O volume de vendas no varejo brasileiro cresceu 0,5% em junho de 2026, na comparação com maio, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação anual, as vendas cresceram 2,9%.
O resultado veio após alta de 0,3% no mês anterior, na série com ajuste sazonal. Apesar do avanço mensal, a média móvel trimestral caiu 0,3% no trimestre encerrado em junho. O indicador suaviza as oscilações mensais e ajuda a identificar a tendência de curto prazo do setor.
No varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas caiu 1% em junho ante maio.
A média móvel trimestral do segmento recuou 0,7%. Na comparação anual, porém, o varejo ampliado cresceu 4,9%. No ano, acumula alta de 1,9% e, em 12 meses, de 0,8%.
Supermercados e artigos pessoais puxam alta do varejo
Na comparação mensal, quatro das oito atividades do varejo registraram crescimento. A maior alta foi observada em Outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 2,4%. O grupo reúne segmentos como lojas de departamento, artigos esportivos, brinquedos e joalherias.
Na sequência vieram Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com alta de 1,1%; Móveis e eletrodomésticos, com 0,4%; e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com 0,2%.
Do lado negativo, Livros, jornais, revistas e papelaria caiu 9,9%, enquanto Tecidos, vestuário e calçados recuou 2,6%. Combustíveis e lubrificantes tiveram queda de 1,7%, e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação diminuíram 1,3%.
No varejo ampliado, as vendas de veículos recuaram 1,5% e as de material de construção caíram 3,5%.
Vendas de farmácias avançam pelo 40º mês consecutivo
Na comparação com junho de 2025, sete das oito atividades do varejo restrito apresentaram crescimento. O maior avanço foi registrado por Livros, jornais, revistas e papelaria, com alta de 12,6%, seguido por Móveis e eletrodomésticos, com 7,5%, e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com 6,2%.
O segmento farmacêutico também teve a segunda maior contribuição para o resultado total, adicionando 0,7 ponto percentual ao crescimento de 2,9% do varejo.
Segundo o IBGE, essa atividade acumula 40 meses consecutivos de crescimento na comparação anual. A última queda havia sido registrada em fevereiro de 2023. No semestre, as vendas de artigos farmacêuticos acumulam alta de 4,6%. Em 12 meses, o avanço é de 5,1%.
Pernambuco lidera alta do varejo entre os estados
Na comparação com maio, o comércio varejista registrou crescimento em 19 das 27 unidades da Federação. Os maiores avanços foram observados no Amazonas (3%), Espírito Santo (2,6%) e Roraima (2,5%).
Na outra ponta, Tocantins caiu 2,1%, Rio Grande do Sul recuou 1,6% e o Distrito Federal teve queda de 1%.
No varejo ampliado, 17 estados registraram queda na comparação mensal. Na comparação com junho de 2025, o varejo restrito apresentou crescimento em 24 das 27 unidades federativas. Pernambuco liderou, com alta de 9,5%, seguido por Tocantins, com 9,1%, e Distrito Federal, com 8,8%.
Perda de dinamismo no consumo brasileiro
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado representou uma pequena surpresa positiva em relação às expectativas para o varejo restrito, mas não alterou a percepção de moderação da atividade econômica no segundo trimestre.
Segundo ele, os segmentos mais relacionados ao crédito continuam apresentando sinais de fraqueza. “A deterioração das médias móveis e a fraqueza observada no varejo ampliado seguem sugerindo perda gradual de dinamismo do consumo”, afirmou Costa.
O ASA mantém a projeção de crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores e com ajuste sazonal.











