O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), caiu 0,1% em junho na comparação com maio, informou nesta quinta-feira (30) o Departamento do Comércio dos Estados Unidos.
Na comparação anual, o PCE avançou 3,7%, em linha com as projeções do mercado. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia por serem mais voláteis, subiu 0,1% no mês e 3,3% em 12 meses, também dentro das expectativas.
Para Addison Maier, gerente de portfólio da Janus Henderson, o resultado aponta para uma trajetória de inflação mais favorável, embora ainda existam fatores capazes de pressionar os preços nos próximos meses.
Segundo o gestor, a queda mensal do índice cheio representa a primeira variação negativa desde julho de 2022. Ele destaca, porém, que parte desse movimento foi influenciada pela forte queda do petróleo em junho, quando o barril do WTI acumulou desvalorização de cerca de 20%.
Maier observa que esse efeito pode ser temporário, já que o petróleo voltou a subir cerca de 21% em julho, o que mantém incertezas sobre a evolução dos preços da energia.
Fed amplia foco além do PCE
A Janus Henderson também chama atenção para a sinalização feita pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, após a reunião de política monetária desta semana. Segundo Maier, Warsh afirmou que o banco central está analisando um conjunto mais amplo de indicadores de inflação, e não apenas o PCE.
Na avaliação do gestor, o Federal Reserve continua mais interessado na tendência dos dados do que em resultados isolados. Por isso, embora o indicador tenha caminhado na direção esperada, fatores como a volatilidade do petróleo e os investimentos ligados à inteligência artificial ainda podem influenciar o comportamento da inflação.
O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que os números divulgados reforçam a confiança na condução da política monetária pelo presidente do Fed, Kevin Warsh.
Segundo Hassett, o resultado torna o trabalho da autoridade monetária “mais fácil”, embora tenha ressaltado que o mercado poderá precisar de mais divulgações semelhantes antes de consolidar expectativas para os próximos passos dos juros.
Avenue destaca inflação acima da meta
Para Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o PCE veio dentro do esperado, mas continua mostrando inflação acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.
Segundo ele, o núcleo do indicador permanece pressionado principalmente pelo setor de serviços, com destaque para despesas relacionadas à saúde. Na avaliação do especialista, esse cenário mantém o desafio do Fed de controlar a inflação sem comprometer o ritmo da atividade econômica.
PIB dos EUA cresce abaixo das projeções
Além dos dados de inflação, o Departamento de Comércio divulgou nesta quinta-feira a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos para o segundo trimestre. A economia americana cresceu 1,5% em taxa anualizada, abaixo da expectativa de analistas, que projetavam expansão de 2,1%.
Segundo Bruno Yamashita, a composição do indicador mostrou que o consumo das famílias permaneceu resiliente e os investimentos privados continuaram contribuindo para a atividade.
Por outro lado, a redução dos gastos do governo e o aumento do déficit comercial, provocado pela queda das exportações e pelo avanço das importações, limitaram o crescimento da economia no período.











