A demanda por bitcoin (BTC) voltou a ganhar força, mas a recuperação da criptomoeda ainda depende de uma melhora no cenário macroeconômico, segundo análise da Bitfinex. Para a corretora, o movimento recente não tem origem em um catalisador próprio do mercado cripto.
A melhora ocorre em um momento de fortalecimento da demanda institucional, enquanto dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduziram a probabilidade de uma alta de juros em setembro.
Ao mesmo tempo, as vendas de empresas que mantêm Bitcoin em seus balanços e os rendimentos elevados dos títulos de longo prazo dos EUA continuam limitando o espaço para uma alta mais consistente.
ETFs de bitcoin registram cinco sessões de entradas
O bitcoin avançou em direção ao topo da faixa entre US$ 62 mil e US$ 65 mil, acompanhando a recuperação dos ativos de risco. O movimento ocorreu em meio à redução das tensões geopolíticas, à queda dos preços do petróleo e à divulgação de dados mais fracos do mercado de trabalho americano.
Os ETFs de bitcoin à vista registraram US$ 865,3 milhões em entradas líquidas ao longo de cinco sessões consecutivas de saldo positivo. Segundo a Bitfinex, os fluxos absorveram aproximadamente 13.300 BTC, enquanto a rede criou apenas 3.150 BTC no período.
A diferença indica que a demanda dos fundos foi suficiente para absorver uma quantidade de Bitcoin superior à nova oferta gerada pela rede.
A demanda institucional também aparece nos fundos de Ether, que mantiveram a sequência de entradas líquidas. Para a Bitfinex, o movimento mostra que o interesse institucional está retornando ao mercado, embora de maneira mais seletiva entre os diferentes ativos digitais.
Vendas e oferta acumulada limitam recuperação
Apesar do aumento da demanda, a Bitfinex identifica obstáculos para uma recuperação mais forte. A Strategy, empresa conhecida por manter grandes volumes de Bitcoin em seu balanço, vendeu 1.638 BTC na semana passada. Além disso, cerca de 1,79 milhão de BTC estão registrados na blockchain com preço de aquisição entre US$ 62 mil e US$ 65 mil.
Essa concentração representa uma possível resistência para a criptomoeda, já que investidores que compraram nessa faixa podem optar por vender seus ativos caso o preço volte aos níveis de aquisição.
O cenário ajuda a explicar por que a reação do Bitcoin permanece moderada, mesmo diante do retorno dos fluxos para os ETFs.
Mercado de trabalho dos EUA vira principal catalisador
Para a Bitfinex, o principal fator macroeconômico favorável ao bitcoin veio dos dados de emprego de julho nos Estados Unidos. O payroll mostrou desaceleração na criação de vagas no setor privado não agrícola, enquanto os dados dos meses anteriores passaram por revisões para baixo. A média de criação de empregos também vem perdendo ritmo.
A taxa de desemprego, por outro lado, recuou para 4,1%. Segundo a análise, o movimento refletiu principalmente a menor participação da população no mercado de trabalho.
Os baixos níveis de demissões e a queda nos pedidos de auxílio-desemprego indicam, na avaliação da Bitfinex, que o mercado de trabalho está perdendo força de maneira gradual, sem apresentar uma deterioração mais acentuada.
A desaceleração dos salários, a menor participação da população e a redução da amplitude das contratações, porém, reforçam a percepção de perda de ritmo da economia americana.
Juros longos ainda são obstáculo para o Bitcoin
A reação dos mercados reduziu para 43,9% a probabilidade de uma alta de juros em setembro, segundo a análise. A mudança favoreceu ativos de risco, com queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de curto prazo e no dólar, enquanto ações e criptomoedas ganharam suporte.
Os juros de longo prazo, entretanto, não acompanharam esse movimento. O rendimento dos Treasuries de 30 anos permaneceu acima de 5,2%, em um ambiente no qual investidores continuam considerando os riscos de inflação persistente e o elevado volume de emissão de dívida pelo governo americano.
Essa diferença entre os juros curtos e longos indica, segundo a Bitfinex, que uma eventual manutenção dos juros em setembro seria interpretada mais como uma postura de cautela do Federal Reserve do que como o início de um ciclo de cortes.











