Receber rendimentos todos os meses sem precisar comprar um imóvel ou selecionar títulos de crédito individualmente é um dos objetivos de quem busca complementar a renda. Além dos fundos imobiliários negociados na Bolsa e das aplicações tradicionais de renda fixa, existe uma alternativa ainda pouco conhecida: os chamados fundos cetipados.
Esses produtos podem investir em crédito privado, imóveis, agronegócio, infraestrutura e outros segmentos da economia. Dependendo da estrutura, parte dos resultados é distribuída periodicamente aos cotistas, inclusive todos os meses.
A principal diferença está na forma de negociação. Em vez de serem compradas e vendidas diretamente no pregão da Bolsa, as cotas circulam no mercado de balcão organizado, com a intermediação de uma corretora ou distribuidora.
Isso permite ao investidor acessar estratégias que nem sempre aparecem no home broker. Em contrapartida, é necessário compreender de onde vêm os rendimentos, quais riscos estão presentes e como funcionará uma eventual saída.
[Fale com um especialista da Wiser Investimentos e conheça os fundos cetipados disponíveis]
O que são fundos cetipados?
Apesar do nome, “cetipado” não representa uma categoria específica de investimento.
A expressão vem da Cetip, antiga central de registro, custódia e liquidação de ativos que atualmente integra a infraestrutura da B3. O termo passou a ser usado para identificar fundos cujas cotas são registradas e negociadas no mercado de balcão.
Portanto, ser cetipado não determina onde o fundo investe, quanto poderá render ou qual risco será assumido. Nesse ambiente podem ser encontrados fundos imobiliários, Fiagros, fundos de infraestrutura, fundos de participações e outras estruturas ligadas ao crédito e à economia real.
Dois fundos cetipados podem apresentar carteiras, prazos, custos e riscos completamente diferentes.
“O investidor não deve escolher um fundo apenas pela renda distribuída. É preciso entender quais ativos estão na carteira, a qualidade dos devedores, o prazo do produto e as condições para recuperar o capital”, afirma Carlos Bedicks, da Wiser Investimentos.
De onde vem a renda mensal?
A origem dos pagamentos depende dos ativos mantidos pelo fundo. Em uma carteira ligada ao mercado imobiliário, os recursos podem vir de aluguéis ou dos juros pagos por títulos como os Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs.
Um Fiagro pode investir em imóveis rurais, empresas do setor, recebíveis ou Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs. Já os fundos de infraestrutura podem direcionar recursos para projetos e empresas de energia, transporte, saneamento e telecomunicações, entre outros setores.
Parte dos resultados gerados por esses ativos pode ser distribuída aos cotistas. Em alguns fundos, os pagamentos ocorrem mensalmente, criando um fluxo potencial de renda para o investidor. Os valores, entretanto, não são garantidos.
Inadimplência, renegociação de dívidas, vacância de imóveis, aumento dos juros ou dificuldades enfrentadas pelos projetos podem reduzir o resultado e, consequentemente, os rendimentos distribuídos.
Também é importante verificar se o dinheiro recebido representa efetivamente um rendimento ou uma amortização. Nesse segundo caso, o fundo está devolvendo ao cotista uma parcela do próprio capital investido.
Por isso, uma distribuição elevada nos últimos meses não deve ser analisada isoladamente. O mais importante é saber se aquela renda possui origem recorrente e sustentável.
[Peça uma análise dos fundos disponíveis e descubra quais podem ser adequados aos seus objetivos]
É possível vender as cotas de cetipados antes do vencimento?
Sim. Em muitos fundos cetipados, é possível vender as cotas antes do vencimento, por meio do mercado secundário, desde que aquele fundo tenha essa possibilidade de negociação e exista comprador.
A lógica é semelhante à de um FII fechado: você não pede o resgate ao fundo; você vende sua cota para outro investidor. A B3 explica que, em fundos fechados, a saída antes do prazo ocorre pela venda das cotas no mercado secundário.
