Os mercados globais iniciaram esta terça-feira (15) em forte aversão a risco, com a escalada das tensões no Oriente Médio elevando os preços da energia e pressionando os mercados de juros na véspera da decisão do Federal Reserve (Fed). O rendimento da Treasury de 10 anos avança ao maior nível desde 2007, enquanto o petróleo mantém trajetória de alta pelo segundo pregão consecutivo.
Os contratos futuros do petróleo seguem em alta, com o Brent negociado próximo de US$ 106 por barril. A pressão reflete a deterioração do quadro no Oriente Médio, em meio ao avanço dos houthis na região. O grupo intensificou os ataques ao redor do Iêmen e da Arábia Saudita, avançou pela costa oeste iemenita e atingiu uma base aérea saudita em Khamis Mushait. Os houthis também assumiram o controle da Ilha de Perim, ampliando os riscos sobre as exportações de petróleo da Arábia Saudita.
A infraestrutura de transporte de petróleo saudita já vinha sendo afetada após um ataque, na semana passada, retirar de operação o oleoduto leste-oeste do país. Ao mesmo tempo, os países do Golfo adiaram, nesta segunda-feira, as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz, aumentando o temor de uma expansão do conflito e de novos riscos para o abastecimento global de petróleo.
O agravamento do conflito também repercute no mercado global de juros, ao reforçar os temores de inflação decorrentes da alta da energia. O rendimento dos Treasuries de 10 anos alcançou 5,041% nesta terça-feira, o maior nível desde 2007, segundo dados da Tradeweb e do The Wall Street Journal.
A taxa já havia ultrapassado 5% na segunda-feira, pela primeira vez em quase três anos, e a venda dos títulos ganhou força ao longo do dia em meio ao movimento global de aversão a risco.
Brasil: Crise no STF domina mercados antes de sessão decisiva
No Brasil, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) concentra a atenção dos investidores. O mercado acompanha nesta terça-feira, em tempo real, a sessão marcada para as 10h (horário de Brasília), que poderá autorizar uma investigação contra Alexandre de Moraes e acrescentar novos elementos a uma disputa política em torno de uma eleição cada vez mais apertada.
A possibilidade de uma decisão definitiva, porém, perdeu força nos últimos dias. Antes de analisar o conteúdo das mensagens obtidas pela Polícia Federal, os ministros podem avaliar a validade do material que levou o caso ao plenário e verificar se todos dispõem das informações necessárias para votar.
A tensão na Corte também avançou com a troca de ofícios envolvendo processos relacionados ao banco Master. Ministros como Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e o presidente do STF, Edson Fachin, solicitaram a disponibilização integral dos dados dos processos e de seus desdobramentos, enquanto André Mendonça afirmou ter liberado o acesso ao material que estava sob sua responsabilidade.
No fim da manhã de sexta-feira, Moraes encaminhou um ofício a Fachin no qual afirmou que Mendonça havia feito uma retirada apenas parcial do sigilo. O levantamento havia sido solicitado pelo presidente da Corte no dia anterior. Moraes acusou ainda o ministro de realizar uma “escolha seletiva” dos documentos e das ações que foram tornados públicos.
Manchetes desta manhã
- Moraes nega favorecimento a Vorcaro e chama investigação determinada por Mendonça de ‘fraude’ (Valor)
- EUA retaliam Canadá e aumentam tarifas de alguns produtos a 50% (Folha)
- Ascensão de emergentes como Brasil e China desafia sistema multilateral de comércio, diz OMC (Estadão)
- Governo amplia em R$ 2 bilhões espaço fiscal para estados e municípios pedirem empréstimos ( O Globo)
Mercado global é pressionado pela alta do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa nesta terça-feira, pressionados pela alta do petróleo, que elevou a pressão sobre os Treasuries e levou o rendimento da nota de 10 anos ao maior nível em 19 anos.
As bolsas europeias também recuam, pressionadas por bancos e pela disparada do petróleo, que amplia a pressão sobre os juros dos Treasuries e reduz o apetite por risco.
Às vésperas da decisão do Fed, as apostas em uma alta dos juros americanos amanhã superam 90%, segundo o CME Group. BoE e Banco do Japão também decidem sobre juros nos próximos dias.
