O mercado inicia a sessão desta terça-feira (6) ainda sob forte impacto do resultado do primeiro turno das eleições. Na véspera, o Ibovespa disparou 7,7%, atingindo a maior alta da história. Durante a sessão, o índice chegou a avançar 9,1%, atingindo 209.606 pontos. No câmbio, o movimento também foi intenso. O dólar comercial caiu fortemente e chegou a ser negociado a R$ 4,95 na mínima do dia, ante R$ 5,21 no fechamento de sexta-feira.
A reação foi especialmente forte entre empresas mais sensíveis aos juros. A queda firme das taxas futuras (que incorporam as expectativas para a Selic e a inflação dos próximos anos) impulsionou varejistas, bancos e companhias ligadas ao mercado de capitais. A pressão sobre os juros foi tamanha que o Tesouro Nacional chegou a interromper temporariamente as negociações no Tesouro Direto.
Entre os papéis de maior destaque estiveram Magazine Luiza (MGLU3), B3 (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), todos beneficiados pela percepção de um ambiente mais favorável para empresas expostas ao crédito e ao mercado de capitais. Na ponta oposta, a valorização do real penalizou empresas exportadoras como Suzano (SUZB3) e Embraer (EMBJ3).
A leitura dos investidores sobre os candidatos também ajudou a explicar a forte movimentação dos ativos. Flávio Bolsonaro é considerado pelo mercado mais propenso a promover um ajuste fiscal. Lula, por outro lado, enfrenta maior desconfiança em relação à disposição de promover o reequilíbrio das contas públicas.
Com a definição da disputa em segundo turno, os investidores agora acompanham a movimentação política e seus possíveis reflexos sobre os ativos brasileiros.
PEC pelo fim da escala 6×1 avança no Senado
Enquanto o mercado acompanha a corrida presidencial, o Congresso retoma nesta terça-feira uma das principais bandeiras da campanha de Lula para o 2º turno: o fim da escala 6×1. A PEC reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e entra em uma etapa decisiva de tramitação no Senado. A retomada ocorre apenas dois dias após o primeiro turno das eleições, que alterou o ambiente político em torno da proposta.
Por se tratar de uma alteração constitucional, a proposta precisa de 3/5 dos votos dos senadores — 49 dos 81 parlamentares — em cada um dos dois turnos de votação.
O conteúdo também é determinante para o prazo de aprovação. Qualquer mudança feita pelo Senado obrigaria o texto a retornar à Câmara para nova análise, adiando a conclusão do processo. Por isso, o relator rejeitou todas as emendas. Se os senadores aprovarem a PEC sem alterações, a emenda será promulgada pelo Congresso e passará a valer sem necessidade de sanção presidencial.
Mercados globais mantêm apetite por risco
No exterior, os mercados globais operam em alta, com os futuros de Nova York mantendo o impulso da sessão anterior, quando o Nasdaq Composite fechou em nível recorde. Entre os principais eventos do dia estão os discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), a divulgação da balança comercial dos Estados Unidos e a evolução das tensões no Oriente Médio.
No front geopolítico, o governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, anunciou ontem uma “ofensiva estratégica” sobre Sanaa, capital controlada pelos houthis desde 2014. O grupo é ligado ao Irã. Segundo o governo iemenita, suas forças retomaram o porto de Mokha, no Mar Vermelho, e posições no litoral do Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota considerada crucial para o transporte de petróleo. Os houthis teriam negado a perda da cidade.
Em meio a ataques contra dois aeroportos sauditas, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão concordaram em mobilizar forças e adotar “medidas de dissuasão” contra os houthis.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca anunciou uma medida para tentar conter os efeitos da alta histórica dos combustíveis. O presidente Donald Trump assinou na segunda-feira à noite uma ordem executiva que permite temporariamente a caminhoneiros e agricultores utilizar diesel tingido de vermelho, combustível mais barato e normalmente reservado para operações agrícolas, com isenção dos impostos cobrados sobre o uso em rodovias. A ordem também adia até o fim do ano a cobrança de tributos relacionados a esse diesel.
Os altos preços do diesel atingiram um recorde de cerca de US$6,50 por galão em setembro, representando um risco para Trump antes das eleições de meio de mandato.
Manchetes desta manhã
- Disparada dos ativos expõe fratura na relação entre governo Lula e mercado (Valor)
- Petróleo cai mais de 2% e volta a ficar abaixo de US$ 100 (Folha)
- Coreia do Sul acredita que invasores utilizaram IA em onda de ataques ao sistema financeiro do país (Estadão)
- Trump libera compra de diesel vermelho, antes restrito a maquinas agrícolas ( O Globo)
Mercado global opera em alta com alívio do petróleo
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta terça-feira (6), dando continuidade ao rali da véspera, quando o Nasdaq Composite renovou seu recorde de fechamento. O mercado monitora hoje os discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e os dados da balança comercial dos Estados Unidos, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas pelo recorde do Nasdaq e pela queda do petróleo, com o Brent abaixo de US$ 100 por barril. No Japão, o Nikkei voltou aos 70 mil pontos pela primeira vez desde julho, apoiado pelas ações de semicondutores.
Na China continental, os mercados seguem fechados pelo feriado nacional e reabrem na quinta-feira (8).
As bolsas da Europa operam em alta apoiadas pelo alívio nos juros e pela queda do petróleo pelo terceiro dia consecutivo. Dados da indústria alemã abaixo do esperado também contribuem para reduzir as taxas da renda fixa.
Entre os destaques, a dinamarquesa Genmab sobe 7,99% após resultados positivos de fase avançada com o medicamento oncológico Epkinly, desenvolvido em parceria com a americana AbbVie.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,25%
- FTSE 100: +0,51%
- CAC 40: +0,64%
- Nikkei 225: +1,05%
- Shanghai SE Comp: fechado por feriado
- Hang Seng: +1%
- Ouro (jun): +0,88%, a US$ por 4.193,34 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,27%, aos 101,89 pontos
- Bitcoin: +0,07% a US$ 86.286,3
Commodities
- Petróleo: Os contratos futuros recuam pela terceira sessão consecutiva, com o Brent abaixo de US$ 100 por barril. O movimento reflete o alívio nas preocupações imediatas com a oferta, após dados de rastreamento de navios apontarem forte aumento nas exportações do Oriente Médio, em níveis mais próximos aos registrados antes da guerra.
Há pouco, o WTI para novembro caía 1,86%, a US$ 87,77; e o Brent para dezembro baixava 1,97%, a US$ 98,34.
Cenário internacional destaca pressão fiscal na Europa
Na Europa, o euro caiu ontem abaixo de US$ 1,12, atingindo o menor nível em 17 meses e acumulando perda superior a 4% no ano. A desvalorização ocorre em meio ao aumento dos custos de financiamento da França, que começa a pressionar outros países da zona do euro.
O prêmio pago pelos títulos franceses em relação aos alemães atingiu o maior nível desde a crise da dívida europeia, entre 2010 e 2012. O movimento ocorre diante das dificuldades do governo francês para aprovar o orçamento de 2027.
Os dados de atividade também reforçaram o quadro de fraqueza. Na França, a produção industrial caiu 0,3% em agosto ante julho, segundo o INSEE, contrariando a expectativa de avanço de 0,3%.
Na Alemanha, as encomendas à indústria recuaram 10,6% no mesmo período, de acordo com a Destatis, sinalizando pressão sobre a demanda industrial em meio aos custos de energia elevados pelo conflito no Oriente Médio.
Na zona do euro, as vendas no varejo avançaram 0,1% em agosto, segundo o Eurostat, abaixo da alta de 0,2% projetada pelo mercado.










