A forte alta do petróleo nesta segunda-feira (10), em meio às tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, ajudou a sustentar o mercado de commodities e os contratos agrícolas, especialmente milho e óleo de soja.
A avaliação é de Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, que também analisou os dados de exportação do Brasil na primeira semana de agosto.
Segundo Gioielli, o mercado acompanha os desdobramentos relacionados ao Estreito de Ormuz. Para as commodities, a restrição ao tráfego na região pode reduzir a oferta disponível no mercado global e aumentar a pressão sobre os preços. Confira a análise na íntegra:
Influência do petróleo no milho e biocombustíveis
Gioielli, lembra que a alta do petróleo pode alterar a atratividade dos biocombustíveis. O milho, por exemplo, é utilizado na produção de etanol nos Estados Unidos e no Brasil. Já a soja é uma das principais matérias-primas para a produção de biodiesel.
Por isso, mudanças nos preços dos combustíveis podem afetar a demanda por essas commodities e alterar a relação entre oferta e procura.
No mercado brasileiro, Gioielli também chamou atenção para a recuperação recente do milho. Segundo ele, o contrato acompanhado no mercado local registrou avanço e pode ganhar força caso supere máximas recentes.
O óleo de soja também avançou, enquanto o farelo registrou leve queda. O movimento ajudou a sustentar os contratos da soja em grão, embora a commodity ainda enfrente resistência técnica no mercado de Chicago.
Gioielli destacou que o contrato de soja para novembro tenta permanecer acima de uma média móvel de 72 períodos. A média móvel é um indicador utilizado por traders para identificar a tendência dos preços a partir de uma média dos valores negociados em determinado intervalo.
Na avaliação técnica apresentada pelo analista, o contrato passou por uma correção e encontrou suporte próximo ao nível de 61,8% de uma retração de Fibonacci, região que também coincide com a média móvel observada.
Exportações de milho aceleram em agosto
Os dados de embarques brasileiros também chamaram a atenção. Segundo Gioielli, o volume diário de exportações de milho nos primeiros cinco dias úteis de agosto está 27% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Apesar da comparação negativa, o ritmo representa uma melhora em relação ao mês anterior. Em julho, o Brasil exportou cerca de 1,943 milhão de toneladas de milho. Nos primeiros cinco dias úteis de agosto, os embarques já somavam aproximadamente 1,183 milhão de toneladas.
O analista avalia que, caso o ritmo seja mantido ao longo do mês, as exportações podem apresentar recuperação. As importações de milho, por outro lado, estão 12,6% abaixo do registrado no mesmo período de referência, segundo os números apresentados por Gioielli.
No mercado internacional, o milho também recebeu suporte após os dados de estoques e produção dos Estados Unidos. A redução dos estoques em relação às expectativas do mercado levantou dúvidas sobre o tamanho efetivo da oferta norte-americana.
A StoneX, citada por Gioielli, avalia que a safra dos Estados Unidos pode ter sido superestimada, o que poderia influenciar a formação dos preços.
Soja registra avanço nos embarques
A soja apresenta desempenho diferente do milho nas exportações brasileiras. Os embarques diários nos primeiros dias de agosto estão 22% acima do registrado em agosto de 2025.
O desempenho será acompanhado ao longo do mês para verificar se o ritmo se mantém.
No mercado internacional, os contratos da soja permanecem próximos de uma faixa de consolidação. Esse termo é usado quando os preços oscilam dentro de um intervalo sem estabelecer uma tendência clara de alta ou baixa.
Café acelera exportações e carne bovina perde ritmo
Os embarques de café também apresentaram aumento no início de agosto. De acordo com os dados apresentados por Gioielli, o ritmo diário passou de aproximadamente 6,8 mil toneladas para 10,953 mil toneladas. O movimento ocorre enquanto os contratos do café arábica seguem com oscilações no mercado.
O analista afirmou que os movimentos recentes dificultaram operações de curto prazo no mercado brasileiro.
A carne bovina apresentou desaceleração nos embarques no início de agosto. Segundo Gioielli, as exportações diárias de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada estão 17,9% abaixo do nível observado no período de comparação.
O volume diário citado passou de cerca de 12,7 mil toneladas para 10,4 mil toneladas.
A redução das exportações também pode afetar as decisões dos pecuaristas sobre confinamento. O confinamento é o sistema em que o gado é mantido em instalações com alimentação controlada para acelerar o ganho de peso antes do abate.











