A perspectiva de uma inflação mais baixa no curto prazo aliviou a pressão para o Banco da Inglaterra (BoE) aumentar as taxas de juros de maneira agressiva na reunião de quinta-feira (22), disseram os analistas do ING nesta sexta-feira.
Isso indica que o BoE agirá diferentemente de seus pares, o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que defendem uma política monetária mais severa. O BCE elevou as taxas em 0,75 pp em sua última reunião, no dia 8 deste mês, e o Fed deve fazer o mesmo no dia 21.
“Favorecemos por pouco um aumento de 0,50 ponto percentual (pp) na quinta-feira, levando a taxa bancária para 2,25%, embora 0,75 pp esteja claramente na mesa e esperamos que pelo menos alguns formuladores de políticas votem a favor”, afirmam o economista de mercados desenvolvidos, James Smith, e o estrategista de tarifas sênior, Antoine Bouvet, do ING.
Os especialistas consideram “crucial” a reunião do BoE do dia 22. “Ela nos dirá não apenas como os formuladores de políticas estão preocupados com a queda na libra esterlina e em outros mercados do Reino Unido, mas também como a decisão do governo de limitar os preços da energia para residências/negócios se traduzirá em política monetária”, diz o relatório.
Eles alertam contra a suposição de que os formuladores de políticas do Reino Unido irão acelerar o ritmo dos aumentos das taxas “simplesmente porque é isso que todo mundo está fazendo ou mesmo porque é isso que os mercados estão precificando”.
“De fato, há boas razões para pensar que o Banco irá ‘manter suas armas’ e simplesmente repetir o aumento de 0,50 pp que executou em agosto”, ressaltam.
A decisão do governo de limitar as contas domésticas de energia deve ajudar a conter o aumento da inflação no Reino Unido. “Esperamos agora que o IPC [índice de preços ao consumidor] atinja um pico de 11% em outubro, apenas um pouco acima de onde está agora, em comparação com 16% em janeiro se o governo não tivesse intervindo”, avaliam Smith e Bouvet.
Assim, eles esperam que inflação global esteja de volta ao redor da meta de 2% do BoE no final do próximo ano.
“Tudo isso deve ajudar a manter as expectativas de inflação do consumidor sob controle e, de fato, já vimos um recuo perceptível nas expectativas de preços de longo prazo, de acordo com a última pesquisa do BoE”, observam.
Larissa Bernardes / Agência CMA
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