Os efeitos das novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros terão impacto reduzido sobre a economia, segundo o banco Daycoval. Para a instituição, a perda estimada de receita com exportações é de US$ 700 milhões, o equivalente a 0,03 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026.
Com isso, o banco manteve sua projeção de crescimento de 1,7% para o PIB brasileiro em 2026, avaliando que as tarifas não altera o cenário de desaceleração gradual da atividade econômica.
O novo cálculo representa uma redução significativa em relação ao cenário elaborado anteriormente pelo banco. No estudo divulgado em 2025, o impacto estimado sobre o PIB era de 0,28 ponto percentual, com perda de aproximadamente US$ 5,9 bilhões em exportações.
Isenções reduzem alcance das tarifas
De acordo com o Daycoval, a lista de isenções conta com produtos como petróleo, aeronaves, café, carne bovina, suco de laranja, celulose, ferro-gusa e minérios, além de itens que já estavam isentos, como aço, alumínio, cobre e veículos.
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Com essas exceções, apenas US$ 10,5 bilhões, o equivalente a 28% dos US$ 37,7 bilhões exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025, permanecem sujeitos à nova cobrança.
Segundo o banco, o efeito econômico também é limitado porque a tarifa recai principalmente sobre bens intermediários e bens de capital. Esses produtos incluem máquinas, equipamentos, materiais elétricos, pneus, autopeças, madeira e móveis.
Os economistas explicam que esses segmentos apresentam baixa elasticidade-preço, conceito que mede o quanto a demanda reage às mudanças de preço. Quando a elasticidade é baixa, compradores tendem a manter as aquisições mesmo diante de aumentos de custo, reduzindo o impacto sobre o volume exportado.
Daycoval mantém cenário de desaceleração gradual
O relatório também reforça que os indicadores recentes seguem apontando para uma desaceleração da economia brasileira ao longo de 2026.
Na avaliação do banco, o setor de serviços perdeu ritmo em maio, enquanto o comércio apresentou desempenho abaixo das expectativas. Já o IBC-Br, indicador calculado pelo Banco Central e considerado uma prévia do PIB, avançou 0,1% em maio, resultado superior ao esperado, impulsionado principalmente pela indústria e pelos serviços.
Com esses dados, o Daycoval estima crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre, após expansão de 1,2% no primeiro trimestre, mantendo a perspectiva de desaceleração gradual da atividade.
Inflação e juros permanecem no radar
O banco manteve sua projeção de IPCA de 5,2% em 2026. Para a Selic, destacou que as expectativas do mercado permanecem estáveis, segundo o boletim Focus, com taxa de 14% no fim de 2026.
No cenário internacional, o Daycoval observa que os dados recentes dos Estados Unidos mostraram inflação abaixo das expectativas e atividade econômica moderada, fatores que reforçam a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve na próxima reunião.











