A Sabesp (SBSP3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,150 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 41,2% na comparação anual. Após a divulgação do balanço, as ações da companhia recuavam 8,27%, aos R$ 23,96 — sendo o papel mais negociado e a segunda maior queda do Ibovespa nesta quinta-feira (13).
No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido reportado foi de R$ 3,213 bilhões, queda de 11,2% na comparação anual. Segundo a companhia, a comparação trimestral foi prejudicada por uma base mais elevada no segundo trimestre de 2025, quando o resultado havia sido beneficiado por cerca de R$ 200 milhões em reversões de provisões e vitórias judiciais.
Além disso, os custos e despesas operacionais cresceram 24,5%, pressionados por investimentos na modernização do atendimento ao cliente e pelo aumento dos preços de insumos químicos utilizados no tratamento de água.
O Citi classificou o resultado como fraco, destacando a pressão provocada pelo avanço dos custos e despesas. Segundo o banco, a receita líquida ajustada ficou ligeiramente acima da estimativa, ajudada por volumes melhores do que o previsto.
Despesa financeira sobe e dívida chega a R$ 34 bilhões
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,017 bilhão no segundo trimestre, ante despesa de R$ 118 milhões um ano antes.
A pressão ocorre em meio ao aumento do endividamento associado ao ciclo de investimentos. A dívida líquida da Sabesp alcançou R$ 34 bilhões no fim de junho, ante R$ 23 bilhões no mesmo período de 2025.
A relação entre dívida líquida e Ebitda, indicador usado para medir a alavancagem financeira, ficou em 2,5 vezes, ante 2,4 vezes no trimestre anterior. O custo médio da dívida está em CDI + 0,15%, com prazo médio de 6,1 anos. Cerca de 62% do passivo vence a partir de 2031.
A companhia encerrou junho com R$ 17,441 bilhões em caixa e aplicações financeiras, montante que, segundo a Sabesp, cobre mais de quatro anos de amortizações. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) permaneceu em 15,2%.
Investimentos chegam a R$ 7,46 bilhões no semestre
A Sabesp investiu R$ 3,73 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025. Do total, R$ 2,68 bilhões foram destinados à expansão e melhorias dos sistemas de esgoto, crescimento de 4,8%. Outros R$ 1,05 bilhão foram aplicados na infraestrutura de água.
Com isso, os investimentos acumulados no primeiro semestre atingiram R$ 7,46 bilhões, alta de 15,6%. A companhia mantém a meta de investir aproximadamente R$ 20 bilhões em 2026, como parte da estratégia de universalização dos serviços de saneamento.
“Quando olhamos quanto a companhia investe hoje para atingir universalização, está com volume quatro vezes maior do que ela fazia, e parte disso vem por meio de endividamento, e despesas financeiras e depreciação cresceram”, afirmou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Daniel Szlak.
Outros destaques do balanço da Sabesp
A receita líquida ajustada da Sabesp somou R$ 6,013 bilhões no segundo trimestre, alta de 6,7% em um ano. O avanço refletiu principalmente o aumento de 8,7% no preço líquido, após reajustes tarifários, e o crescimento de 1% no número de ligações, ou economias.
Parte do efeito positivo foi compensada por temperaturas mais amenas e pela mudança no perfil da base de clientes com a ampliação do acesso às tarifas sociais para famílias de baixa renda. No primeiro semestre, a receita líquida de serviços de saneamento chegou a R$ 12,924 bilhões, alta de 10,3%.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 3,2% no trimestre, para R$ 3,503 bilhões. Na primeira metade do ano, porém, o Ebitda reportado alcançou R$ 7,987 bilhões, crescimento de 9,2%.
Digitalização pode reduzir custos da Sabesp a partir de 2027
Segundo a companhia, parte dos gastos adicionais deve ser compensada por ganhos de produtividade decorrentes da migração de canais de atendimento físicos para plataformas digitais.
A expectativa da administração é que esse processo limite a permanência das despesas adicionais na estrutura da companhia a partir de 2027.
O diretor financeiro também afirmou que o aumento de pessoal relacionado ao plano comercial não deverá representar uma parcela relevante dos custos recorrentes da Sabesp nos próximos anos.











