Os mercados globais operam em baixa nesta quarta-feira (7), em meio à combinação de tensão geopolítica, pressão sobre os preços de energia e cautela antes da divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve, prevista para a tarde. No Oriente Médio, a intensificação dos ataques a petroleiros e novos episódios envolvendo a Arábia Saudita voltaram a colocar em xeque a oferta de petróleo do Golfo Pérsico.
No Estreito de Ormuz, o Irã ampliou os ataques contra petroleiros que atravessam a região, ameaçando a recuperação ainda frágil das exportações de petróleo do Golfo. Atualmente, a passagem de embarcações depende de uma ampla operação militar dos Estados Unidos para proteção dos navios, que utilizam uma rota ao sul, próxima à costa de Omã.
A tensão também aumentou entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã. Dois aeroportos sauditas, Jazan e Najran, foram atingidos na terça-feira (6). Na madrugada desta quarta, os houthis atacaram ainda o aeroporto de Áden, no sul do Iêmen. Os episódios renovam o risco de interrupções na oferta regional e ajudam a sustentar as cotações do petróleo.
Além dos riscos no Oriente Médio, o mercado acompanha a evolução de uma tempestade no Golfo do México que, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, deve se transformar em furacão e se aproximar da costa americana na sexta-feira (9). A trajetória prevista coloca seis refinarias em área de risco, em uma região responsável por cerca de 50% da capacidade de refino dos EUA, de 18,2 milhões de barris por dia.
Em meio à escalada do conflito em Ormuz, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que o Irã “perdeu o controle total” do Estreito de Ormuz. Segundo Rubio, o volume de petróleo que circula pelo estreito está próximo dos níveis registrados antes da guerra regional. O secretário também declarou que as sanções “devastadoras” impostas pelos Estados Unidos estão atingindo fortemente a economia iraniana e afirmou que “a situação se tornará catastrófica”.
A disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle de Ormuz permanece, assim, como um dos principais pontos de tensão do conflito que afeta os mercados globais e adiciona pressão sobre a inflação, especialmente por meio do encarecimento dos hidrocarbonetos.
No mercado de juros, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos ultrapassou 5,30%, aumentando a preocupação dos investidores com a trajetória da inflação. Na Europa, o prêmio dos títulos franceses de dez anos em relação aos alemães avançou para 136 pontos-base, diante das preocupações fiscais no país antes da eleição presidencial do próximo ano.
Brasil: eleições e mudanças na MP das bets no radar
No Brasil, o cenário eleitoral também influencia a leitura dos investidores. A declaração de Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de utilizar uma maioria na Câmara e no Senado para promover mudanças na Constituição provocou repercussão no noticiário político. O candidato fez a declaração após receber o apoio de Ronaldo Caiado, que se comprometeu a participar integralmente da campanha no segundo turno.
Em seu discurso, Flávio afirmou que pretende usar a maioria no Congresso para “mudar a Constituição” e “redemocratizar o País”, além de defender que as instituições voltem a respeitar a Constituição. O candidato, contudo, não detalhou quais alterações constitucionais pretende propor.
A campanha bolsonarista também reforçou o tom de confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto a chamada bancada do impeachment ganha espaço no Congresso. O programa de governo de Flávio prevê apoio a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira do STF a competência para julgar ações criminais. Entre os casos citados estão os inquéritos que investigam suspeitas relacionadas a repasses de emendas, sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Para o economista André Galhardo, da Análise Econômica, porém, a existência de um Congresso à direita não elimina os desafios de articulação. Em declaração ao Broadcast, ele afirmou que uma reforma fiscal abrangente, com alterações nos pisos constitucionais, exigirá “grande habilidade política” de Flávio.
Enquanto o ambiente eleitoral movimenta o cenário político, o Congresso também amplia a discussão sobre a medida provisória (MP) que trata do fim das bets. Deputados e senadores apresentaram novas propostas de alteração ao texto, que proíbe as apostas. Até a noite de terça-feira, haviam sido apresentadas 48 emendas.
Uma das novas propostas é de autoria do deputado Bebeto (PP-RJ). A emenda retira a proibição das bets, mas estabelece restrições à publicidade das empresas do setor, incluindo a aquisição de naming rights de estádios de futebol. Outra proposta foi apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O texto determina que o Sistema Único de Saúde (SUS) assegure atendimento integral às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas e também a seus familiares.
