Os mercados globais operam em terreno positivo na manhã desta sexta-feira (7), com os investidores à espera da divulgação do relatório de empregos (payroll) de julho nos Estados Unidos. O indicador, considerado um dos mais importantes para as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), divide as atenções com uma nova escalada das tensões no Oriente Médio, que voltou a colocar a geopolítica e o petróleo no centro das preocupações dos mercados.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta sexta-feira (07), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
O ambiente de maior otimismo observado nos últimos dias, impulsionado pela expectativa de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, perdeu força após uma sequência de novos episódios na região. O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou na quinta-feira (6) Donald Trump de adotar uma “diplomacia de teatro”, aprofundando as divergências entre os dois países sobre as negociações para encerrar meses de hostilidades. As declarações ocorreram poucos dias após Trump afirmar que havia suspendido ataques planejados e que um acordo com o Irã estava praticamente delineado. Teerã, no entanto, negou tanto a existência de um entendimento quanto a realização de negociações em curso.
Enquanto o impasse diplomático persiste, o conflito segue se expandindo pela região, mantendo sob pressão a infraestrutura energética do Golfo e importantes rotas de navegação. Pelo plano preliminar apresentado pelo Irã para a gestão do Estreito de Ormuz, embarcações dos Estados Unidos e de Israel seriam impedidas de transitar pela passagem.
Ao longo da quinta-feira, aumentaram as dúvidas sobre a possibilidade de entendimento entre Estados Unidos e Irã, depois de relatos de ataques promovidos pelos houthis contra alvos sauditas no Mar Vermelho, explosões na ilha iraniana de Qeshm e da divulgação de um esboço de acordo entre Irã e Omã que não convenceu os agentes do mercado.
Pela proposta em discussão, embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de países considerados “hostis” por Teerã enfrentariam restrições para navegar pelo Estreito de Ormuz, além da cobrança de pedágios. O aumento das tensões contribuiu para a queda de 0,57% do petróleo Brent no início da manhã, que voltou ao patamar de US$ 83 por barril.
Em paralelo, a agência iraniana Fars, ligada ao governo do país, informou que Irã e Omã estão implementando um acordo provisório para manter abertas, temporariamente, as atuais rotas de navegação pelo Estreito de Ormuz. Segundo uma fonte citada pela agência, as embarcações entrarão inicialmente pela rota ao norte, próxima ao litoral iraniano, e deixarão o estreito pela via ao sul, junto à costa de Omã. Após um período de transição, essas duas rotas seriam desativadas e substituídas por um corredor central de navegação.
Ainda de acordo com a Fars, o controle do fluxo de entrada ficaria sob responsabilidade do Irã, enquanto a saída das embarcações seria administrada conjuntamente por Teerã e Omã. Caso seja confirmado, o modelo permitiria, durante a fase de transição, a operação simultânea da rota controlada pelo Irã e daquela apoiada pelos Estados Unidos em Omã, antes da migração para a via central. Até o momento, porém, não há confirmação de que Omã ou os Estados Unidos tenham concordado com os termos descritos pela agência iraniana.
Payroll concentra atenções e pode redefinir apostas para o Fed
No campo econômico, o principal destaque do dia é a divulgação do payroll de julho nos Estados Unidos. O consenso do mercado aponta para a criação de 83 mil vagas de trabalho e manutenção da taxa de desemprego em 4,2%. Um resultado acima das expectativas tende a reforçar a percepção de que os juros americanos poderão permanecer elevados por mais tempo.
Para estrategistas do ING Bank, a postura adotada pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, na reunião de julho do FOMC aumentou a sensibilidade dos mercados à divulgação de indicadores como o payroll, elevando o risco de reações mais intensas aos dados. A instituição também projeta que o banco central americano não deverá reduzir os juros e espera um enfraquecimento do dólar nos próximos meses.
Desde a reunião da semana passada, dirigentes do Feed têm reiterado que o principal objetivo permanece sendo conduzir a inflação de volta à meta de 2%. Nesta quinta-feira, uma reportagem do Financial Times influenciou os mercados ao informar que Kevin Warsh estaria disposto a defender um aumento dos juros na reunião de setembro caso os próximos indicadores de inflação confirmem essa necessidade.
