A indústria brasileira de fundos de investimento voltou a registrar captação líquida positiva em maio, com a entrada de R$ 10,3 bilhões, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), revertendo o saldo negativo de R$ 5 bilhões do mês anterior.
O principal motor do resultado foi a renda fixa, categoria que concentra aplicações em títulos públicos e privados. Os fundos desse segmento registraram captação líquida de R$ 10,4 bilhões no mês.
Com o desempenho de maio, a indústria acumula entradas líquidas de R$ 188,2 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026.
Fundos de títulos públicos lideram captação
Dentro da renda fixa, o destaque ficou para os fundos classificados como duração baixa soberano, que investem integralmente em títulos públicos federais. Essa categoria recebeu R$ 22,9 bilhões em novos recursos no mês.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
Na direção oposta, os fundos de duração livre crédito livre — que podem alocar mais de 20% da carteira em ativos de crédito de médio e alto risco — registraram saídas líquidas de R$ 6 bilhões. Apesar do resultado negativo, houve desaceleração em relação aos resgates de R$ 12,7 bilhões registrados em abril.
Segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima, a indústria continua demonstrando capacidade de atração de recursos mesmo em um ambiente marcado por maior cautela dos investidores.
“A indústria de fundos continua demonstrando resiliência, mesmo em um ambiente de maior aversão a risco nos mercados local e internacional. Os fundos de renda fixa seguem como destaque nesse cenário, apesar da volatilidade recente nos fundos de crédito privado, que agora passam por uma acomodação dos fluxos”, afirmou.
ETFs ganham espaço entre investidores
Os ETFs (fundos de índice), que replicam o desempenho de indicadores de mercado, tiveram a segunda maior captação líquida entre todas as classes de fundos em maio.
A categoria recebeu R$ 3,5 bilhões no período. No acumulado de 2026, as entradas somam R$ 25,8 bilhões, valor significativamente superior aos R$ 3,8 bilhões registrados nos primeiros cinco meses do ano passado.
Outras categorias que apresentaram saldo positivo foram os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com captação de R$ 2,5 bilhões, os FIPs (Fundos de Investimento em Participações), com R$ 2,2 bilhões, e os Fiagros, com R$ 97,8 milhões.
No acumulado do ano, os FIPs lideram entre essas três categorias, com entradas líquidas de R$ 24,4 bilhões, seguidos pelos FIDCs, com R$ 21,5 bilhões, e pelos Fiagros, com R$ 4,4 bilhões.
Fundos multimercados, ações e previdência registram saídas
Entre os segmentos com desempenho negativo, os multimercados lideraram os resgates. A categoria registrou saída líquida de R$ 6,4 bilhões em maio, marcando o quarto mês consecutivo de retirada de recursos. Mesmo assim, o saldo acumulado em 2026 ainda permanece positivo em R$ 1,4 bilhão.
Os fundos de ações tiveram resgates líquidos de R$ 149 milhões no mês. No acumulado do ano, as retiradas chegam a R$ 5,6 bilhões.
Já os de previdência registraram saída líquida de R$ 2 bilhões em maio e acumulam resgates de R$ 4,7 bilhões em 2026.
Renda fixa lidera rentabilidade
No campo dos retornos, todos os segmentos de renda fixa apresentaram desempenho positivo em maio. O melhor resultado foi registrado pelos fundos de dívida externa, que investem ao menos 80% do patrimônio em títulos emitidos pela União no exterior. A rentabilidade da categoria foi de 1,7%.
Entre os multimercados, os fundos de capital protegido lideraram os ganhos, com retorno de 2,3% no mês.
Já entre os de ações, todas as categorias apresentaram desempenho negativo. As menores perdas foram observadas nos fundos de investimento no exterior, que recuaram 1,5% em maio.











