O dólar à vista fechou esta sexta-feira (14) em alta de 0,52%, a R$ 5,22, chegando ao quinto avanço consecutivo. O desempenho do real ocorreu em um cenário de pressão sobre outras moedas emergentes da América Latina.
A pressão sobre a moeda ocorreu após o governo brasileiro iniciar o processo para adotar um mecanismo de reciprocidade econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida elevou a percepção de risco dos investidores diante da possibilidade de uma escalada na disputa comercial.
Em fala ao Broadcast, o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Andrés Abadia, disse que o mecanismo de reciprocidade não é o principal fator por trás do movimento do câmbio, mas acrescenta uma nova fonte de incerteza para a trajetória do real.
O cenário também é acompanhado pelos investidores estrangeiros, que vêm reduzindo posições na Bolsa brasileira. Ao mesmo tempo, empresas importadoras ampliam a procura por hedge cambial, mecanismo utilizado para proteger operações contra oscilações da moeda.
Na semana, a moeda acumulou alta de 2,68%. Em agosto, a valorização chega a 2,95%.
Dólar recua no exterior
No mercado internacional, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,31% por volta das 17h, aos 99,653 pontos. Durante a sessão, o indicador chegou a 99,475 pontos.
O movimento ocorreu após indicadores recentes dos EUA mostrarem sinais de desaceleração no mercado de trabalho e inflação ao consumidor e ao produtor dentro das expectativas. Hoje, as vendas no varejo de julho recuaram 0,6% em relação a junho, enquanto analistas esperavam alta de 0,1%.
Mesmo com a queda do DXY e o aumento das expectativas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro, o real apresentou desempenho inferior ao de outras moedas emergentes.