Nesse cenário, o resultado do payroll tende a ter impacto mais limitado sobre as expectativas, sendo que apenas uma deterioração mais expressiva do mercado de trabalho poderia reduzir de forma significativa as apostas em um aperto monetário no próximo mês, que voltaram a ganhar força.
Brasil: PF conclui novo inquérito sobre fraude no INSS
No Brasil, a Polícia Federal concluiu o segundo inquérito que apura irregularidades em descontos de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou novamente o ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, além de ex-diretores do órgão.
Também foram indiciados o ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras, e outros dois dirigentes da entidade.
Segundo as investigações, os envolvidos são acusados de inserir informações falsas em sistemas de informática, prática que teria permitido a realização de descontos indevidos em benefícios previdenciários e o consequente desvio dos recursos.
Os investigados também responderão por organização criminosa. A conclusão do inquérito foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pelo Estadão.
Manchetes desta manhã
- Barclays vê pedido de US$ 35 bi do Tesouro para emissões externas acima do necessário (Valor)
- Intervenção do Japão no iene bateu recorde diário em abril (Folha)
- Governo e oposição têm primeiro encontro rumo a transição política na Venezuela (Estadão)
- Isenção de IR em títulos públicos para infraestrutura e agro tem impacto de R$ 23,9 bi na dívida pública (O Globo)
Mercado global se mantém estável à espera do payroll
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta sexta-feira (7), à espera do relatório de empregos (payroll) de julho, que deve trazer novas pistas sobre a trajetória da política monetária do Fed.
As bolsas europeias caminham para registrar a maior alta semanal desde o fim de junho, impulsionadas pela temporada de balanços corporativos. O movimento é liderado pelos resultados dos setores farmacêutico, de infraestrutura de energia e de telecomunicações, que sustentam o apetite por risco na região.
Os investidores da região também aguardam os dados do payroll nos EUA, importante indicador para calibrar as expectativas sobre os próximos passos para a decisão da política monetária do Fed.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana sem direção única, com as ações chinesas sustentando os ganhos da região, enquanto Japão e Coreia do Sul seguiram pressionados pela crise no setor de semicondutores.
O Kospi recuou 0,60%, acumulando queda superior a 5% na semana, a sétima sequência semanal de perdas, diante das dúvidas sobre a capacidade de os lucros do setor justificarem as elevadas avaliações ligadas à inteligência artificial. Já o Nikkei caiu 0,12%, mas ainda caminha para alta semanal de 1%, enquanto a Fujifilm despencou 18% após anunciar a cisão parcial de sua divisão de imagem.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,17%
- FTSE 100: +0,78%
- CAC 40: +0,47%
- Nikkei 225: -0,12%
- Shanghai SE Comp: +1,02%
- Hang Seng: +0,54%
- Ouro (jun): +1,69%, a US$ por 4.372,07 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,06%, aos 99,88 pontos
- Bitcoin: +1,09% a US$ 65.109,7
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em baixa, revertendo os ganhos da madrugada, em um movimento de correção após a alta firme da véspera, enquanto os mercados acompanham os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Analistas observam que, apesar dos sinais de progresso nas negociações para o fim da guerra na região e a reabertura do Estreito de Ormuz, a situação pode voltar a se deteriorar rapidamente.
O Brent/outubro cai 0,57%, cotado a US$ 82,02, enquanto o WTI/setembro recua 0,44%, a US$ 76,95. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,35% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 106,1/ton.
Cenário internacional
A agenda internacional desta sexta-feira começa com a divulgação da produção industrial da Alemanha referente a junho.
Nos Estados Unidos, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, participa de um evento às 11h, enquanto o Fed publica, às 16h, os dados de crédito ao consumidor de junho, indicadores que podem oferecer novos sinais sobre o ritmo da atividade econômica e das condições financeiras no país.
No campo comercial, os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira uma tarifa de 15% e a criação de um preço mínimo para as importações de produtos fabricados com polissilício, insumo essencial para painéis solares e chips semicondutores. A medida foi apresentada como resposta ao domínio da China na cadeia global de suprimentos do setor solar e à expansão do país na indústria de semicondutores.
Um decreto assinado pelo presidente Donald Trump também prevê incentivos governamentais para empresas que investirem na produção doméstica do material. Segundo a Casa Branca, tanto a tarifa quanto o preço mínimo para importação passam a valer em 4 de dezembro.
