A disputa pelo mercado de medicamentos para perda de peso voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (5), após as donas das canetas emagrecedoras Wegovy (Novo Nordisk) e Mounjaro (Eli Lilly) divulgarem resultados trimestrais e revisarem suas projeções para 2026.
Apesar de ambas sinalizarem perspectivas mais favoráveis para os negócios, a reação dos investidores foi distinta: as ações da Eli Lilly avançam mais de 4% nos Estados Unidos, enquanto os papéis da Novo Nordisk caíram mais de 4% na Bolsa de Copenhague, pressionados por vendas abaixo do esperado da nova versão em comprimidos.
As duas farmacêuticas seguem disputando espaço no segmento de medicamentos baseados em GLP-1, classe que imita um hormônio responsável por regular o apetite e os níveis de glicose no sangue. Além dos principais produtos, a Eli Lilly conta também com o Zepbound.
Novo Nordisk reduz expectativa de queda em 2026
A Novo Nordisk informou que passou a esperar uma queda menor nas vendas e no lucro operacional ajustado em 2026, refletindo a continuidade da demanda pelos medicamentos para obesidade.
Agora, a companhia projeta retração de até 6% nas vendas e no lucro operacional ajustado, em base cambial constante. A estimativa anterior previa recuo entre 4% e 12% para ambos os indicadores.
No segundo trimestre, a farmacêutica registrou receita ajustada de 78,49 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de US$ 12,08 bilhões), alta de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já o lucro líquido caiu 21%, para 20,99 bilhões de coroas, mas o lucro operacional ajustado — indicador acompanhado de perto pelo mercado por excluir efeitos extraordinários — cresceu 11%, atingindo 33,39 bilhões de coroas.
As vendas do Wegovy injetável alcançaram 19,48 bilhões de coroas, enquanto a versão em comprimidos somou 3,22 bilhões de coroas.
Segundo o CEO Mike Doustdar, a versão oral do Wegovy tem apresentado forte procura nos Estados Unidos, acumulando mais de 5 milhões de prescrições desde seu lançamento, em janeiro. O executivo afirmou ainda que a adoção inicial do medicamento também tem mostrado resultados positivos em outros mercados.
A companhia também segue ampliando sua presença internacional. Nos últimos meses, o Wegovy oral recebeu aprovação regulatória no Reino Unido e na União Europeia, enquanto a versão injetável também obteve autorização para comercialização nos países do bloco europeu.
Ao mesmo tempo, a farmacêutica enfrenta disputas judiciais relacionadas ao mercado de medicamentos para obesidade, incluindo uma ação contra a Eli Lilly por publicidade considerada enganosa e um processo de patentes movido pela Sandoz na Itália.
Eli Lilly supera expectativas com Mounjaro e Zepbound
Nos Estados Unidos, a Eli Lilly apresentou resultados acima das estimativas de Wall Street, impulsionados pelo crescimento das vendas dos medicamentos Mounjaro e Zepbound.
O lucro líquido da companhia alcançou US$ 7,1 bilhões, ou US$ 7,94 por ação, acima dos US$ 5,66 bilhões registrados um ano antes. Desconsiderando itens extraordinários, o lucro foi de US$ 8,38 por ação, superando a expectativa média dos analistas consultados pela FactSet, de US$ 6,01 por ação.
A receita cresceu 48%, para US$ 22,97 bilhões, impulsionada principalmente pelo aumento de 60% no volume de vendas, parcialmente compensado por uma redução de 13% nos preços realizados.
As vendas do Mounjaro avançaram 91% em relação ao segundo trimestre de 2025, totalizando US$ 9,94 bilhões. Já o Zepbound registrou receita de US$ 4,93 bilhões, alta de 46%.
A farmacêutica também revisou suas projeções para o ano. A expectativa de receita passou para um intervalo entre US$ 85 bilhões e US$ 87 bilhões, acima da estimativa anterior, de US$ 82 bilhões a US$ 85 bilhões. Já a projeção de lucro ajustado ficou entre US$ 35,50 e US$ 36,50 por ação, com redução de US$ 0,50 no teto da faixa anterior.











