As ações da Direcional Engenharia (DIRR3) entraram em uma sequência de três leilões na manhã desta quarta-feira (12) e ocupam a maior queda do Ibovespa, em desvalorização de 4,63%, após registrar um lucro menor do que o esperado pelo mercado no segundo trimestre.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 201,6 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 9,7% na comparação anual. O resultado ficou 13% abaixo das projeções do Citi, principalmente devido ao aumento das despesas comerciais associado ao maior ritmo de lançamentos no primeiro semestre.
Citi vê resultado neutro
O Citi classificou o balanço do segundo trimestre como amplamente neutro. Segundo o banco, a receita líquida e o lucro bruto ficaram ligeiramente abaixo das estimativas.
A margem bruta recuou 70 pontos-base em relação ao trimestre anterior. A administração atribuiu o movimento ao mix de reconhecimento de receitas e aos juros capitalizados mais elevados. Na margem bruta ajustada, o indicador ficou estável na comparação trimestral.
O banco também chamou atenção para a redução da margem do backlog, carteira de pedidos ainda não reconhecida como receita, de 45,2% no terceiro trimestre de 2025 para 43,9% no segundo trimestre de 2026.
Na avaliação do Citi, o movimento indica que parte dos ganhos recentes relacionados aos custos de construção já foi incorporada aos resultados. Com isso, as margens de novos projetos podem ficar abaixo dos níveis atuais.
O banco afirmou que o debate sobre a Direcional passa da capacidade de manter as margens para a velocidade de uma eventual normalização no médio prazo. A conversão de caixa também foi apontada como indicador a ser acompanhado.
Lançamentos e vendas
No primeiro semestre de 2026, a Direcional lançou projetos com 8,6 mil unidades habitacionais, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 2,4 bilhões. O montante representa alta anual de 10,6%. As vendas líquidas chegaram a R$ 2,7 bilhões, crescimento de 13,7% na comparação anual.
Já os repasses de clientes para o financiamento bancário movimentaram R$ 2,2 bilhões, alta de 17%. No período, foram entregues 11 empreendimentos, totalizando 3 mil unidades.
A companhia, porém, informou uma desaceleração pontual na conversão de vendas nas duas últimas semanas de junho, durante a Copa do Mundo.
Os distratos também ficaram acima da média, segundo a empresa, em razão de atrasos no pagamento de subsídios de programas regionais que complementam o Minha Casa Minha Vida. Em Manaus, mais de 600 unidades foram distratadas, embora quase todas já tenham sido vendidas novamente.
Outros destaques do balanço da Direcional
A receita operacional líquida atingiu R$ 1,279 bilhão, crescimento de 20,1% na comparação anual e recorde para um segundo trimestre.
O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 311 milhões, alta de 27%. A margem Ebitda passou de 22,9% para 24,3%, avanço de 1,4 ponto percentual.
A margem bruta chegou a 40%, alta de 1,1 ponto percentual. Já a margem líquida recuou 2,5 pontos percentuais, para 15,8%.
A linha de equivalência patrimonial, que contabiliza os resultados de empreendimentos realizados em parceria, gerou ganho de R$ 19 milhões, alta de 25% sobre um ano antes.
As despesas gerais e administrativas cresceram 19%, para R$ 72 milhões. As despesas comerciais avançaram 33%, para R$ 129 milhões, em razão do maior volume de lançamentos e do esforço comercial.
A companhia também registrou R$ 41 milhões em outras despesas, relacionadas a provisões e despesas jurídicas. O resultado financeiro foi negativo em R$ 6 milhões.
Geração de caixa reduz dívida
A Direcional gerou R$ 130 milhões em caixa no segundo trimestre, impulsionada pelo volume de entregas de obras e pelos repasses de clientes para o financiamento bancário. Com isso, a dívida líquida encerrou o período em R$ 492 milhões, queda de 19,7% em relação ao primeiro trimestre.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido, caiu de 24% para 18%.
A administração destacou a geração de caixa como um dos fatores para a redução do endividamento e afirmou que seguirá com uma condução conservadora do negócio.
A geração positiva de fluxo de caixa e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado de 35% no segundo trimestre, fizeram com que o BTG Pactual mantivesse a recomendação de compra para os papéis.
Direcional anuncia recompra de ações
A companhia anunciou um programa de recompra de ações com duração de 18 meses, autorizando a aquisição de até 32 milhões de papéis. O volume equivale a 9,8% do free float, parcela das ações em circulação no mercado, de 327,2 milhões de ações.
Considerando o preço de R$ 11,02, o Citi estima que o programa pode movimentar cerca de R$ 352 milhões, equivalente a aproximadamente 6,1% do valor de mercado da companhia.
O banco mantém recomendação de compra para Direcional, com preço-alvo de R$ 17, o que representa potencial de valorização de 54,4% em relação ao último fechamento.