Na Europa, o superávit comercial da Alemanha caiu para 15,4 bilhões de euros em junho, ante 19,3 bilhões de euros em maio, dado revisado pelo Departamento Federal de Estatística (Destatis). O recuo ocorreu em meio ao crescimento mais acelerado das importações em relação às exportações.
As compras externas avançaram 4,4% na comparação mensal, alcançando 123,9 bilhões de euros, o maior nível em mais de três anos e meio. As importações provenientes de países da União Europeia cresceram 7,4%, enquanto aquelas oriundas de países fora do bloco subiram 1,4%, com destaque para o aumento de 9,1% nas compras de produtos chineses.
Na Ásia, as exportações da China cresceram 23,9% em julho na comparação anual, segundo dados divulgados pela Administração Geral de Alfândegas. Embora o ritmo tenha desacelerado em relação aos 27% registrados em junho, o resultado superou a expectativa de alta de 22% dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal.
O desempenho foi sustentado pela forte demanda global por produtos ligados à inteligência artificial, mesmo em meio ao recrudescimento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos.
Brasil: IGP-DI e atuação do BC ficam no radar
No Brasil,, a agenda traz a divulgação do IGP-DI de julho pela Fundação Getulio Vargas (FGV), às 8h. A expectativa do mercado, segundo levantamento da Broadcast, é de uma deflação de 0,98%, após queda de 0,79% registrada em junho. A retração dos preços deve refletir principalmente a continuidade da queda dos preços no atacado, favorecida pelo recuo das commodities, especialmente agrícolas, além dos combustíveis.
Mais tarde, às 11h30, o Banco Central realiza leilão de até 50 mil contratos de swap cambial, equivalentes a cerca de US$ 2,5 bilhões, dando início à rolagem dos contratos com vencimento em setembro.
Os investidores também repercutem o balanço da Petrobras (PETR4), divulgado após o fechamento do mercado na quinta-feira. A estatal reportou lucro líquido de R$ 52,44 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% em relação ao trimestre anterior e acima da expectativa de R$ 44,69 bilhões projetada por analistas.
Em dólares, a companhia registrou lucro líquido de US$ 10,4 bilhões, avanço de 120,3% na comparação anual. O Ebitda ajustado atingiu US$ 18,6 bilhões, enquanto a receita de vendas somou US$ 33,6 bilhões.
Na conversão para reais, a Petrobras alcançou lucro de R$ 52,4 bilhões, Ebitda de R$ 93,8 bilhões e receita de R$ 169,5 bilhões, todos entre os maiores resultados da história da companhia. A estatal também anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos, equivalentes a R$ 1,348 por ação, com data-base (ex-dividendos) marcada para 24 de agosto.
Na frente política, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ser favorável à criação de uma súmula para restringir novas “pautas-bomba”, proposta apresentada pelo ministro Gilmar Mendes em junho. A declaração foi feita durante o julgamento da validade de um plano de carreira para professores da rede municipal de Curitiba, aprovado sem previsão orçamentária.
“Já adianto que sou a favor. Às vezes, um prefeito faz, às vésperas da eleição, ou dois, três anos antes, um escalonamento de aumento para servidores que é quase um cartão de fidelização. Temos que ser mais intransigentes”, afirmou Toffoli.
Destaques do mercado corporativo
- Braskem: ADRs dispararam após a Camex prorrogar por até cinco anos o direito antidumping sobre importações chinesas de resina PVC-S.
- Azzas: negou participação nas projeções atribuídas à marca Cris Barros divulgadas pela imprensa.
- CVC: conselheiro Fernando Cinelli renunciou ao conselho de administração.
- Pague Menos: aprovou emissão de R$ 350 milhões em debêntures para refinanciamento de dívida.
- BRB: STF marcou audiência para discutir solução envolvendo aporte de até R$ 6,6 bilhões ao banco.
- Brava: firmou contrato para comprar ao menos metade da produção do Ativo Potiguar da PetroReconcavo entre 2026 e 2030.
- Refit: ANP deve analisar a retirada da autorização de operação da refinaria.
- Vittia: informou desenquadramento temporário das regras do Novo Mercado após renúncia de conselheiro independente.
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