Os fundos de investimento e os fundos imobiliários (FIIs) ampliaram sua presença nas redes sociais nos últimos cinco anos. Segundo a 10ª edição do Finfluence, estudo da Anbima em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados), as menções aos produtos passaram de cerca de 28 mil para 76,5 mil, crescimento de 170%.
O levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais monitora o ecossistema de finanças nas redes sociais e identificou 904 influenciadores ativos no segundo semestre de 2025. Os dados englobam fundos de ações, multimercados, renda fixa e FIIs.
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Segundo Amanda Brum, diretora de marketing da Anbima, os fundos aparecem nas redes sociais principalmente associados a temas como cenário econômico, construção de carteira e estratégias de investimento.
“O público não está interessado apenas no ativo, quer entender, de forma didática, como se encaixa na carteira e no momento de mercado”, disse, em nota.


Conteúdo educativo lidera engajamento entre fundos e FIIs
O estudo aponta que os conteúdos informativos representam 21,8% das publicações sobre fundos e FIIs. Na sequência aparecem os conteúdos estratégicos, voltados à tomada de decisão de investimentos (20,8%), e os didáticos, que explicam conceitos e processos de forma prática (19,4%).
Embora os conteúdos didáticos não liderem em volume, eles registram a maior média de interação, com 9.306 engajamentos por publicação. Em seguida aparecem as menções acessórias, quando fundos são citados dentro de discussões mais amplas sobre economia, com média de 8.230 interações.
Já conteúdos de opinião, análises gráficas, lifestyle e publicações com tom mais apelativo têm participação menor no universo analisado.
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Público busca contexto, não apenas produtos
De acordo com o estudo, o interesse dos usuários vai além da simples indicação de um fundo ou FII. A maior parte das conversas envolve temas relacionados ao cenário econômico, alocação de recursos e estratégias de longo prazo.
A análise de comentários em 108 publicações de destaque mostrou que 42,1% das interações estavam ligadas a discussões políticas ou comentários irônicos sobre economia. Outros 37,4% eram direcionados ao próprio influenciador ou à qualidade do conteúdo produzido.
As dúvidas práticas dos investidores representaram 8% dos comentários, incluindo questões sobre risco, tributação, momento de entrada ou saída e escolha de produtos.
Criadores independentes lideram audiência e YouTube segue na frente
Os influenciadores pessoa física foram responsáveis por 61% das menções sobre fundos e FIIs e concentraram 81,5% do engajamento total registrado pelo estudo.
Entre os perfis com maior volume de menções a fundos aparecem Economista Sincero, Professor Baroni e Tio Fiis. No segmento corporativo, os maiores volumes de citações vieram de Suno Research, E-Investidor e FIIs BR.
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O YouTube concentrou 53,5% das publicações relacionadas a fundos e FIIs no segundo semestre de 2025. Desde 2020, o volume de conteúdos sobre o tema na plataforma cresceu 346%.
Em nota enviada ao Monitor do Mercado, Charles Mendlowicz, o Economista Sincero, disse ver o avanço do setor como positivo, mas o momento pede responsabilidade por parte dos criadores de conteúdo.
“O nosso maior desafio está na realidade das ruas: hoje, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), temos 80,4% das famílias brasileiras endividadas, além de uma explosão de pessoas recorrendo a apostas financeiras e jogos de azar na internet […] A educação financeira é a única ferramenta capaz de proteger o patrimônio das famílias e transformar a relação do brasileiro com o dinheiro”, disse Mendlowicz.
O Instagram aparece em segundo lugar, com participação de 30% das menções monitoradas. Segundo o estudo, a predominância dessas plataformas reflete a demanda por formatos que permitam explicações mais detalhadas sobre investimentos e mercado financeiro.











