A energia eólica offshore aproveita os ventos mais constantes do ambiente marítimo, mas sua implantação exige uma infraestrutura complexa que inclui fundações, cabos submarinos, subestações, embarcações especializadas e conexão à rede elétrica. No Brasil, a Lei nº 15.097/2025 criou regras para a utilização de áreas da União destinadas a esses empreendimentos, embora a expansão comercial ainda dependa de regulamentação, licenciamento ambiental e planejamento da integração ao sistema elétrico.
Como um aerogerador offshore produz eletricidade?
O princípio é semelhante ao de uma turbina terrestre. O vento movimenta as pás, o rotor transmite o movimento ao sistema instalado na nacele e o gerador converte energia mecânica em eletricidade. Transformadores ajustam a tensão antes que a produção siga pelo sistema de cabos.
No mar, turbinas podem alcançar dimensões elevadas porque há espaço para rotores maiores e ventos menos afetados por construções, vegetação e relevo. Essa vantagem aumenta a produção potencial, mas também torna transporte, içamento, inspeção e substituição de componentes mais complexos.

Por que os ventos marítimos são tão interessantes?
Áreas marítimas podem apresentar ventos mais fortes e regulares que muitos locais em terra. A menor rugosidade da superfície reduz obstáculos e turbulências, permitindo que as máquinas operem durante uma parcela maior do tempo. O resultado depende do local, da altura do rotor e das condições meteorológicas.
Antes de projetar o parque, desenvolvedores instalam instrumentos ou utilizam sistemas remotos para medir velocidade, direção e variações sazonais. Também são estudados ondas, correntes, profundidade, características do fundo marinho, rotas de navegação e distância até pontos capazes de receber a energia.
Como as turbinas permanecem fixas no oceano?
Em águas menos profundas, podem ser usadas fundações fixadas ao fundo, como monopiles, estruturas treliçadas e bases de gravidade. A escolha considera profundidade, solo, ondas, carregamentos, dimensões da turbina e capacidade dos equipamentos disponíveis para fabricar e instalar cada componente.
Em águas profundas, plataformas flutuantes ancoradas ao leito marinho podem ser mais adequadas. Elas permitem explorar novas áreas, mas acrescentam cabos dinâmicos, linhas de ancoragem e movimentos da estrutura. Cada solução precisa resistir simultaneamente ao vento, às ondas, às correntes e à corrosão.
Por que portos e navios especiais são indispensáveis?
Pás, torres e fundações possuem dimensões que exigem grandes áreas de armazenamento, cais resistentes e acessos sem obstáculos. O porto pode receber componentes, realizar pré-montagens e organizar a sequência de embarque. Sem capacidade adequada, aumentam distâncias logísticas, tempo de operação e custo do projeto.
Navios de instalação transportam, posicionam e içam componentes, enquanto outras embarcações apoiam pesquisas, lançamento de cabos e manutenção. Janelas meteorológicas limitam as operações: ondas ou ventos intensos podem impedir atividades, deixando equipes e equipamentos aguardando condições seguras.
- Porto de montagem: recebe componentes pesados e organiza o embarque.
- Navios de instalação: posicionam fundações, torres, naceles e pás.
- Embarcações de apoio: transportam equipes, ferramentas e suprimentos.
- Navios de cabos: instalam e protegem as conexões submarinas.
- Bases de manutenção: sustentam inspeções e reparos durante a operação.

Como os cabos submarinos levam energia até a rede?
Cabos internos conectam grupos de turbinas e encaminham a geração para uma subestação offshore, quando prevista. Nesse ponto, a tensão pode ser elevada para reduzir perdas. Um ou mais cabos de exportação cruzam o fundo marinho e chegam a uma instalação terrestre.
O traçado precisa considerar relevo submarino, pesca, navegação, áreas ambientalmente sensíveis e risco de danos. Na costa, ainda são necessárias subestação, linhas e capacidade disponível na rede. Um excelente recurso eólico perde valor quando a energia não encontra conexão viável.
O que a Lei nº 15.097/2025 mudou no Brasil?
A Lei nº 15.097/2025 disciplinou o aproveitamento de bens da União para geração elétrica offshore. O direito de uso das áreas poderá ser concedido pelo Poder Executivo mediante autorização ou concessão, conforme os procedimentos aplicáveis.
A legislação também organiza diretrizes para planejamento, outorga e convivência com outras atividades marítimas. Sua aplicação depende de normas que detalhem seleção de áreas, responsabilidades, garantias e procedimentos. Em 2026, o governo avançou nessa estrutura, mas o ambiente regulatório ainda está sendo consolidado.
Por que o licenciamento ambiental continua necessário?
Parques marítimos podem interferir em aves, mamíferos, tartarugas, pesca, navegação, paisagem e comunidades costeiras. Estudos também analisam ruído subaquático, rotas migratórias, fundos marinhos e efeitos acumulados quando vários empreendimentos são propostos na mesma região.
Licenciamento e outorga cumprem funções diferentes. Receber direito de uso da área não elimina a avaliação ambiental. O empreendedor precisa apresentar estudos, alternativas, medidas de controle e programas de monitoramento, permitindo examinar benefícios e impactos antes da autorização de instalação.
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Quando a eólica offshore poderá avançar no país?
O planejamento da eólica offshore identifica portos, rede, cadeia produtiva, licenciamento e regulação entre os fatores decisivos. Projetos exigem anos de estudos, contratos, fabricação e obras antes da geração comercial.
O potencial dos ventos brasileiros não garante implantação imediata. O avanço dependerá de áreas adequadas, regras estáveis, conexão disponível, financiamento e coordenação com outros usos do mar. A turbina pode ser o elemento mais visível, mas o futuro do setor será definido principalmente pela infraestrutura criada ao redor dela.