Também é possível negociar as cotas de um fundo cetipado diretamente entre dois investidores, por meio da chamada “Negociação Direta”. Nessa modalidade, comprador e vendedor acordam previamente as quantidades de cotas, o preço da operação e as condições de negociação, incluindo eventuais spreads.
Antes de aplicar, é importante verificar:
- o prazo previsto para o fundo;
- a existência de amortizações programadas;
- o histórico de negociações no mercado secundário;
- como o preço de compra e venda é definido;
- a possibilidade de deságio na saída;
- os custos envolvidos na negociação.
Esses produtos não devem receber recursos destinados à reserva de emergência ou a compromissos de curto prazo.
Menos oscilação na tela não significa menos risco
Como as cotas não aparecem necessariamente oscilando a cada segundo no home broker, os fundos cetipados podem transmitir uma sensação de maior estabilidade. Mas não enxergar a volatilidade diariamente não significa que ela deixou de existir.
Se um devedor não paga, um imóvel perde valor ou os juros sobem, a carteira continua sendo afetada. O impacto pode aparecer na redução dos rendimentos, no valor patrimonial da cota ou no preço oferecido por um comprador no mercado secundário.
Fundos de investimento também não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
O registro na infraestrutura da B3 oferece segurança operacional à negociação, mas não garante rentabilidade, recompra das cotas ou devolução integral do capital.
Fundos cetipados são isentos de Imposto de Renda?
Não necessariamente. “Fundo cetipado” não é, por si só, uma categoria tributária isenta de IR. A tributação depende da estrutura e do tipo de fundo.
Para pessoa física, é importante separar duas coisas:
- Rendimentos distribuídos: alguns fundos podem ter isenção de IR para pessoa física, desde que cumpram os requisitos legais aplicáveis ao tipo de fundo. Por exemplo, há fundos cujos prospectos preveem isenção quando as cotas são efetivamente negociadas em bolsa ou mercado de balcão organizado e outros requisitos são atendidos.
- Ganho na venda da cota: a isenção dos rendimentos não significa automaticamente que o lucro na venda da cota seja isento. Esse ganho pode estar sujeito a IR, conforme a estrutura do fundo e a operação.
O que avaliar antes de investir?
Mais do que observar a renda recente, o investidor precisa compreender:
- quais ativos compõem a carteira;
- de onde vêm os resultados;
- quem são os principais devedores;
- quais garantias protegem as operações;
- quanto o fundo está concentrado;
- qual é a experiência da gestora;
- como os rendimentos são formados;
- quando o capital deverá retornar;
- como funcionará uma saída antecipada;
- quais custos e impostos estão envolvidos.
Também é necessário verificar se o produto está disponível ao público em geral ou restrito a investidores qualificados ou profissionais.
Para quem os fundos cetipados fazem sentido?
Os fundos cetipados podem complementar a carteira de investidores que buscam renda periódica, diversificação e acesso a operações de crédito, imóveis, agronegócio ou infraestrutura.
Tendem a ser mais adequados para quem aceita manter o dinheiro investido por períodos maiores e compreende que uma saída antecipada dependerá das condições do mercado secundário.
Não existe, porém, um fundo ideal para todos. A escolha deve considerar o perfil do investidor, seus objetivos, sua necessidade de renda, o prazo disponível e os demais ativos que já fazem parte do patrimônio.
Mais importante do que encontrar o fundo com o maior rendimento divulgado é selecionar uma carteira de qualidade e entender qual função o investimento exercerá no planejamento financeiro.
Descubra quais fundos podem fazer sentido para sua carteira
A Wiser Investimentos conta com especialistas preparados para analisar seus objetivos, seu perfil e as oportunidades disponíveis no mercado.
[Fale agora com um especialista da Wiser Investimentos]
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não representa recomendação individual de investimento. Fundos de investimento envolvem riscos, podem apresentar perda de capital e não contam com garantia do administrador, do gestor, de mecanismos de seguro ou do FGC. A rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Antes de investir, consulte os documentos do produto e verifique sua adequação ao seu perfil.
Texto produzido por Monitor Conexões, em parceria com a Wiser Investimentos.











