Cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de golpes digitais em 2025, segundo a Global Anti-Scam Alliance (GASA), sendo que 34% das vítimas perderam dinheiro mais de uma vez em 12 meses. No total, o estudo estima que cerca de 34 bilhões de tentativas de fraude tenham sido feitas contra brasileiros entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
A estimativa faz parte do relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”. A pesquisa ouviu mais de mil pessoas no Brasil e faz parte de um estudo global realizado em mais de 40 países e revela que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro, num prejuízo próximo de R$ 21,2 bilhões (cerca de R$ 1.287 por vítima).
O valor é inferior aos R$ 99 bilhões estimados na edição de 2025. Segundo a GASA, a diferença ocorre por uma mudança na metodologia utilizada para calcular as perdas.
A pesquisa mostra ainda uma divisão entre os brasileiros sobre a própria capacidade de reconhecer golpes. Duas em cada cinco pessoas afirmam ter confiança para identificar uma tentativa de fraude. Por outro lado, 41% dizem não se sentir confiantes para fazer essa identificação.
A dificuldade também aparece entre quem já sofreu prejuízo. Em 2026, 40% das vítimas disseram ter percebido que haviam caído em um golpe somente depois de serem alertadas por outra pessoa ou instituição. Na edição anterior, esse percentual era de 34%.
Quatro em cada cinco brasileiros tiveram contato com golpes
Segundo a GASA, 81% dos adultos brasileiros tiveram contato com alguma tentativa de golpe no período analisado. O percentual ficou estável em relação à edição anterior do estudo. Já 39% chegaram a interagir com os golpistas. Entre essas pessoas, uma em cada quatro perdeu dinheiro ou forneceu dados que posteriormente resultaram em prejuízo financeiro.
A velocidade das fraudes também chama atenção. De acordo com o levantamento, 42% das vítimas tiveram o dinheiro subtraído em minutos ou horas após a interação com os criminosos.
Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA, afirma que a recorrência das perdas reforça a necessidade de prevenção, educação e mecanismos de resposta rápida.
Compras online lideram tipos de golpe
Os golpes relacionados a compras online foram os mais citados pelos brasileiros, mencionados por 22% das vítimas. Na sequência aparecem as promessas de dinheiro inesperado, com 17%, e as falsas vagas de emprego, também com 17%.
Telefone e aplicativos de mensagens instantâneas concentram 71% dos golpes identificados no levantamento.
Entre as plataformas, o WhatsApp aparece na primeira posição, citado por 64% das vítimas. Gmail, com 32%, e Instagram, com 22%, aparecem na sequência. O YouTube entrou pela primeira vez no ranking, mencionado por 6% dos entrevistados.
Bancos aparecem entre as instituições mais bem avaliadas
Os bancos aparecem entre as instituições com melhor avaliação dos brasileiros na prevenção e resolução de golpes. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras investem cerca de R$ 5 bilhões por ano em segurança e prevenção a fraudes.
Bancos, instituições de pagamento e corretoras de criptomoedas são apontados pelos entrevistados como os agentes mais eficazes na prevenção e resolução dos crimes.
A polícia aparece na sequência e fica entre as três instituições mais bem avaliadas após não figurar no grupo em 2025. Em seguida aparece o provedor do site ou serviço de hospedagem utilizado pelo fraudador. As operadoras de telecomunicações foram avaliadas como as menos eficazes entre as instituições analisadas.
Apesar dos mecanismos de prevenção, a recuperação dos recursos continua limitada. Apenas 20% das pessoas que denunciaram as perdas afirmaram ter recebido reembolso ou recuperado total ou parcialmente o dinheiro.
Golpes também afetam saúde mental
O impacto dos golpes não se limita às perdas financeiras. Segundo o levantamento, 76% das vítimas relataram alterações moderadas ou significativas no bem-estar mental após sofrerem uma fraude.
O percentual aumentou em relação à edição anterior, quando 59% das vítimas haviam relatado esse tipo de impacto. Entre as consequências mencionadas estão ansiedade e desconfiança recorrente após o golpe.
Para Salvini, o resultado mostra que as fraudes digitais também devem ser tratadas como uma questão de segurança e de bem-estar emocional.
A pesquisa mostra que parte das vítimas deixa de comunicar o golpe às autoridades ou instituições. Na América Latina, metade das vítimas que não denunciaram afirmou não saber a quem recorrer. Outros motivos citados foram a percepção de que a denúncia não faria diferença, apontada por 36%, e a complexidade do processo, mencionada por 28%.
Vergonha e receio de exposição também aparecem entre os fatores que dificultam os registros. No Brasil, 19% das pessoas que sofreram golpes não fizeram uma denúncia.