Na Ásia, os mercados fecharam em queda, refletindo a cautela global com o desempenho negativo das empresas ligadas à inteligência artificial em Nova York e a leitura mista dos indicadores chineses.
Na China, a melhora da atividade industrial em agosto contrastou com a fraqueza do comércio varejista, sinalizando uma recuperação desigual e mantendo os investidores atentos à força da demanda interna.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,25%
- FTSE 100: -0,33%
- CAC 40: -0,24%
- Nikkei 225: -0,01%
- Shanghai SE Comp: -0,54%
- Hang Seng: -1%
- Ouro (jun): -0,58%, a US$ por 4.326,80 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,10%, aos 99,58 pontos
- Bitcoin: -1,57% a US$ 76.980,7
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros avançam pela segunda sessão consecutiva, com o Brent próximo de US$ 106 por barril, diante das tensões no Oriente Médio. Ontem, a reunião entre Irã e países do Golfo Pérsico sobre a abertura do Estreito de Ormuz foi adiada, enquanto Teerã mantém a resistência a negociar com os EUA sem que suas condições sejam atendidas.
Há pouco, o Brent/novembro ganhava 0,41%, cotado a US$ 106,11 e o WTI/outubro subia 0,99%, a US$ 102,39 - Minério de ferro: fechou em queda de 0,56% em Dalian, na China, cotado a US$ 105,41/ton
Cenário internacional destaca inflação europeia e fraqueza da China
Na agenda internacional, destaque para o índice ZEW de setembro da Alemanha e para o índice Empire State de atividade industrial de setembro, nos Estados Unidos.
Na Europa, os dados de inflação reforçam a pressão sobre os preços em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio. Na França, a inflação ao consumidor acelerou para 2,4% em agosto, maior nível em três meses, confirmando a estimativa preliminar. A alta foi impulsionada principalmente pelos preços de energia, com destaque para os derivados de petróleo.
Na Espanha, a inflação também avançou, para 4,3%, maior taxa desde fevereiro de 2023, igualmente em linha com a prévia. O movimento foi puxado pelos custos de transporte, especialmente diesel e gasolina, em meio às interrupções no abastecimento provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
No Reino Unido, a taxa de desemprego permaneceu em 4,9% no trimestre encerrado em julho, mesma leitura registrada no trimestre até junho, segundo o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS). Apesar da estabilidade do indicador, o mercado de trabalho britânico continua apresentando sinais de enfraquecimento antes da reunião do Banco da Inglaterra (BoE) nesta semana.
Na Ásia, os indicadores da China apontam para uma perda adicional de força da atividade doméstica. O investimento em ativos fixos recuou 7,2% no acumulado de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior, aprofundando a queda de 6,7% registrada até julho, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. No mesmo período, o consumo cresceu abaixo das expectativas, enquanto a prolongada desaceleração do mercado imobiliário continuou pressionando a demanda interna.
Brasil: Disputa eleitoral ganha força
No Brasil, o principal destaque da agenda é a divulgação das vendas no varejo de julho. O volume vendido caiu 0,8% na série com ajuste sazonal, após registrar alta de 0,3% em junho. Com o resultado, a média móvel trimestral do varejo passou a apresentar queda de 0,1% no trimestre encerrado em julho, ante recuo de 0,2% no período terminado em junho.
Na comparação com julho de 2025, entretanto, o volume de vendas avançou 1,2%, embora tenha desacelerado em relação à alta de 2,8% registrada em junho. No acumulado do ano, o varejo registra crescimento de 1,8%, enquanto o avanço em 12 meses chega a 1,6%.
No cenário eleitoral, pesquisa Indexa/Broadcast mostra uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O presidente aparece com 43% das intenções de voto, contra 42% do senador. Na rodada anterior, Lula tinha 46% e Flávio, 41%.
No primeiro turno, Lula registra 38% e Flávio Bolsonaro, 34%, ficando tecnicamente empatados no limite da margem de erro. Em agosto, os percentuais eram de 39% e 34%, respectivamente.











