T4F: teve o fechamento de capital aprovado pela CVM e deixou de ser negociada na B3, restando menos de 5% das ações em circulação, que poderão ser alvo de resgate compulsório.
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