O prazo para apresentação das sugestões, que inicialmente terminaria na semana passada, foi prorrogado. Deputados e senadores poderão apresentar novas emendas até 13 de outubro.
Manchetes desta manhã
- OEA cita preocupação com desinformação e interferência externa na eleição brasileira (Valor)
- Chefe do FMI vê economia mundial ameaçada por guerra, IA e dívida pública recorde (Folha)
- Bancos estrangeiros veem mais ganhos no Brasil após 1º turno (Estadão)
- Bets começam a informar hoje aos bancos saldos deixados por apostadores (O Globo)
Mercados globais sob pressão do petróleo e dos título globais
Em Nova York, os índices futuros operam em queda nesta quarta-feira (7), após o S&P 500 fechar em recorde na véspera, impulsionado pelas ações de tecnologia. O mercado, porém, reduz o otimismo diante de novos ataques no Estreito de Ormuz e antes da ata do Fed.
A escalada iraniana diminuiu as expectativas de retomada dos embarques pela rota marítima, levando o Brent a superar US$ 101 por barril.
Na Ásia, os mercados encerraram em queda, destoando de Wall Street, pressionadas pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries.
Em Tóquio, o Nikkei recuou, em movimento de realização de lucros, após atingir a maior cotação em três meses. Na China continental, os mercados permaneceram fechados por feriado.
As bolsas da Europa também recuam, após três sessões de ganhos, pressionadas pela alta do petróleo e dos rendimentos dos títulos globais. Na renda fixa, os yields de EUA e Europa avançam marginalmente, enquanto os spreads franceses se ampliam diante das preocupações fiscais no país antes da eleição presidencial do próximo ano.
Na contramão, as montadoras se destacam após notícias de que a União Europeia prepara medidas emergenciais para limitar a importação de híbridos fabricados na China. Renault sobe 1,98%, Volkswagen avança 1,12% e Stellantis ganha 0,92%.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,25%
- FTSE 100: -0,72%
- CAC 40: -1,10%
- Nikkei 225: -0,92%
- Shanghai SE Comp: fechado por feriado
- Hang Seng: -0,62%
- Ouro (jun): -1%, a US$ por 4.145,40 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,51%, aos 102,35 pontos
- Bitcoin: -2,95% a US$ 83.694,1
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltam a subir nesta quarta-feira, com a intensificação dos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz ofuscando a retomada das exportações sauditas e a recuperação dos fluxos do Oriente Médio aos níveis anteriores ao conflito.
A tensão regional aumentou após ataques houthis danificarem dois aeroportos no sul da Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen, em meio à contraofensiva de forças apoiadas pelos sauditas para retomar áreas no Mar Vermelho.
Há pouco, o Brent para dezembro avançava 1,48%, a US$ 102,07 e o WTI para novembro subia 0,76%, a US$ 90,1.
Cenário internacional
As atenções dos mercados nesta quarta-feira se concentram na ata da última reunião do Fomc, que pode trazer detalhes sobre o debate interno do Federal Reserve a respeito dos próximos passos da política monetária americana. Para os analistas do Bradesco, o documento deve ajudar a esclarecer as divergências dentro do comitê.
Na Europa, os juros soberanos acompanham a alta global. Os rendimentos dos títulos de 10 anos da França e da Itália avançam 8 pontos-base, enquanto os gilts britânicos de 10 e 20 anos sobem 5 pontos-base. Na França, o aumento dos custos de financiamento provocou uma onda de vendas do euro, diante do receio de que a fragilidade fiscal do país se espalhe pela Europa.
O presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, classificou a situação econômica francesa como séria, mas afirmou que não há necessidade, neste momento, de uma intervenção do Banco Central Europeu (BCE). Segundo ele, o diferencial de juros reflete o déficit maior da França em relação a outros países da zona do euro e a incerteza política em torno da votação do Orçamento.
Na Alemanha, a produção industrial avançou 2,0% em agosto ante julho, segundo a Destatis. O resultado ficou acima da expectativa de 0,5% e reverteu a queda de 1,2% registrada em julho. Na comparação anual, a produção cresceu 2,3%, em um cenário no qual as empresas acumulam estoques desde abril em razão da guerra no Oriente Médio.










