O volume de serviços no Brasil ficou estável em junho de 2026, após recuar 0,2% em maio, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe uma sequência de perda de ritmo do setor, que ainda acumula alta de 2% no primeiro semestre.
Na comparação anual, o volume de serviços cresceu 2%, no 27º resultado positivo consecutivo. Em 12 meses, a expansão foi de 2,6%, mantendo o mesmo ritmo registrado em maio.
Apesar da estabilidade mensal, o setor está 19,9% acima do nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia. O volume, porém, permanece 0,3% abaixo do recorde registrado em outubro de 2025.
Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o resultado mostra uma incapacidade de crescimento pelo segundo mês consecutivo e reforça sinais de desaceleração da atividade econômica.
Segundo o economista, a contribuição dos serviços para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre ainda deve ser positiva, principalmente pelo avanço de 1,2% registrado em abril. No entanto, os dados mais recentes adicionam um viés de baixa à projeção de crescimento de 0,4% para o PIB do período.
Quatro dos cinco setores de serviços recuam
A estabilidade do volume de serviços em junho ocorreu apesar da queda em quatro das cinco atividades pesquisadas pelo IBGE. O maior recuo foi registrado em serviços profissionais, administrativos e complementares, de 1,4%. O segmento havia acumulado alta de 3% entre abril e maio.
Também houve queda em outros serviços (-2,2%), serviços prestados às famílias (-1,2%) e transportes (-0,1%).
A única alta veio de informação e comunicação, que avançou 1,8%. Foi o terceiro resultado positivo consecutivo do segmento, com ganho acumulado de 3% nos últimos três meses.
Para Pizzani, o comportamento dos serviços prestados às famílias e dos serviços profissionais merece atenção, porque os dois grupos possuem relação direta com o ciclo econômico.
Os serviços prestados às famílias podem ser utilizados como referência para o comportamento da demanda, especialmente do consumo das famílias. Já os serviços profissionais, administrativos e complementares possuem forte relação com a demanda das empresas.
A queda simultânea dos dois segmentos, segundo o economista, reforça a percepção de uma desaceleração mais disseminada da atividade.
Serviços profissionais e às famílias recuaram mais de 1%
Os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,4% em junho e 2,8% anualmente. Segundo o IBGE, a queda foi disseminada entre os subgrupos.
Para Pizzani, a retração mensal do segmento é relevante porque essas atividades costumam apresentar maior demanda em períodos de expansão econômica.
Os serviços prestados às famílias caíram 1,2% em junho, após recuo de 0,4% em maio. Dentro do segmento, os serviços de alojamento e alimentação recuaram 1%. Outros serviços prestados às famílias tiveram queda de 0,2%.
Na comparação anual, porém, o segmento cresceu 1,7%. No primeiro semestre, a expansão acumulada chegou a 2%.
Pizzani avalia que o desempenho pode refletir uma combinação de fatores, incluindo menor confiança de consumidores e empresas e um mercado de trabalho com ritmo mais moderado de crescimento dos rendimentos.
Outras atividades, como turismo (-3,4%) e transporte de passageiros (-4%), também recuaram forte no mês.
Tecnologia foge do padrão
O setor de informação e comunicação foi o principal destaque positivo em junho, com crescimento de 1,8% na comparação mensal. O resultado foi impulsionado principalmente pelo avanço de 2,8% nos serviços de tecnologia da informação. Na comparação anual, o segmento de informação e comunicação cresceu 9,4%, liderando a expansão do setor de serviços.
O avanço foi puxado por atividades como desenvolvimento e licenciamento de softwares, telecomunicações, televisão aberta, portais e provedores de conteúdo, consultoria em tecnologia da informação e serviços de hospedagem de dados. No acumulado de janeiro a junho, o segmento cresceu 6,8%.
Pizzani atribui parte desse desempenho à menor sensibilidade do setor aos juros. O segmento também apresenta maior intensidade de capital e capacidade de absorver investimentos, fatores que ajudam a explicar seu comportamento diferente de outras atividades.
São Paulo sustenta resultado regional
Embora o volume tenha ficado estável no país, 16 das 27 unidades da federação registraram queda na comparação mensal. Rio Grande do Sul (-2,1%), Distrito Federal (-1,6%), Minas Gerais (-0,6%), Pará (-3,6%) e Espírito Santo (-2,2%) tiveram algumas das principais retrações.
São Paulo apresentou alta de 0,6% e foi a principal contribuição positiva do mês, seguido por Santa Catarina (0,9%), Rio de Janeiro (0,1%) e Alagoas (1,7%).
Na comparação anual, São Paulo também liderou a contribuição para o crescimento nacional, com alta de 4,2%. No acumulado do primeiro semestre, o estado avançou 4%, enquanto o Distrito Federal cresceu 9,1% e Mato Grosso, 4%.











