O número de empresas inadimplentes no Brasil alcançou 7,7 milhões em maio, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas, da Serasa Experian. O volume representa 32,8% do total de companhias ativas no país e marca o quinto recorde consecutivo mensal.
O montante das dívidas somou R$ 182,4 bilhões, o maior já registrado desde o início da série histórica, em 2016. Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou 7,3 contas negativadas, com um ticket médio de R$ 3.255,40.
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Restrições ao crédito dificultam renegociações
Segundo Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, o ambiente atual é desfavorável para empresas já endividadas. O mercado de crédito está mais restrito tanto para capital de giro quanto para renegociação de passivos.
“O crescimento das dívidas tem tornado os credores mais cautelosos, o que reduz as possibilidades de negociação e pode ampliar o risco de permanência na inadimplência”, explica.
Inflação e juros pressionam pequenas empresas
A economista alerta que o cenário pode se agravar. Uma eventual aplicação de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e possíveis medidas retaliatórias podem elevar o custo de insumos e aumentar a inflação no Brasil.
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“Com juros em 15%, o Banco Central pode adiar cortes na taxa Selic diante de nova pressão inflacionária, o que dificulta ainda mais a recuperação das empresas”, avalia Abdelmalack.
A possibilidade de aumento do IOF sobre crédito também preocupa, especialmente as micro e pequenas empresas, que enfrentam maiores barreiras para acessar financiamento e renegociar dívidas.
Pequenos negócios concentram inadimplência
Dos 7,7 milhões de CNPJs inadimplentes, 7,3 milhões são micro e pequenas empresas, que respondem por R$ 164,1 bilhões em dívidas e 51,7 milhões de contas negativadas.
As empresas médias e grandes somam, juntas, cerca de 55 mil inadimplentes.
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Setores e estados mais impactados pela inadimplência
O setor de Serviços liderou com 53,7% das empresas negativadas, seguido por Comércio (34,1%) e Indústria (8%). As dívidas se concentraram nos segmentos de serviços (31,5%) e bancos e cartões (20,9%).
Entre os estados, o Distrito Federal lidera com 42,4% das empresas inadimplentes, seguido por Pará (40,4%) e Alagoas (39,9%). Em números absolutos, os maiores volumes estão em São Paulo (2,6 milhões), Minas Gerais (701 mil) e Rio de Janeiro (695 mil).










