O dólar voltou a subir frente ao real nesta quarta-feira (24) e encerrou o pregão cotado a R$ 5,20, no maior nível de fechamento desde 30 de março. A valorização de 0,28% foi impulsionada principalmente pelo ambiente externo, em meio à expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e queda do petróleo.
Pela manhã, a moeda norte-americana chegou a atingir a máxima de R$ 5,22, que, segundo Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, foi influenciada por uma mudança na rotação de investimentos internacionais.
Em comentário enviado ao Monitor do Mercado, Yamashita explicou que parte do capital destinado anteriormente ao Brasil passou a migrar para mercados ligados ao setor de tecnologia e inteligência artificial, especialmente países como Coreia do Sul e Taiwan.
Essa rotação de carteiras diminui a entrada de recursos na Bolsa brasileira e reduz a demanda por reais, favorecendo a valorização do dólar.
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Federal Reserve fortalece dólar e reduz atratividade do real
Segundo analistas, o principal fator por trás da valorização do dólar é a perspectiva de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos.
O mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Caso a inflação permaneça elevada, aumenta a expectativa de manutenção ou até de novas altas dos juros nos EUA.
Juros mais elevados tornam os títulos americanos mais atrativos para investidores internacionais, fortalecendo o dólar frente a moedas de países emergentes, como o real.
Para o head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, Jonathan Joo Lee, a combinação entre um Fed mais restritivo e um Banco Central brasileiro que ainda mantém aberta a possibilidade de novos cortes na Selic reduziu a atratividade do chamado carry trade.
Esse tipo de estratégia consiste em captar recursos em países com juros baixos para investir em economias com taxas mais elevadas, buscando lucrar com o diferencial de juros.
Queda do petróleo também pressiona o dólar
Outro fator citado pelos analistas foi a forte queda das cotações internacionais do petróleo. Os contratos da commodity recuaram pelo terceiro pregão consecutivo, em meio ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. O barril do petróleo tipo WTI caiu para US$ 70,34, enquanto o Brent fechou próximo de US$ 74.
Segundo Yamashita, esse movimento reduz a atratividade do real. “A queda do petróleo é negativa para a balança comercial e para a atividade econômica no Brasil. Esses fatores, somados ao fortalecimento global do dólar, contribuem para uma moeda americana mais forte frente ao real”, afirma.











