A prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), caiu 0,64% em junho de 2026, na comparação com maio, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado veio pior do que a mediana das projeções do mercado, que apontava recuo de 0,50%.
Em maio, o indicador havia registrado alta de 0,03%, posteriormente revisada de 0,07%. Apesar da queda mensal, o IBC-Br cresceu 2,35% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025, acima da mediana de 2,20% projetada pelo mercado.
Considerando o trimestre móvel encerrado em junho, o IBC-Br cresceu 0,18%, na série com ajuste sazonal. Já no acumulado do primeiro semestre de 2026, a alta foi de 1,52%. O índice ex-agropecuária avançou 1,65% no período, enquanto a agropecuária subiu 1,13%, a indústria cresceu 0,81% e os serviços tiveram alta de 2,03%.
Indústria e serviços pressionam IBC-Br
A queda do IBC-Br foi disseminada entre os principais componentes da atividade. O índice que exclui a agropecuária recuou 0,91% em junho, após alta de 0,31% em maio.
Entre os setores, a indústria caiu 1,35%, depois de avançar 0,54% no mês anterior. Já os serviços recuaram 0,52%, ante alta de 0,06% em maio.
O indicador de impostos, que se aproxima da rubrica de impostos líquidos sobre produtos utilizada no cálculo do PIB, caiu 1,04%. Na direção oposta, o índice da agropecuária avançou 0,96%, após queda revisada de 0,68% em maio.
Mercado vê retorno ao ritmo de desaceleração
Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o resultado ficou próximo da expectativa da instituição, que projetava retração de 0,5% na margem. Na avaliação dele, o dado confirma uma desaceleração da atividade entre o primeiro e o segundo trimestres.
Ricciardi destacou que o primeiro trimestre havia sido sustentado, entre outros fatores, por estímulos do governo, como mudanças no Imposto de Renda e valorização do salário mínimo.
Agora, segundo o economista, a atividade parece retornar a um ritmo de desaceleração semelhante ao observado no fim de 2025. A expectativa do Daycoval é de que o movimento continue ao longo do ano, influenciado pela política monetária restritiva e pelos efeitos do conflito entre Irã e Israel sobre a economia.
Na abertura dos dados do segundo trimestre, Ricciardi destacou a fraqueza da indústria, já observada nas pesquisas recentes do setor, e uma desaceleração mais gradual dos serviços.
Para o economista, a melhora da agropecuária não deve ser suficiente para compensar a perda de força dos demais componentes da atividade em 2026.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado é compatível com um cenário de desaceleração da atividade no segundo trimestre. Segundo ele, a perda de dinamismo dos serviços e a contração mais forte da produção industrial reforçam essa leitura.
O ASA mantém projeção de crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, na comparação trimestral dessazonalizada.
Costa afirmou ainda que há aumento do risco de um crescimento menor em 2026, citando sinais de deterioração mais rápida do mercado de crédito e aumento da inadimplência. Esses fatores colocam viés de baixa sobre a projeção de crescimento de 2% para o ano.











